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Divulgação/Warner Bros.

Filme|25 de junho de 2026

Guia da Pipoca: “Supergirl” é o principal lançamento de cinema

Filme do DCU marca a volta dos super-heróis ao circuito cinematográfico

Os super-heróis retornam ao cinema com “Supergirl”, segundo longa do DCU (universo cinematográfico da DC, na sigla em inglês), inaugurado com “Superman” no ano passado. O filme da heroína é o único lançamento amplo desta quinta (25/6), já que os cinemas seguem animados com o desempenho de “Toy Story 5” e se preparam para o vindouro “Minions e Monstros”. Os títulos que completam a programação são dramas do circuito “de arte” exibidos em grandes festivais, como Cannes e Veneza, à exceção do terror mediano “Segredo Obscuro”.


 
Pipoque pelo Texto ocultar
1 🎞️ SUPERGIRL
2 🎞️ SEGREDO OBSCURO
3 🎞️ UMA INFÂNCIA ALEMÃ
4 🎞️ UM TRISTE E BELO MUNDO
5 🎞️ O SOL NASCE PARA TODOS
6 🎞️ APENAS COISAS BOAS

🎞️ SUPERGIRL

▶ Assista ao trailer

 

A nova fase da DC no cinema apresenta Kara Zor-El como uma heroína formada por uma origem mais amarga que a de Superman. Milly Alcock (“A Casa do Dragão”) vive a prima de Kal-El, criada entre os destroços de Krypton e marcada por perdas que a tornaram mais cínica, impulsiva e resistente ao papel típico de salvadora. A trama adapta a base de “Supergirl: Mulher do Amanhã”, quadrinhos de Tom King e Bilquis Evely, para acompanhar Kara em sua busca por diversão espacial, interrompida quando Ruthye Marye Knoll, vivida por Eve Ridley, cruza seu caminho com apelo por justiça pelo assassinato da família.

A missão se torna pessoal quando Krem das Colinas Amarelas, personagem de Matthias Schoenaerts (“The Old Guard”), envenena Krypto, o supercão e melhor amigo da heroína. A vingança cria o conflito central: uma heroína quase invulnerável, mas sem paciência para a pureza moral esperada de um símbolo. Para completar, Jason Momoa (“Aquaman”) aparece como Lobo, caçador de recompensas intergaláctico que desloca o filme para um território mais violento, sarcástico e espacial que o de “Superman”.

Milly Alcock impressiona como centro emocional, enquanto Momoa serve humor e caos na trama, que se equilibra entre aventura cósmica, brutalidade e drama de formação. Nas entrelinhas, ainda há uma forte crítica social embutida na luta tradicional entre heroína e vilão, que comanda uma rede de tráfico de mulheres. O resultado reposiciona Supergirl, distanciando-a de uma versão feminina de Superman para apresentá-la como personagem de apelo próprio, com direito a sua própria jornada no DCU (universo cinematográfico da DC, na sigla em inglês).

O novo longa chega na esteira do sucesso de “Superman”, dirigido por James Gunn, que arrecadou US$ 618 milhões nas bilheterias mundiais. Mais sombrio e com referências a “Mad Max”, “Supergirl” tem direção de Craig Gillespie (“Cruella”) e roteiro assinado pela estreante Ana Nogueira (atriz de “The Vampire Diaries”). A história impressionou tanto Gunn, presidente do DC Studios, que a roteirista assumiu vários projetos do estúdio, incluindo os vindouros filmes dos Titãs e da Mulher-Maravilha.


 

🎞️ SEGREDO OBSCURO

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O diretor Max Minghella (“Teen Spirit”) dirige um terror corporal com ecos temáticos de “A Substância” (2024), sobre a obsessão de Hollywood por juventude, beleza e reinvenção estética. O filme é estrelado por Elisabeth Moss, com quem Minghella contracenou como ator em “The Handmaid’s Tale”. Ela tem o papel de Samantha Lake, atriz em decadência que vê a carreira encolher diante de um mercado que a troca por rostos mais jovens.

A pressão profissional a empurra para o universo de Zoe Shannon, CEO de uma empresa de bem-estar interpretada por Kate Hudson (“Como Perder um Homem em 10 Dias”), que vende transformação física como promessa de retorno ao centro da indústria. A empresa parece oferecer uma saída para a insegurança e a perda de espaço, mas o glamour da clínica esconde desaparecimentos, procedimentos experimentais e uma lógica de consumo do corpo feminino como produto descartável. O interesse está no modo como o filme transforma uma promessa de autocuidado em conspiração corporativa.

O roteiro de Jack Stanley (“Carona Aterrorizante”) mistura sátira da indústria de beleza, comédia sombria e body horror, explorando o filão de filmes sobre juventude artificial. O elenco também destaca Kaia Gerber (“Bottoms”) como a estrela mais jovem cuja presença acentua o medo de substituição que atravessa a protagonista.

Exibido no Festival de Toronto, “Segredo Obscuro” teve recepção dividida: parte da crítica destacou a energia camp de Hudson e o potencial da premissa, mas o filme sofre com a inevitável comparação desfavorável com “A Substância”.


 

🎞️ UMA INFÂNCIA ALEMÃ

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O premiado cineasta alemão Fatih Akin (“Soul Kitchen”) foca o trauma histórico do país em um drama de formação ambientado na ilha de Amrum, no Mar do Norte, nos últimos dias da 2ª Guerra Mundial. Jasper Billerbeck estreia como Nanning, garoto de 12 anos ligado à Juventude Hitlerista que ainda espera a volta do pai militar enquanto trabalha na fazenda, pesca à noite e enfrenta o mar para ajudar a mãe a alimentar a família. A guerra parece distante da paisagem isolada, mas chega pela notícia da derrota nazista e pela deterioração emocional de Hille, mãe do menino vivida por Laura Tonke (“Toni Erdmann”).

A missão de Nanning para conseguir pão branco, manteiga e mel, luxos quase impossíveis naquele momento de escassez, transforma uma demanda doméstica em travessia moral. O garoto começa a perceber que a ideologia recebida em casa não corresponde ao que os vizinhos silenciam, temem ou rejeitam. Diane Kruger, premiada como Melhor Atriz no Festival de Cannes por “Em Pedaços” (2017), longa anterior de Akin, volta a trabalhar com o diretor no papel de Tessa, fazendeira antifascista que expõe ao menino outra leitura do país em ruínas, enquanto Matthias Schweighöfer (“Army of the Dead”) aparece no núcleo familiar ligado às revelações sobre o passado.

O roteiro foi escrito por Akin e o veterano Hark Bohm, que também já tinham trabalhado juntos em “Aos Pedaços”, a partir das memórias de infância de Bohm na ilha. Exibido em Cannes, “Uma Infância Alemã” foi recebido como uma obra mais clássica e contida dentro da filmografia de Akin, com atenção ao choque entre beleza natural e colapso moral. A força do filme está em observar o fim do nazismo sem a distância confortável dos vencedores: a queda do regime é vista pelos olhos de uma criança que ainda não entende a própria participação em uma herança de culpa.


 

🎞️ UM TRISTE E BELO MUNDO

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O romance libanês acompanha três décadas de amor, perdas e deslocamento em Beirute. Mounia Akl (“Costa Brava, Líbano”) vive Yasmina, pragmática e marcada pelo impulso de partir, enquanto Hasan Akil interpreta Nino, figura mais idealista e ligada à permanência. Os dois se conhecem ainda jovens, se afastam, se reencontram e passam a medir o relacionamento pela pergunta que atravessa várias gerações no Líbano: construir uma vida no país ou buscar futuro fora dele.

A relação de Nino e Yasmina não se separa das crises ao redor. Guerras, colapsos econômicos, instabilidade política e rupturas familiares atravessam o casal sem transformar o filme em painel didático. O drama se concentra na intimidade de duas pessoas que tentam decidir se amor, família e esperança bastam quando a realidade insiste em empurrá-las para a fuga. Julia Kassar (“Caramelo”) e Camille Salameh (“O Insulto”) completam o elenco em uma narrativa que alterna humor, desencanto e melodrama sem apagar a dimensão política da vida cotidiana.

O drama marca a estreia do diretor Cyril Aris na ficção, após dirigir o premiado documentário “Dancing on the Edge of a Volcano” (2023). Ele também assina o roteiro, que parte de uma perspectiva pessoal sobre crescer em um país tratado como crise permanente. O filme venceu o prêmio do público na Jornada dos Autores do Festival de Veneza e foi escolhido pelo Líbano para disputar uma vaga no Oscar de filme internacional.


 

🎞️ O SOL NASCE PARA TODOS

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O novo drama do cineasta chinês Cai Shangjun (“People Mountain People Sea”) acompanha um casal que nunca conseguiu superar o crime que o separou. Xin Zhilei (“Blossoms Shanghai”) vive Meiyun, dona de uma loja de roupas em Guangzhou, grávida de Qifeng, homem casado interpretado por Feng Shaofeng (“Wolf Totem”). A rotina dela muda quando Baoshu, ex-amante vivido por Zhang Songwen (“The Knockout”), reaparece depois de cumprir sete anos de prisão por um crime cometido por ela.

O reencontro não traz alívio para nenhum dos dois. Baoshu saiu da cadeia esperando algum reconhecimento pelo sacrifício, mas encontra Meiyun em outra vida, ligada a outro homem e ainda incapaz de lidar com o que ele assumiu em seu lugar. A antiga relação passa a funcionar como cobrança permanente: ele quer sentido para os anos perdidos, enquanto ela tenta manter de pé uma vida construída sobre uma culpa que não desapareceu.

O roteiro evita transformar a história em romance de reconciliação. A câmera de Kim Hyun-seok, colaborador de Lee Chang-dong em “Poesia”, filma discussões longas, deslocamentos pela cidade e encontros em que cada frase parece chegar tarde demais. Exibido na competição principal de Veneza, o filme rendeu a Xin Zhilei a Copa Volpi de Melhor Atriz.


 

🎞️ APENAS COISAS BOAS

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O cineasta Daniel Nolasco (“Vento Seco”) volta a Catalão, sua cidade natal no interior de Goiás, para contar um romance rural entre dois homens, passado em 1984. Lucas Drummond vive Antonio, pequeno fazendeiro da Batalha dos Neves, área cortada pelo rio São Marcos, onde poucas casas se espalham entre pastos e lavouras. Sua vida isolada e silenciosa, moldada pela solidão do campo, muda quando Marcelo, motoqueiro interpretado por Liev Carlos, sofre um acidente na estrada. Acolhido e levado para a fazenda, o forasteiro passa a se recuperar sob seus cuidados.

A aproximação começa pelo gesto prático de tratar ferimentos, mas ganha outro peso conforme o forasteiro permanece na casa. Nolasco desloca o imaginário do caubói e do motoqueiro para um campo de tensão afetiva, que muda de registro na passagem para a segunda parte, ambientada 40 anos depois, quando Antonio é interpretado por Fernando Libonati (“Do Começo ao Fim”). A virada vai além da mudança de elenco, com a saída do interior em direção a Goiânia. a.

O filme estreou no Festival de Guadalajara, passou pelo Frameline, em São Francisco, e recebeu três prêmios no Olhar de Cinema: Melhor Roteiro, Som e Direção de Arte.

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