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Divulgação/Go Up Entertainment

Filme|13 de junho de 2026

Filme sobre Bolsonaro declara custos oficiais de R$ 75 milhões

"Dark Horse" confirmou ser o filme mais caro já feito no Brasil em processo que investiga contrato da produtora do filme


Pipoque pelo Texto ocultar
1 Perícia aponta orçamento recorde
2 Filme mais caro já feito no Brasil
3 Processo investiga contrato em São Paulo
4 Áudio citou parcelas atrasadas
5 Como os valores foram divididos?
6 PF mira destino do dinheiro
7 Aberto para posicionamentos

Perícia aponta orçamento recorde

A Go Up Entertainment declarou ter gasto R$ 75 milhões na produção de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O valor consta em perícia anexada a um processo que investiga suspeita de desvio de recursos da Prefeitura de São Paulo pelo Instituto Conhecer Brasil, entidade ligada à mesma empresária responsável pela produção do longa. A informação foi revelada pelo portal Metrópoles na sexta-feira (12/6).

Filme mais caro já feito no Brasil

A produtora informou despesas de US$ 9,6 milhões nos Estados Unidos, o equivalente a R$ 54,2 milhões, além de R$ 20,9 milhões no Brasil. A soma chega a R$ 75 milhões. Como comparação, “O Agente Secreto”, filme brasileiro que concorreu ao Oscar, teve custo total estimado em R$ 28 milhões.

Nem a cinebiografia de Edir Macedo, que teve filmagens em Israel e na África do Sul, teve custo tão elevado. Em termos de comparação, “Nada a Perder” e “Nada a Perder 2”, cinebiografias do fundador da Igreja Universal, que até recentemente detinham o título de produções mais caras do cinema brasileiro, tiveram orçamento combinado de cerca de R$ 40 milhões, segundo os números divulgados pela imprensa entre 2018 e 2019. Era uma superprodução, que além de incluir filmagens em três países distantes entre si, reuniu dezenas de milhares de figurantes, envolveu recriação de época e sua história foi tão longa que precisou ser lançada em duas partes.

Feito principalmente no Brasil, “Dark Horse” contou com diretor e alguns atores americanos, incluindo Jim Caviezel no papel de Jair Bolsonaro. O roteiro foi feito por Cyrus Nowrasteh e Mark Nowrasteh, cineastas americanos que trabalharam com o deputado federal Mario Frias (PL-SP), produtor executivo do filme.

Processo investiga contrato em São Paulo

Os gastos declarados aparecem em perícia apresentada pela Go Up em um processo que apura se recursos de um contrato de R$ 108 milhões do Instituto Conhecer Brasil com a Prefeitura de São Paulo teriam sido desviados para financiar o filme. A empresária Karina Ferreira da Gama é responsável pela produtora e pelo instituto.

Segundo a declaração de gastos, o orçamento inicial aprovado para “Dark Horse” era de US$ 16 milhões, cerca de R$ 89,7 milhões. O valor é menor que a quantia que teria sido negociada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com Daniel Vorcaro, do Banco Master, em 2025, conforme revelou o site The Intercept Brasil.

Áudio citou parcelas atrasadas

A reportagem do The Intercept Brasil citou diálogos de Vorcaro com o cunhado, Fabiano Zettel, e com o empresário Thiago Miranda sobre possíveis fluxos de pagamento para a produção. Um dos modelos previa 12 parcelas de US$ 1,6 milhão e duas de US$ 2 milhões, totalizando US$ 24 milhões, ou R$ 134 milhões.

Flávio Bolsonaro também enviou um áudio a Vorcaro em que demonstrava preocupação com atrasos no financiamento ao filme. A conversa ocorreu em 16 de novembro, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez na Operação Compliance Zero, investigação sobre fraude bilionária atribuída ao Banco Master no mercado financeiro, envolvendo dinheiro público de vários estados e municípios governados por políticos do PL e do Centrão. O PL é o mesmo partido de Frias e Bolsonaro.

“Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. Tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso, e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou para o filme, né?”, disse o senador no áudio a Vorcaro. “Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos do cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim”, completou.

Como os valores foram divididos?

Flávio Bolsonaro reconheceu a veracidade do áudio divulgado, mas afirmou que os pagamentos feitos por Vorcaro foram legais por não envolverem contrapartida. O valor efetivamente pago ao filme pelo ex-banqueiro, por meio da empresa Entrepay, foi de US$ 10,6 milhões, equivalente a R$ 61 milhões, antes dele ser preso.

No relatório de gastos apresentado pela Go Up, o desenvolvimento do projeto nos Estados Unidos aparece com custo de US$ 383 mil. A produtora também listou US$ 2,6 milhões em “soft-production”, US$ 2,6 milhões em pré-produção nos Estados Unidos, US$ 1,9 milhão em produção e filmagem nos Estados Unidos, US$ 3,7 milhões em produção e filmagem no Brasil e US$ 1,9 milhão em pós-produção nos Estados Unidos.

Segundo a perícia, até 10 de junho, o fundo Heavengate Development Fund LP, usado para captação de recursos, havia enviado US$ 13,3 milhões para o filme. No Brasil, os valores destinados à produção foram recebidos por uma conta no Banco do Brasil. A maior parte, R$ 18,4 milhões, entrou por transferências via Pix.

“Quanto à origem dos recursos financeiros, a perícia constatou que os ingressos vinculados ao projeto possuem origem privada, comprovada por contratos de investimento, extratos bancários, documentos de remessa e demais registros financeiros disponibilizados para análise”, afirma a perícia realizada pelo Instituto de Perícia Investigativa.

PF mira destino do dinheiro

Após a revelação de que Daniel Vorcaro enviou dinheiro para “Dark Horse” por meio do fundo Heavengate Development, a Polícia Federal passou a investigar se parte dos recursos foi usada para financiar a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

O fundo tem como agente legal o escritório Law Offices of Paulo Calixto PLLC, pertencente ao advogado Paulo Calixto, que representa Eduardo. O ex-deputado vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025 e é acusado pela Procuradoria-Geral da República de articular sanções contra autoridades brasileiras. O dinheiro de Vorcaro teria começado a entrar na véspera de sua mudança.

A reportagem do Metrópoles entrou em contato com a produtora, mas não obteve retorno até a publicação.

Aberto para posicionamentos

Os bastidores do filme “Dark Horse” têm gerado repercussão nas últimas semanas. O tema está em constante atualização e o espaço segue em aberto para posicionamentos, declarações e reparos das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.

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