
Divulgação/Go Up Entertainment
PF quer investigar fundo que financiou filme sobre Bolsonaro
Investigação suspeita que recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro bancaram Eduardo Bolsonaro e tentativa de coação
Polícia Federal investiga filme
A Polícia Federal pretende solicitar às autoridades dos Estados Unidos a quebra do sigilo bancário do fundo que recebeu repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O dinheiro teria como justificativa oficial o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Qual é a suspeita?
A principal suspeita dos investigadores é de que os valores foram utilizados para bancar as despesas pessoais do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos EUA, onde ele reside desde fevereiro de 202. A PF também apura se o montante financiou uma suposta tentativa de coação de autoridades brasileiras por meio da gestão de Donald Trump.
Fundo no Texas e elo com Eduardo Bolsonaro
Os recursos financeiros são originários da Entre Investimentos e Participações, empresa ligada ao proprietário do Banco Master, e teriam sido direcionados ao Havengate Development Fund, sediado no Texas. O fundo, criado em dezembro de 2020, teria recebido parte de um total de R$ 61 milhões destinados ao patrocínio da obra.
A instituição é administrada por Paulo Calixto, advogado próximo a Eduardo Bolsonaro. Nas redes sociais, o escritório de advocacia exibe registros dos dois juntos em 2023. Calixto se apresenta como especialista em imigração com mais de 20 anos de experiência e passagens pelo serviço de cidadania americano e pelo Departamento de Estado. Para obter o sigilo, a PF depende de cooperação internacional e de autorização da Justiça americana.
Uso da Interpol e caminhos do inquérito
A corporação planeja acionar a Difusão Prata da Interpol para identificar, localizar e reter o patrimônio dos investigados ligados ao Master. O mecanismo difere da Difusão Vermelha, que foca na captura de foragidos. O Brasil faz parte do grupo de 53 nações que adotam a ferramenta.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, confirmou em entrevista à GloboNews que a área técnica defende a abertura de um inquérito específico para o caso. A representação já foi enviada para análise da Procuradoria-Geral da República, que deve se manifestar sobre o foro e a relatoria.
Existem três cenários possíveis no Supremo Tribunal Federal para o andamento das investigações. O primeiro caminho é o caso ser agregado ao processo do Master, que está sob a relatoria do ministro André Mendonça. A segunda possibilidade é ficar com o ministro Alexandre de Moraes, que já conduz a investigação sobre as ações de Eduardo Bolsonaro nos EUA. Por fim, o terceiro cenário envolve a distribuição livre por sorteio entre os demais ministros da corte.
Acusações e defesa dos citados
O pedido de quebra de sigilo será formalizado assim que o STF autorizar a abertura do novo inquérito. A meta é descobrir se a verba custeou a estadia de Eduardo Bolsonaro em solo americano. O ex-parlamentar se mudou alegando perseguição de Alexandre de Moraes e reclamando do bloqueio de suas contas e das de sua esposa. Ele já é réu no STF por crime de coação em processo relatado por Moraes.
Quando o financiamento de “Dark Horse” foi revelado pelo site Intercept Brasil, o senador Flávio Bolsonaro negou as suspeitas em nota, classificando como falsa a insinuação de que os recursos foram para seu irmão. Segundo ele, os aportes foram encaminhados diretamente à estrutura jurídica da produção, fiscalizada nos EUA. O administrador do fundo Paulo Calixto não tem se manifestado sobre o caso.
Aberto para posicionamentos
Os bastidores do filme “Dark Horse” têm gerado repercussão nas últimas semanas. O tema está em constante atualização e o espaço segue em aberto para posicionamentos, declarações e reparos das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.