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Instagram/Anitta

Música|11 de agosto de 2026

Anitta diz que escondeu religião por medo de prejudicar carreira

Cantora contou no “Sem Censura” que temia o impacto do preconceito contra o candomblé


Pipoque pelo Texto ocultar
1 Medo de assumir a própria fé
2 Por que Anitta manteve a religião em segredo?
3 Iniciação coincidiu com cobranças políticas
4 Como explicar um silêncio que também era segredo?
5 Revelação trouxe nova pressão
6 Preconceito se materializou

Medo de assumir a própria fé

Anitta revelou que passou anos com medo de tornar pública sua ligação com o candomblé por receio de perder contratos publicitários e prejudicar a carreira. Em entrevista a Cissa Guimarães no “Sem Censura” desta terça (11/8), a cantora contou que o temor era especialmente forte no início de sua trajetória, quando ainda buscava estabilidade financeira.

Por que Anitta manteve a religião em segredo?

“Porque tem isso, né? Você tem que sair do armário. Eu não tinha saído do armário ainda porque, na época, era muito prejudicial para as publicidades, para campanhas, para você fazer dinheiro, para você vender… Aí, imagina, eu comecei sem dinheiro, não tinha casa, não tinha nada. Imagina o medo”, explicou.

A cantora resumiu o receio que sentia naquele período: “‘Se souberem, se descobrirem que eu sou macumbeira, acabou’”.

Iniciação coincidiu com cobranças políticas

Anitta também contou que sua iniciação religiosa coincidiu com um período de forte cobrança para que se posicionasse sobre a política brasileira. Na época, fãs criticavam seu silêncio sem saber que ela estava afastada das redes e sem acesso às notícias.

“Houve um momento político no Brasil onde me foi cobrado muito, e eu fui muito apedrejada e atacada por estar em silêncio. […] Só que eu, nessa época, estava fazendo santo. E quando a gente faz isso, a gente fica ali, guardadinha, por um mês”, relatou.

“Você não tem informação de pessoas, ninguém fala para você o que está acontecendo, você não fica com o telefone na mão. Você fica em retiro por um mês. Então, não faz ideia do que está acontecendo”, acrescentou.

Como explicar um silêncio que também era segredo?

A situação colocou a cantora diante de um impasse. Ela não conseguia justificar publicamente sua ausência sem revelar uma religião que ainda escondia por medo das consequências profissionais.

“Só que, ao mesmo tempo, estava todo mundo me trucidando porque eu fiquei em silêncio muito tempo. Como é que eu explico que eu fiquei em silêncio?”, questionou.

Foi nesse contexto que Anitta se aproximou de Gabriela Prioli para compreender melhor o cenário político antes de se manifestar. “Eu gosto de saber o que eu estou falando. Eu jamais ia entrar numa coisa porque todo mundo mandou. Eu quero ser a dona da minha palavra”, afirmou.

Revelação trouxe nova pressão

Mesmo depois de estudar o assunto e formar sua própria opinião, a cobrança continuou. Anitta contou que chegou a um ponto em que decidiu explicar abertamente por que havia permanecido afastada.

“Teve uma hora que eu não aguentei. Falei: ‘gente, eu sou macumbeira. Eu estava presa e não podia falar. E eu não sabia o que vocês estavam fazendo aqui fora’. E aí, foi uma outra questão que eu fui enfrentar”.

A cantora afirmou que não via artistas pop de sua geração falando abertamente sobre uma religião de matriz africana dentro do universo que acompanhava. “Não tinha ninguém da minha geração do pop falando isso, na minha bolha, o que eu acompanhava. E aí, fui, comecei a falar e me senti livre, me senti liberta”, declarou.

Preconceito se materializou

O temor de Anitta não era exagerado. Em maio de 2024, quando lançou o clipe de “Aceita”, do álbum “Funk Generation”, a cantora assumiu de forma mais explícita sua ligação com o candomblé ao mostrar no vídeo rituais e imagens registradas em um terreiro. A reação confirmou o preconceito religioso: Anitta perdeu mais de 200 mil seguidores no Instagram após divulgar o trabalho e passou a receber ataques por sua religião.

Na época, ela rebateu a intolerância e afirmou que já havia falado sobre sua fé outras vezes, mas que deixar aquele registro de forma permanente em sua obra parecia incomodar quem não aceitava crenças diferentes.

Neste ano, Anitta foi além e lançou “Equilibrivm”, projeto de duas partes voltado às suas raízes religiosas, com letras e clipes com referências claras e diretas. Desta vez, não teve polêmica. Ao contrário, houve exaltação da “brasilidade” da artista mais internacional do país.

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