
Divulgação/SATO
Atriz brasileira é destaque em sci-fi épica chinesa
Daniela Tassy vive líder dos astronautas brasileiros em missão à Lua na superprodução "Terra à Deriva 2"
Brasileira lidera astronautas em superprodução chinesa
A superprodução chinesa “Terra à Deriva 2”, que estreou nos cinemas brasileiros na quinta (20/8), destaca uma atriz brasileira em seu elenco. Daniela Tassy interpreta Emília Soares, astronauta que lidera a equipe brasileira numa missão à Lua e participa de um grupo internacional reunido para enfrentar uma ameaça de escala planetária.
Da tradução para o cinema chinês
Nascida em Andradina, no interior de São Paulo, Daniela vive na China há 11 anos. Ela chegou ao país para estudar mandarim depois de se formar em Tradução e já falar inglês e espanhol. Passou dois anos em Nanjing, trabalhou como tradutora de jogadores de futebol em Xangai e acabou entrando em contato com o mercado audiovisual local, retomando um desejo que carregava desde a infância. “Meu sonho de adolescência, quase de infância, era ser atriz, mas isso ficou para trás”, contou em entrevista ao Opera Mundi publicada neste domingo (23).
Os primeiros trabalhos foram pequenos papéis em séries, filmes e comerciais. Daniela também fez um workshop de atuação para câmeras e trabalhou em outras funções de produções audiovisuais, incluindo produção, maquiagem, iluminação e direção. A experiência acumulada abriu caminho para testes maiores quando já estava estabelecida em Pequim.
Teste para repórter virou papel de astronauta
A entrada em “Terra à Deriva 2” aconteceu por intermédio de um amigo brasileiro, o ator Sérgio, que soube da procura por alguém que falasse português ou espanhol para interpretar uma repórter. Como as filmagens começaram em 2022, ainda sob restrições relacionadas à pandemia, Daniela gravou o primeiro teste em casa.
A produção, porém, decidiu avaliá-la para uma personagem maior. “Foi assim que eu ganhei o papel da Emília Soares, a líder dos astronautas brasileiros que foram para uma missão na Lua”, recordou. A personagem é mãe, astronauta e responsável por decisões que afetam não apenas sua equipe, mas o destino da humanidade.
Daniela fala português durante suas cenas. A própria ficção resolve a barreira linguística por meio de uma tecnologia de tradução simultânea: os astronautas conversam em seus idiomas de origem e conseguem se compreender. Para a atriz, o uniforme de Emília acrescentou outro peso ao trabalho. “Ela usa um traje espacial com a bandeirinha do Brasil, isso carrega uma responsabilidade”, afirmou.
“Terra à Deriva 2” antecede o primeiro filme
Apesar do número no título, “Terra à Deriva 2” se passa cronologicamente antes de “Terra à Deriva”, lançado em 2019. Por isso, segundo Daniela, o novo longa pode ser acompanhado sem conhecimento prévio do primeiro filme, atualmente disponível na Netflix.
A franquia tem como ponto de partida a obra do escritor chinês Liu Cixin e trabalha com uma ficção científica de grande escala, combinando diferentes núcleos narrativos, missões espaciais e conflitos internacionais. Daniela destaca justamente a dimensão técnica da produção, que aposta fortemente em efeitos visuais e na construção de um futuro em que diferentes países precisam atuar em conjunto.
Para a brasileira, o filme representa o trabalho mais importante de sua trajetória como atriz até agora. Ela também participou de séries chinesas e cita com carinho “Love Heals”, produção em que interpretou a diretora de um hospital chinês instalado em um país africano.
Vida na China também virou negócio
A carreira artística não é a única atividade de Daniela no país. Paralelamente aos trabalhos como atriz, ela criou uma agência de turismo voltada, entre outros públicos, a brasileiros interessados em conhecer a China.
Depois de mais de uma década vivendo no país, ela diz que a experiência cotidiana é difícil de traduzir para quem nunca esteve lá. “Eu digo sempre, para aqueles que têm curiosidade, que só dá para entender estando aqui. Eu posso ficar aqui falando horas e horas, mas há muita coisa que só dá para entender estando aqui”, afirmou.
Daniela considera que a mudança permitiu não apenas desenvolver uma carreira e uma empresa, mas também recuperar o antigo desejo de atuar que havia deixado de lado ao escolher a tradução como profissão. E não demonstra planos de voltar definitivamente ao Brasil. “Enquanto o tio Xi deixar, eu vou ficando”, brincou, em referência ao presidente chinês Xi Jinping.