
Ilustração/Gemini
Justiça dos EUA libera fusão bilionária entre Paramount e Warner
Departamento de Justiça aprovou acordo de US$ 111 bilhões, mas estados americanos ainda preparam ação contra a compra
Aprovação remove obstáculo regulatório
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos aprovou a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance por US$ 111 bilhões. A decisão retira um dos principais obstáculos regulatórios da fusão, que deve redesenhar o mercado de Hollywood caso seja concluída.
O que o governo americano decidiu?
A Divisão Antitruste do Departamento de Justiça afirmou que a aquisição deve “aumentar a competição em todo o ecossistema de mídia e entretenimento”. O órgão concluiu que a fusão não deve prejudicar os mercados de streaming, TV linear nem o desenvolvimento, a produção ou a distribuição de filmes para o cinema.
A aprovação abre caminho para a Paramount se tornar a maior distribuidora cinematográfica do país e controlar a HBO Max, uma das maiores plataformas de streaming em número de assinantes. O acordo, porém, ainda pode ser contestado por outras instâncias regulatórias ou judiciais.
Paramount vê acordo como resposta às big techs
A Paramount defendeu a fusão como uma forma de disputar espaço com empresas de tecnologia que avançaram no entretenimento, como Netflix, Amazon e Apple. A companhia argumenta que a união criará uma estrutura mais forte para competir por público, talento, tecnologia e investimento.
“Somos gratos pela análise minuciosa do Departamento de Justiça sobre esta transação, assim como pelo trabalho das outras agências que concluíram suas revisões e concederam aprovação até agora”, afirmou um porta-voz da Paramount. “Este acordo é pró-competitivo, resultando em uma empresa mais forte e mais bem posicionada para competir contra plataformas de tecnologia dominantes em uma indústria cada vez mais definida por intensa competição por público, talento, tecnologia e investimento.”
O sinal verde do Departamento de Justiça não parece exigir venda de ativos, mudanças de comportamento ou concessões adicionais por parte das empresas.
Estados ainda tentam barrar negócio
A fusão ainda enfrenta resistência. Procuradores-gerais estaduais, a FCC, a União Europeia e consumidores que já entraram com uma ação para bloquear a aquisição estão entre os focos de pressão sobre o acordo.
Uma coalizão de estados liderada pela Califórnia prepara uma ação para tentar barrar a fusão, segundo uma fonte familiarizada com o caso citada pelo The Hollywood Reporter. Nova York, Colorado, Oregon, Nevada, Washington, Connecticut e Tennessee estão entre os estados em conversas para aderir ao processo, que deve ser apresentado dentro de um mês.
Elizabeth Warren critica decisão
A senadora Elizabeth Warren criticou a aprovação em uma publicação no X e pediu que os procuradores-gerais estaduais sigam com a contestação.
“Esta é uma notícia terrível para todo americano que não quer bilionários alinhados a Trump controlando o que eles assistem e quanto pagam”, escreveu Warren. “O acordo Paramount-Warner Bros. cheira a corrupção e tráfico de influência. Esta luta não acabou.”
Que países já aprovaram a fusão?
O chefe jurídico da Paramount, Makan Delrahim, afirmou que reguladores da Arábia Saudita, Ucrânia, Sérvia e Macedônia do Norte concluíram que o acordo não viola leis antitruste. Autoridades de investimento estrangeiro na Alemanha, Itália, França, Romênia, Eslovênia, Bélgica, Tchéquia e Nova Zelândia também liberaram a fusão.
“Continuamos focados em concluir a transação o mais rápido possível e entregar seus benefícios aos consumidores, criadores e à indústria do entretenimento como um todo”, afirmou a Paramount.