
Ilustração/Gemini
Justiça dos EUA suspende fusão de Paramount e Warner
Ação de 12 Estados aponta risco à concorrência no negócio avaliado em US$ 110 bilhões
Negócio fica suspenso
A Justiça dos Estados Unidos suspendeu temporariamente a fusão entre a Paramount Skydance e a Warner Bros. Discovery nesta segunda-feira (20/7). A juíza federal Araceli Martínez-Olguín proibiu a conclusão do negócio por 14 dias, enquanto analisa uma ação antitruste apresentada por 12 Estados.
O que acontece agora?
A juíza responsável pelo caso considerou que os Estados apresentaram indícios suficientes de uma possível violação das leis antitruste. A transação, avaliada em aproximadamente US$ 110 bilhões, ficará paralisada ao menos até 3 de agosto.
Na data, o tribunal realizará uma audiência para decidir se concede uma liminar capaz de impedir a conclusão da fusão durante todo o processo judicial.
Por que os Estados contestam a fusão?
A ação é liderada pela Califórnia e sustenta que a união das duas companhias concentraria poder excessivo nos mercados de distribuição cinematográfica e canais de televisão por assinatura.
Os procuradores-gerais dos estados alegam que o novo conglomerado poderia aumentar preços, reduzir a variedade de produções e enfraquecer as condições de negociação de cinemas, distribuidores e profissionais do audiovisual.
Segundo a acusação, Paramount e Warner passariam a controlar juntas cerca de 27% do mercado norte-americano de distribuição de filmes com lançamento amplo.
Qual o medo dos estados?
Os Estados argumentaram que a conclusão imediata da operação poderia provocar efeitos difíceis de reverter caso a fusão fosse posteriormente considerada ilegal.
Entre os riscos citados estão demissões, reorganizações internas e o compartilhamento de informações comerciais estratégicas entre as empresas.
A suspensão preserva as duas estruturas separadas enquanto o tribunal avalia o pedido de uma liminar mais longa.
Como a Paramount se defende?
A Paramount afirma que a ação estadual interpreta de maneira equivocada as normas antitruste. A companhia argumenta que a fusão é necessária para enfrentar empresas de tecnologia e streaming como Netflix, Amazon e Apple.
O grupo também sustenta que um atraso prolongado prejudicaria empregados, produtores e demais profissionais de uma indústria que atravessa um período de retração.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos já havia autorizado a transação, mas a aprovação federal não impede que governos estaduais contestem o negócio nos tribunais.
Atraso pode aumentar o custo da operação
O acordo prevê que a Paramount passe a pagar aos acionistas da Warner uma taxa diária caso a transação não seja concluída até 30 de setembro.
A penalidade é estimada em aproximadamente US$ 7 milhões por dia, o que amplia a pressão para que o negócio seja encerrado ainda no terceiro trimestre.
Que aconteceu no Brasil?
A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou a operação sem restrições no Brasil.
O órgão concluiu que a união das companhias não representa risco significativo à concorrência nos mercados brasileiros de cinema, televisão e streaming. A decisão ainda está sujeita ao prazo legal para eventuais recursos.
Quais marcas ficarão reunidas?
Caso seja concluída, a fusão colocará sob o mesmo controle estúdios, canais e plataformas como Warner Bros., Paramount Pictures, HBO, HBO Max, CNN, CBS, Paramount+, Nickelodeon, Cartoon Network e DC.
O catálogo também reunirá franquias como “Harry Potter”, “Game of Thrones”, “Star Trek”, “Missão: Impossível” e os super-heróis da DC.
Os acionistas da Warner Bros. Discovery aprovaram a transação em abril, mas a conclusão depende das autorizações regulatórias restantes e do desfecho das contestações judiciais.