
Divulgação/Starz
“Spartacus: House of Ashur” é cancelada após apenas uma temporada
Produzido pela Lionsgate Television, o spin-off estrelado por Nick E. Taraby está sendo oferecido para outras plataformas de streaming
Fim dos gladiadores
O retorno do roteirista Steven S. Knight ao universo dos gladiadores foi curto. O canal pago americano Starz decretou o cancelamento de “Spartacus: House of Ashur” após a exibição de sua temporada de estreia. A Lionsgate Television, estúdio responsável pela produção do drama histórico, já começou a oferecer o projeto para outras plataformas de streaming e canais de televisão. No Brasil, a série foi exibida pela MGM+.
Qual foi o motivo do cancelamento?
A nova produção não conseguiu repetir o forte impacto cultural e os altos índices de audiência alcançados pela franquia original, iniciada em 2010. Além disso, houve uma grande reestruturação corporativa nos bastidores. Após a separação comercial entre o canal Starz e o estúdio Lionsgate, a marca “Spartacus” deixou de ser uma propriedade da emissora. Para garantir estabilidade financeira, o canal passou a priorizar apenas séries cujos direitos econômicos pertençam totalmente à empresa.
Para complicar ainda mais, o canal que ficou conhecido por séries masculinas como a franquia “Power”, “Pennyworth” e a própria “Spartacus” decidiu que queria ser um canal para mulheres e minorias. Assim, o perfil do público que acompanhou os episódios de “House of Ashur” não se alinhou com a atual estratégia comercial do Starz.
Qual era a história da série?
“House of Ashur” retomava a franquia “Spartacus” através de uma linha do tempo alternativa, que reimaginava a história principal com um desfecho diferente. A premissa parte da sobrevivência de Ashur, o escravo sírio traiçoeiro e manipulador que morreu durante a revolta de Spartacus. Interpretado novamente por Nick E. Tarabay, o vilão é recompensado por sua traição e ascende ao posto de Dominus (dono) de seu próprio ludus (escola de gladiadores), construindo cada vez mais poder com sua ambição implacável,
A combinação de história romana, erotismo explícito e violência gráfica também trouxe de volta Lucy Lawless (a eterna “Xena”), que interpretou Lucretia na série original, numa participação especial que serve como gatilho para toda a narrativa alternativa, e também contou com Graham McTavish (“Outlander”) como Korris, o brutal treinador de gladiadores, Claudia Black (“Stargate SG-1”) como a aristocrata Cossutia, Ivana Baquero (“As Crônicas de Shannara”) como Messia, Jackson Gallagher (“Playing for Keeps”) como César e Jaime Slater (“Círculo de Fogo: A Revolta”) como sua esposa Cornélia, que se entrelaçam nas intrigas políticas da Roma decadente.
A produção mantinha a receita visual da série original: câmera lenta estilizada nos combates sangrentos, nudez frequente e diálogos carregados de duplo sentido, tudo temperado com a estética de graphic novel violenta que marcou “Spartacus: Blood and Sand” (2010-2013).
Representatividade na arena
“Spartacus: House of Ashur” também seguiu os passos de sua predecessora e investiu em um elenco diverso, trazendo tramas de destaque para mulheres e personagens de origens variadas.
Entre os pontos altos do roteiro estavam a trajetória da gladiadora negra Achillia, interpretada pela atriz Tenika Davis (“O Legado de Júpiter”), primeira gladiadora feminina da franquia, além de múltiplos arcos dramáticos focados em personagens da comunidade LGBTQIA+. Mesmo com esses elementos de diversidade, a produção não alcançou as metas internas estabelecidas pela empresa de mídia.