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X/Jovem Pan News

Etc|30 de julho de 2026

Pietra Bertolazzi compara ataques de fãs do BTS ao nazismo

Influenciadora altera a cronologia da ascensão nazista e descreve de forma enganosa os grupos perseguidos pelo regime


Pipoque pelo Texto ocultar
1 Influenciadora retoma confronto com o fandom
2 Coleção de distorções
3 Que comparação ela fez com o nazismo?
4 A fala alterou uma advertência sobre o Holocausto?
5 Como começou a disputa com os fãs do BTS?
6 Que resposta Pietra deu às críticas?

Influenciadora retoma confronto com o fandom

Pietra Bertolazzi voltou a confrontar fãs do BTS em um vídeo publicado nas redes sociais. Ao responder aos ataques que afirma ter recebido, a influenciadora comparou a repercussão contra ela à ascensão do nazismo e apresentou católicos, conservadores e empresários como alvos característicos do regime.

Coleção de distorções

A declaração contém distorções históricas sobre quais grupos foram perseguidos pelos nazistas. Pietra também afirmou estar sendo atacada por defender “família e cristianismo”, embora a controvérsia tenha começado depois de ela questionar a masculinidade dos integrantes do BTS e chamá-los de “afeminados”.

No novo pronunciamento, ela definiu os responsáveis pelos ataques virtuais como “um exército de adolescentes bandidos que se escondem atrás da tela do computador”.

Que comparação ela fez com o nazismo?

“Quando as pessoas viram o nazismo crescer em 1940 e não fizeram nada, sofreram consequências definitivas dessa omissão. Levaram o vizinho católico, conservador, empresário, e você não se incomodou. A fila mudou de década e de alvo, mas ela continua andando. O nazismo não tomou a Alemanha em uma noite. Foi uma narrativa repetida por anos”, acrescentou.

O primeiro erro está na cronologia. O Partido Nazista cresceu eleitoralmente no início da década de 1930, e Adolf Hitler foi nomeado chanceler da Alemanha em 30 de janeiro de 1933. Nos meses seguintes, o país foi transformado de uma democracia em uma ditadura. Em 1940, Hitler já governava havia sete anos, e a Segunda Guerra Mundial tinha começado com a invasão da Polônia em setembro de 1939.

A declaração também distorce quem os nazistas perseguiam. Os judeus eram considerados pelo regime seu principal inimigo racial. Seis milhões foram assassinados no genocídio que ficou conhecido como Holocausto.

O nazismo também perseguiu e matou integrantes de outros grupos, como romani e sinti, pessoas com deficiência, poloneses, prisioneiros de guerra soviéticos, opositores políticos, Testemunhas de Jeová e homens acusados de homossexualidade. O nazismo também perseguiu artistas de vanguarda, comunistas, sindicalistas e progressistas de modo geral.

Católicos, conservadores e empresários, porém, não formavam categorias gerais de vítimas. Quase toda a população alemã era cristã em 1933: aproximadamente 20 milhões de pessoas eram católicas e 40 milhões, protestantes. Segundo o Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos, a maioria dos cristãos alemães recebeu favoravelmente a chegada dos nazistas ao poder. Houve religiosos que resistiram, mas outros apoiaram o regime ou permaneceram em silêncio diante da perseguição aos judeus.

Também não há fundamento para apresentar conservadores e empresários como vítimas em bloco. Políticos conservadores participaram da articulação que levou Hitler ao cargo de chanceler. Líderes empresariais colaboraram posteriormente com a expropriação de negócios pertencentes a judeus e com o uso de trabalho forçado. Um conservador ou empresário poderia ser perseguido por se opor ao regime ou por sua origem judaica, mas não simplesmente por ser conservador ou empresário.

A fala alterou uma advertência sobre o Holocausto?

A construção usada por Pietra — “levaram o vizinho” e ninguém se incomodou — remete à conhecida advertência do pastor luterano Martin Niemöller sobre o silêncio da sociedade diante das perseguições nazistas.

Na versão exposta pelo Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos, Niemöller menciona socialistas, sindicalistas e judeus antes de concluir: “Então vieram atrás de mim — e já não havia ninguém para falar por mim”.

O museu explica que Niemöller apresentou diferentes versões de sua reflexão, nas quais também citou comunistas, pessoas com deficiência e Testemunhas de Jeová. Versões impressas posteriormente acrescentaram católicos, mas a instituição considera improvável que o pastor tenha mencionado esse grupo. Conservadores e empresários não aparecem entre os alvos recordados por ele.

Niemöller, que inicialmente apoiou Hitler e depois foi preso por se opor ao regime, usava a declaração para reconhecer a própria omissão diante da perseguição aos grupos dos quais discordava. Sua advertência não apresentava cristãos conservadores e empresários como as principais vítimas do nazismo.

Como começou a disputa com os fãs do BTS?

A controvérsia teve início após a participação do BTS no show do intervalo da final da Copa do Mundo de 2026. Pietra publicou um vídeo no qual atacou a aparência e a expressão de gênero dos artistas sul-coreanos.

“De tudo que vi hoje na final da Copa, nada me chocou mais do que saber que um grupo de homens totalmente afeminados, vaidosos e cheios de caras e bocas, que me deram verdadeira vergonha alheia, são uma das maiores referências que essa geração atual tem. Não é possível que a maioria não perceba o quão grave isso é”, afirmou na ocasião.

A publicação provocou acusações de homofobia e xenofobia. Pietra rejeitou as duas classificações, mas o fã-clube do grupo sul-coreano, conhecido como Army, resolveu transformá-la em exemplo.

Depois da repercussão, ela afirmou que documentos, endereço, telefone e informações sobre familiares foram divulgados indevidamente. A influenciadora também confirmou inscrições feitas em seu nome e disse que encaminhou o caso à Delegacia de Crimes Cibernéticos de São Paulo.

Segundo Pietra, as provas estão sendo reunidas para responsabilizar os envolvidos.

Que resposta Pietra deu às críticas?

No novo vídeo, Pietra ironizou os pedidos para que se desculpasse por chamar os integrantes do BTS de “afeminados”. Ela disse que seria necessária muita “virilidade” para reunir um “exército” de mais de 400 milhões de pessoas, número mencionado por ela.

A influenciadora também comparou o fandom com os seguidores do cristianismo.

“É uma sociedade de valores invertidos. Esse é o maior exército de fãs do planeta, mas não é nem de perto o maior fandom da história: tem um homem que, sem clipe, sem coreografia, sem show, esgotou e, sem redes sociais, arrebanhou bilhões de seguidores ao longo dos últimos 2 mil anos e continua arrebanhando milhões em cada canto do mundo”, afirmou, em referência a Jesus Cristo.

Pietra encerrou o pronunciamento dizendo que pretende prosseguir com as medidas legais contra os responsáveis pelos ataques.

“É muito cristão perdoar, mas perdoar não dá alvará de soltura. O perdão é meu, mas o processo é do Estado”, declarou.

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