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Zé Neto pede perdão a Anitta após ataque de 2022
Cantor atribuiu fala ao excesso de bebida e afirmou que mudou após se aproximar da igreja
Zé Neto reconhece erro
Zé Neto, da dupla com Cristiano, pediu perdão publicamente a Anitta quatro anos depois de atacá-la durante um show. Em entrevista ao podcast “Nativíssimo”, da Nativa FM, o cantor reconheceu que envolveu a artista indevidamente em seu discurso contra a Lei Rouanet e atribuiu a fala de 2022 ao excesso de bebida.
O que o cantor disse?
“Se eu a visse, com toda certeza do mundo, eu ia pedir perdão, porque eu acho que foi uma coisa que eu falei indevidamente, sem pensar”, afirmou Zé Neto.
“Eu bebia demais e falava o que não devia. E ataquei uma pessoa que não tinha nada a ver com o que eu tava falando. Eu sinto essa culpa. Um dia vou encontrar ela pedir desculpas. Já tentei… Anitta, se estiver me vendo, me perdoa”, acrescentou.
O sertanejo também relacionou a mudança de postura à sua aproximação com a religião. “Depois que comecei a buscar a igreja, eu vi quão idiota e infeliz eu fui com esse comentário. Hoje entendo a vida de uma maneira diferente”, declarou.
Como começou o ataque?
Zé Neto atacou Anitta em 13 de maio de 2022, durante uma apresentação contratada por R$ 400 mil pela prefeitura de Sorriso, no Mato Grosso. No palco, ele misturou críticas à Lei Rouanet com uma referência à tatuagem íntima da cantora.
“Nós somos artistas que não dependemos de Lei Rouanet. Nosso cachê quem paga é o povo. A gente não precisa fazer tatuagem no ‘toba’ para mostrar se a gente está bem ou mal”, disparou na ocasião.
Após a repercussão da fala, o cantor ainda debochou das críticas que recebeu. “Não falei nome de ninguém. Mas o engajamento tá top. Mete o pau”, publicou.
Uma semana depois, Zé Neto divulgou uma retratação genérica, pediu o fim dos discursos de ódio e classificou sua fala como infeliz, mas não citou Anitta. A entrevista atual trouxe o primeiro pedido nominal de perdão à cantora.
O que foi o “efeito tororó”?
A crítica acabou saindo pela culatra, pois chamou atenção para os contratos milionários de shows sertanejos por prefeituras em dificuldades.
A cantora respondeu com humor à referência ao local da tatuagem — que apelidou de “tororó” —, mas rebateu o uso da Lei Rouanet com a exposição de práticas de superfaturamento em cachês pagos por prefeituras. Segundo Anitta, a produtora de seus shows já havia recebido propostas para esse tipo de contrato, o que foi recusado. “Eu já recebi propostas. Eu e meu irmão. ‘Você cobra tanto, aí eu vou e pego um pedaço.’ Eu falei não”, contou ao “Fantástico”.
Após a declaração de Anitta, Ministérios Públicos de diferentes estados passaram a examinar cachês incompatíveis com a realidade financeira de pequenos municípios. O movimento recebeu nas redes o apelido de “efeito tororó”.
Quais contratos foram questionados?
Entre muitos outros contratos, a Justiça da Bahia cancelou em fevereiro de 2024 um show de Gusttavo Lima contratado por R$ 1,3 milhão pela prefeitura de Campo Alegre de Lourdes. O município estava em situação de emergência por causa da seca. Segundo o Ministério Público da Bahia, o cachê superava todo o orçamento previsto para a Secretaria de Cultura nos anos de 2023 e 2024.
Um levantamento publicado pelo ICL Notícias em 2024 mostrou outro caso em Campo Verde, no Mato Grosso. A prefeitura contratou uma apresentação de Gusttavo Lima por R$ 1,1 milhão, valor equivalente a 52,78% do orçamento municipal destinado à Cultura naquele ano.
Em maio de 2025, a Justiça de Mato Grosso anulou o contrato de R$ 750 mil firmado entre a prefeitura de Gaúcha do Norte e a Talismã Music para uma apresentação de Leonardo. O show aconteceu em junho de 2024 após uma decisão inicial ser derrubada por recurso. A sentença posterior determinou que a empresa devolvesse R$ 300 mil aos cofres públicos pelo valor considerado superfaturado. Ainda cabia recurso na época.
O contrato de R$ 400 mil do show de Zé Neto e Cristiano em Sorriso, onde começou a polêmica com Anitta, também entrou na apuração do Ministério Público de Mato Grosso sobre gastos municipais com apresentações musicais.
O que Randolfe disse no Senado?
O debate voltou ao Senado em 17 de dezembro de 2025, quando Randolfe Rodrigues (PT-AP) apresentou na Comissão de Constituição e Justiça uma lista de sertanejos que teriam recebido milhões em recursos públicos.
“Sobre a Lei Rouanet e aqui a minha homenagem aos artistas brasileiros. Quero aqui citar quem são os dez artistas mais bem remunerados pela Lei Rouanet. Primeiro lugar, Gusttavo Lima, 52 milhões de reais. Segundo lugar, Bruno e Marrone, 45 milhões de reais. Terceiro lugar, Leonardo, 42 milhões de reais. Quarto lugar, Chitãozinho e Xororó, 38 milhões de reais. Quinto lugar, César Menotti e Fabiano, 35 milhões de reais.”
“Sexto lugar, Zezé Di Camargo e Luciano, 32 milhões de reais. Sétimo lugar, Eduardo Costa, 28 milhões de reais. Oitavo lugar, Amado Batista, 23 milhões de reais. Nono lugar, Henrique e Juliano, 20 milhões de reais. Décimo lugar, Fernando e Sorocaba, 19 milhões de reais”, apresentou Randolfe.