
Ilustração/Gemini
Manuel Arjona, integrante original do Locomía, morre aos 58 anos
Artista fez parte da formação que transformou leques, ombreiras e a cena de Ibiza em fenômeno pop internacional
Morte confirmada na Espanha
Manuel Arjona, integrante da primeira formação do grupo espanhol Locomía, morreu aos 58 anos. Segundo o jornal El País, fontes próximas ao artista confirmaram que ele morreu nesta quarta (1/7), em Viladecans, na região de Barcelona. A causa não foi divulgada.
O que aconteceu com Manuel Arjona?
De acordo com relatos de pessoas próximas ao artista, Arjona passou o dia pintando antes de ir dormir. As mesmas fontes disseram ao El País que ele “se deitou e não se levantou mais”.
Impacto da cena de Ibiza
Arjona vinha de uma família conservadora e encontrou em Ibiza um espaço de liberdade pessoal e artística. Em entrevista anterior ao El País, ele relembrou o impacto da mudança para a ilha, onde passou a integrar o projeto que daria origem ao Locomía.
“Pousei em Ibiza e me pareceu outro planeta. Eu vinha de uma cidade pequena, onde tinha que esconder minha identidade sexual. E na ilha, se você era um garoto e usava saia, ninguém te olhava. Foi uma mudança selvagem.”
Quem criou o Locomía?
O Locomía surgiu em 1984 a partir de uma ideia de Xavier Font. Ele era o criador visual e conceitual do grupo, responsável por transformar moda, performance e vida noturna em uma marca reconhecível.
A primeira formação reunia Xavier Font, seu irmão Luis Font, Manuel Arjona e o neerlandês Gard Passchier. Antes de virar grupo musical, o Locomía funcionava como uma trupe de performers ligada à noite de Ibiza, especialmente à boate Ku, uma das mais famosas da ilha nos anos 1980.
Foi nesse período que o grupo construiu sua imagem mais conhecida: roupas exageradas, ombreiras, sapatos pontudos e leques gigantes. Segundo o El País, Xavier Font criou o número dos leques depois de se inspirar em uma apresentação que viu em Sitges e ampliou o acessório para transformá-lo em marca cênica.
Como o grupo virou fenômeno musical?
O salto para a música veio quando José Luis Gil, produtor ligado à Hispavox, viu o potencial do grupo e propôs transformar a performance em uma banda pop. Até então, o Locomía era conhecido mais pela presença visual e pela dança do que pelo canto.
A formação musical que lançou o primeiro álbum incluiu Manuel Arjona, Xavier Font, Carlos Armas e Juan Antonio Fuentes. O disco “Taiyo”, de 1989, levou o grupo a uma fase de grande popularidade na Espanha e na América Latina, durante o auge da house music.
Entre os maiores sucessos estavam “Locomía”, “Taiyo” e “Rumba Samba Mambo”. As músicas misturavam pop, dance e referências latinas, mas o impacto do grupo vinha tanto do som quanto da imagem. O visual teatral, os leques e a coreografia ajudaram a transformar o Locomía em um fenômeno da virada dos anos 1980 para os 1990.
Quando acabou a fase clássica?
A fase mais conhecida do Locomía começou a se desfazer no início dos anos 1990, marcada por disputas internas, mudanças de integrantes e conflitos com representantes e gravadoras. Xavier Font deixou a formação ainda em 1990, e Arjona saiu em 1992, após viver o período de maior projeção do grupo.
Depois disso, houve uma segunda formação e várias tentativas de retomada com outros integrantes. O nome Locomía continuou aparecendo em relançamentos, turnês e projetos derivados, mas o impacto cultural ficou associado principalmente ao período de Ibiza e aos primeiros discos.
História voltou ao foco com filme e documentário
A trajetória do grupo voltou a ser revisitada nos últimos anos. Em 2022, a Movistar Plus+ lançou uma série documental sobre o Locomía, centrada na relação entre Xavier Font e o produtor José Luis Gil.
Em 2024, a história do grupo virou filme com “Disco, Ibiza, Locomía”, dirigido por Kike Maíllo. A produção dramatizava a origem do grupo em Ibiza, sua transformação em fenômeno musical e os conflitos que marcaram sua trajetória. No elenco, Jaime Lorente interpretava Xavi Font, enquanto Iván Pellicer viveu Manuel Arjona.
O filme teve estreia no Festival de Málaga em março e chegou à Netflix em setembro. A obra ajudou a apresentar o Locomía a uma nova geração, décadas depois do auge do grupo nas pistas e nos programas de TV.
Lembre os hits da formação original