
Divulgação/Netflix
Banda Demon Hunter processa Netflix por turnê de “Guerreiras do K-Pop”
Grupo de metal cristão alega confusão com sua marca e tenta barrar o nome do filme em shows, músicas e produtos
Banda leva Netflix à Justiça
A banda americana de metal cristão Demon Hunter processou a Netflix e a promotora AEG Presents por conta da expansão de “Guerreiras do K-Pop” para os palcos. O grupo afirma que a turnê baseada no maior sucesso cinematográfico da plataforma, que em inglês se chama “Kpop Demon Hunters”, viola sua marca registrada e já provoca confusão entre consumidores.
Por que a banda processou a Netflix?
A ação foi apresentada na terça-feira (18/8) no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Central da Califórnia. Segundo a Demon Hunter, o problema se agravou depois que a Netflix anunciou em maio uma turnê mundial baseada no filme, levando o nome para uma área em que a banda atua há mais de 25 anos.
“Em suma, a Netflix não tem mais direito de usar a marca KPOP DEMON HUNTERS do que teria para lançar um artista musical, uma turnê de shows e produtos licenciados sob as marcas KPOP METALLICA, KPOP U2 ou KPOP BLACK SABBATH”, afirma o processo.
Confusão já teria chegado aos fãs
A Demon Hunter apresentou exemplos para sustentar a alegação de que as duas marcas começaram a ser confundidas. Num deles, um pai pediu reembolso depois de gastar cerca de US$ 500 em ingressos para um show da banda acreditando que havia comprado entradas para uma apresentação ligada a “Guerreiras do K-Pop”. Ele pretendia levar as filhas de 5 e 6 anos.
Outro episódio envolveu o programa americano “Inside Edition”. Um produtor procurou representantes da Demon Hunter solicitando entrevista com um dos compositores das músicas do filme, aparentemente acreditando que a banda estava ligada à animação.
O grupo também afirma que usuários das redes sociais passaram a marcar seus perfis em publicações sobre o longa. Para os músicos, a entrada da Netflix no mercado de shows cria o risco de a franquia “ofuscar” uma marca construída desde a formação da Demon Hunter, em Seattle, em 2000.
Marca existe desde antes do filme
A empresa Hyde Lane, responsável pela Demon Hunter, tem o nome da banda registrado como marca nos Estados Unidos desde 2022 para usos que incluem gravações musicais e produtos. O grupo lançou em 2025 seu 12º álbum de estúdio, “There Was a Light Here”, e continua em atividade com turnês.
“Guerreiras do K-Pop” chegou à Netflix em junho de 2025. A animação sobre as integrantes de um grupo de K-pop que combatem demônios tornou-se o filme mais assistido da história da plataforma e venceu em 2026 os Oscars de Melhor Filme de Animação e Melhor Canção Original por “Golden”.
O sucesso levou a Netflix a ampliar rapidamente a franquia. Em maio, a empresa anunciou com a AEG Presents uma turnê mundial para 2027, com apresentações previstas em 150 cidades. É justamente a entrada de “Guerreiras do K-Pop” no mercado de música ao vivo que ocupa o centro da nova disputa judicial.
Banda fala em “crise existencial”
“Como resultado da conduta deliberada dos réus”, a banda “agora enfrenta uma crise existencial, o que torna necessária a propositura desta ação”, afirma a petição inicial.
A Demon Hunter pede uma ordem judicial para impedir Netflix e AEG de usar “KPop Demon Hunters” na promoção de shows, gravações musicais e produtos licenciados. O processo também solicita indenização, mas não estabelece um valor.
Netflix e AEG Presents ainda não apresentaram resposta ao processo. Representantes da banda também não comentaram publicamente a ação além das alegações registradas no tribunal.