
YouTube/Degnis Bofill
Percussionista vencedor do Grammy Latino é detido pelo ICE em Miami
Cubano foi abordado ao voltar de apresentações em Nova York com pedido de asilo ainda pendente
Músico é detido ao desembarcar em Miami
O percussionista e compositor cubano Degnis Bofill está detido pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) desde 19 de agosto. Vencedor do Grammy Latino por sua participação no álbum “Ancestros Sinfónico”, ele foi abordado no Aeroporto Internacional de Miami ao retornar de compromissos profissionais em Nova York.
O que aconteceu no aeroporto?
Segundo Mara Delgado, esposa do músic, agentes do ICE já aguardavam Bofill quando ele desembarcou. O percussionista de 39 anos passou os primeiros dias sob custódia no escritório de Operações de Execução e Remoção da agência em Miramar antes de ser transferido para o Centro de Detenção de Krome, no condado de Miami-Dade.
“Estou preocupada com a possibilidade de ele ser deportado, porque não sei quando poderei vê-lo novamente”, afirmou Delgado à CBS News Miami. Ela criou uma campanha com meta de US$ 60 mil para custear a defesa jurídica e uma eventual fiança.
Por que o ICE deteve Degnis Bofill?
O ICE informou que Bofill entrou legalmente nos Estados Unidos em 15 de abril de 2023, mas alega que ele deixou de cumprir posteriormente os termos de sua admissão no país. A agência o classificou como imigrante cubano em situação irregular e afirmou que a detenção ocorreu durante uma operação de fiscalização migratória.
A versão da família é diferente. Delgado afirma que o marido possui um pedido de asilo pendente e defende que ele possa aguardar o andamento do processo fora do centro de detenção. O casal se conheceu em Cuba e se casou em 2023, mesmo ano em que Bofill se mudou para os Estados Unidos.
O ICE declarou que o músico terá direito ao devido processo, mas não informou quando sua situação deverá ser analisada.
Viagem tinha compromissos musicais
Bofill voltava de uma passagem profissional por Nova York. Segundo o Miami New Times, ele participou de atividades relacionadas à Latin Alternative Music Conference e se apresentou no Pocket Jazz Club, em Manhattan, antes de retornar a Miami.
O percussionista vive atualmente na Flórida e dirige o projeto Golpes Libres, que mistura música afro-cubana tradicional com jazz contemporâneo. Formado pelo Conservatório José María Ochoa, em Holguín, ele acumula mais de duas dezenas de gravações como instrumentista e compositor.
Ao longo da carreira, tocou com artistas como Arturo O’Farrill, Brian Lynch, Dave Weckl, Roberto Fonseca e Orlando Valle “Maraca”, além de músicos importantes da cena cubana.
Grammy Latino veio com “Ancestros Sinfónico”
O principal reconhecimento internacional veio em 2022 com “Ancestros Sinfónico”, do grupo Síntesis. Bofill participou do álbum tocando tambores batá e fazendo coro, enquanto o trabalho venceu o Grammy Latino de Melhor Álbum Folclórico.
Desde janeiro de 2025, ele também integra o corpo de votantes da Academia Latina da Gravação. O músico, que também tem uma carreira solo destacada como cantor, mantém atuação frequente na cena musical de Miami.