
Divulgação/Screen Media Films
Netflix é processada em US$ 105 milhões por roubo de filme inédito de Nicolas Cage
Produtor afirma que roubo de HD de "Fortitude" colocou lançamento e vendas internacionais em risco
Produtor cobra US$ 105 milhões por cópia desaparecida
A Netflix enfrenta um processo de pelo menos US$ 105 milhões — cerca de R$ 533 milhões — após o roubo de um disco rígido com uma cópia inédita de “Fortitude”. O thriller de espionagem estrelado por Nicolas Cage ainda não possui distribuidora.
O que aconteceu?
A ação foi apresentada nesta quarta-feira (29) pelo roteirista e produtor Simon Afram e pela empresa Op-Fortitude em um tribunal federal da Califórnia. Eles acusam a plataforma de não proteger adequadamente o arquivo e de comprometer o futuro comercial do longa, que consumiu mais de US$ 45 milhões em investimentos.
O disco rígido foi levado durante um roubo ao escritório da Netflix em Los Angeles. A cópia armazenada no equipamento era uma versão completa e não criptografada do filme.
Como o filme foi parar na Netflix?
A Netflix demonstrou interesse em “Fortitude” depois de conhecer materiais promocionais do projeto no fim de 2025. Em junho, a empresa solicitou uma cópia completa para avaliar uma possível aquisição.
Segundo o processo, os produtores orientaram a plataforma a excluir o arquivo depois da apresentação interna. Nove dias após o envio, porém, a Netflix informou que vários discos rígidos haviam sido roubados das mesas de funcionários. Um deles continha “Fortitude”.
Sean Berney, chefe de aquisições de filmes da empresa, afirmou em um e-mail citado na ação que a Netflix nunca havia enfrentado um roubo semelhante. “Estamos trabalhando nisso com nossas equipes de segurança, mas sem sucesso”, escreveu o executivo. Ele acrescentou que os profissionais responsáveis pelo combate à pirataria foram colocados em estado de alerta.
Que prejuízo os produtores alegam?
Afram argumenta que a existência de uma cópia completa fora do controle da produção pode afastar distribuidoras e compradores internacionais. A possibilidade de vazamento também teria interrompido a estratégia de lançamento e uma campanha planejada para premiações.
O produtor afirma que trabalhou durante sete anos no projeto. Segundo a ação, o desaparecimento do arquivo reduziu substancialmente o valor comercial do filme e colocou em risco todo o investimento realizado.
Os autores do processo também alegam que a Netflix demorou a envolver as autoridades. Eles dizem que a plataforma não forneceu uma cópia do registro policial e recusou um pedido para procurar o Departamento de Polícia de Los Angeles depois que a produção apresentou sua própria denúncia.
Como a Netflix respondeu?
A Netflix contesta a responsabilidade pelos prejuízos e destaca que não possui os direitos de “Fortitude”. A empresa também questiona o envio de uma versão não criptografada do filme.
“A Netflix contesta qualquer alegação de que deva arcar com o risco da perda de um filme entregue sem as proteções adequadas adotadas pela indústria”, declarou a plataforma.
A companhia afirmou que abriu uma investigação interna imediatamente após o roubo e que continua monitorando eventuais vazamentos ou tentativas de comercialização ilegal do longa.
A Netflix também disse que deixou de compartilhar detalhes da investigação porque, em sua avaliação, os advogados dos produtores fizeram “tentativas hostis de extorquir dinheiro” em vez de colaborar com a apuração. A acusação é rejeitada pela ação apresentada por Afram.
Qual é a história de “Fortitude”?
Ambientado durante a 2ª Guerra Mundial, “Fortitude” acompanha agentes da inteligência britânica envolvidos em uma missão capaz de alterar os rumos do conflito.
Nicolas Cage lidera o elenco, que também reúne Matthew Goode, Michael Sheen e Ben Kingsley. A direção é de Simon West, responsável por “Lara Croft: Tomb Raider” e “Os Mercenários 2”. Ele já tinha dirigido Nicolas Cage no thriller clássico “Con-Air: Rota de Fuga” em 1997.
O projeto já havia provocado outra disputa judicial. Martin Scorsese esteve ligado ao desenvolvimento do filme, mas foi processado por Afram sob a alegação de que recebeu US$ 500 mil para colaborar com a produção sem cumprir o acordo. O caso terminou em um acerto entre as partes.