
Divulgação/Disney
“Toy Story 5” empolga críticos ao colocar brinquedos contra tablet
Nova animação da Pixar, que estreia no Brasil nesta quinta, reacende debate sobre excesso de telas para crianças
Primeiras críticas
“Toy Story 5” estreia no Brasil nesta quinta (18/6) cercado por críticas majoritariamente positivas. A nova animação da Pixar, distribuída pela Disney, coloca Woody, Buzz Lightyear, Jessie e os outros brinquedos diante de uma ameaça real da vida moderna: a atenção que as crianças passaram a dar para as telas.
O que dizem os críticos?
A Variety recebeu o filme com entusiasmo e chamou a sequência de “ágil, emocionante e irresistível”. Owen Gleiberman chegou a comparar a franquia aos Beatles para descrever o 5º longa como uma espécie de “Abbey Road” da série, por sintetizar o legado dos filmes anteriores.
A IndieWire também elogiou a continuação e apontou “Toy Story 5” como o melhor capítulo da franquia desde o fim dos anos 1990. Para David Ehrlich, o principal acerto do filme é tratar a tecnologia como uma ameaça direta à própria ideia de brincar.
Tablet vira conflito central
O novo filme reacende discussões sobre excesso de telas ao transformar Lilypad em rival dos brinquedos. A personagem representa a mudança nos hábitos infantis e a disputa pela atenção das crianças em uma rotina cada vez mais mediada por dispositivos.
O Hollywood Reporter destacou o charme da animação e o foco afetivo em uma criança deslocada em relação aos colegas. A crítica também aponta que a sequência faz jus ao legado da ideia original de Andrew Stanton, um dos diretores do novo longa, também responsável pelo visionário “Wall-E”.
Nem todos se convenceram
O filme atingiu 93% de aprovação no Rotten Tomatoes, que calcula a média das notas das críticas, e só não se deu melhor porque alguns críticos enxergaram comprometimento na trama, que tenta suavizar o impacto da tecnologia na vida das crianças – afinal, a Disney faz parte dessa invasão do cotidiano infantil.
O Guardian foi uma das vozes dissonantes e deu só duas estrelas para a produção. O jornalista Peter Bradshaw viu sinais de desgaste criativo na franquia e criticou a forma como Lilypad é desenvolvida ao longo da história.
Para o crítico britânico, o antagonismo da nova personagem é minimizado pelo roteiro. “Acaba se mostrando capaz de um heroísmo sentimental e altruísta quando o assunto é a saúde mental das crianças”, escreve Bradshaw. “Sério? Pelo menos Lotso, o urso vilão de ‘Toy Story 3’, tinha a coragem de sustentar suas convicções malignas”.