
Instagram/Katy Perry
Katy Perry condena Casa Branca por usar “Firework” em vídeos de guerra
Cantora diz que não autorizou música em vídeo de bombardeios americanos
Rejeição ao uso militar da música
Katy Perry condenou neste sábado (25/7) o uso de “Firework” em um vídeo da Casa Branca com imagens de ataques militares dos Estados Unidos no Irã. A cantora afirmou que não autorizou a publicação e acusou o governo de Donald Trump de distorcer o sentido da música.
Que mensagem a cantora publicou?
“Estou profundamente chocada e furiosa ao ver “Firework” usada na conta @WhiteHouse do TikTok como trilha de imagens de ataques militares. Não aprovei isso, não fui consultada e não compactuo de forma alguma”, escreveu Katy nas redes sociais.
A cantora explicou que lançou a faixa com uma mensagem oposta à apresentada pelo governo americano.
“Escrevi esta música para ser um hino de esperança, cura e força interior para pessoas que atravessam seus momentos pessoais mais sombrios”, continuou. “Ver uma mensagem de autoestima e incentivo usada como arma para servir de trilha à destruição e à violência é uma violação completa de tudo o que minha música representa. Minha música existe para unir as pessoas, não para celebrar a guerra.”
O que aparece no vídeo?
A Casa Branca publicou o vídeo na quinta (23/7). As imagens de bombardeios foram sincronizadas com o trecho “boom, boom, boom” de “Firework”. “O Irã foi avisado”, diz a legenda da postagem.
O conteúdo surgiu durante uma nova escalada das ameaças de Trump contra o Irã. O presidente americano afirmou que poderia ampliar os ataques e atingir pontes e usinas de energia do país.
Como Trump respondeu sobre crimes de guerra?
Um repórter do New York Times questionou Trump na sexta (24/7) sobre a possibilidade de os ataques contra estruturas civis configurarem crimes de guerra.
“O senhor está falando em explodir usinas de energia e pontes civis. Grande parte do mundo civilizado consideraria isso um crime de guerra. O senhor considera?”, perguntou o jornalista.
“Não vou responder a essa pergunta”, respondeu Trump. Depois de perguntar para qual veículo o repórter trabalhava, o presidente acrescentou: “Era de se imaginar. O fracassado New York Times.”
Que outros artistas reclamaram?
Ariana Grande, Radiohead, Keisha, Sabrina Carpenter, Olivia Rodrigo, SZA e diversos outros artistas já se manifestaram contra o uso político de suas músicas pelo governo Trump, em contexto oposto ao originalmente concebido.
Ariana Grande criticou a Casa Branca em junho pelo uso de “Bye”, música lançada em 2024, num vídeo sobre prisões realizadas por agentes de imigração. A publicação promovia a política do governo Trump e o financiamento do ICE e da Patrulha da Fronteira.
“Por favor, nunca usem minha música em relação a essa bobagem bárbara, desumana e abominável”, escreveu Ariana nos comentários da postagem. O áudio foi retirado do vídeo após a reclamação.
Olívia Rodrigo foi ainda mais incisiva diante da utilização de “All-American Bitch” em outro vídeo da Casa Branca contra imigrantes. A cantora, que é filipino-americano, escreveu nos comentários da publicação: “Nunca usem minhas músicas para promover sua propaganda racista e odiosa”.
Após a resposta de Rodrigo viralizar, o Instagram removeu a trilha sonora do vídeo. Atualmente, uma mensagem de erro informa que “esta música não está disponível no momento”.
Sabrina Carpenter também reagiu com indignação ao uso de sua música “Juno” em um vídeo que exibia cenas de prisões de imigrantes realizadas pela ICE nos Estados Unidos, utilizando a letra “Have you ever tried this one?” (“Você já tentou essa?”) e a legenda “Bye-bye”. A cantora não hesitou em se posicionar contra a apropriação de sua obra: “Esse vídeo é perverso e repugnante. Nunca me envolva, nem à minha música, para beneficiar sua agenda desumana”.