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Divulgação/Go Up Entertainment

Filme|28 de maio de 2026

Polícia mira produtora de “Dark Horse”

Investigação envolve pedidos de dados financeiros sigilosos de Karina Ferreira da Gama e de instituto contratado pela Prefeitura de São Paulo

Pipoque pelo Texto ocultar
1 Apuração mira contrato municipal
2 Qual é a diferença entre as investigações?
3 O que a Polícia Civil pediu?
4 Contrato de R$ 108 milhões é o foco do caso
5 Karina já negou ligação entre contrato e filme
6 Polícia suspeita de confusão patrimonial
7 Por que o Coaf entrou no pedido?
8 Como “Dark Horse” entra no caso?
9 Dados solicitados começam em junho de 2024
10 Aberto para posicionamentos

Apuração mira contrato municipal

A Polícia Civil de São Paulo pediu à Justiça acesso a relatórios financeiros sigilosos de Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, responsável por “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, e presidente do Instituto Conhecer Brasil. A medida foi solicitada em uma investigação sobre um contrato de R$ 108 milhões firmado pelo instituto com a Prefeitura de São Paulo para fornecimento de wi-fi na gestão de Ricardo Nunes (MDB).

Qual é a diferença entre as investigações?

Esta apuração não é a mesma que envolve Daniel Vorcaro, Banco Master, Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e o financiamento de “Dark Horse”, sob alçada da Polícia Federal. O pedido da Polícia Civil tramita na Justiça de São Paulo e se concentra no contrato municipal do Instituto Conhecer Brasil com a Prefeitura. Já a frente federal, ligada ao Banco Master, está relacionada aos repasses atribuídos a Vorcaro para o filme e ao destino desses recursos.

A distinção é central porque as duas investigações tocam personagens e estruturas ligadas ao longa, mas partem de fatos diferentes. No caso paulista, a polícia busca rastrear dinheiro público do programa “WiFi Livre SP”. Na apuração federal, a suspeita envolve valores privados atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro e possíveis usos desses recursos fora da produção cinematográfica.

O que a Polícia Civil pediu?

O delegado Antonio Carlos Manuera Silveira solicitou à Justiça autorização para obter, por meio de intercâmbio judicial, relatórios de inteligência financeira produzidos pelo Coaf sobre Karina Ferreira da Gama e o Instituto Conhecer Brasil. O pedido mira registros de “movimentações atípicas e comunicações de operações suspeitas” vinculados ao CPF da empresária e ao CNPJ da entidade.

No mesmo ofício, o delegado também pediu que esse trecho da investigação fique sob sigilo. A solicitação está em análise na Vara Regional de Garantias do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Contrato de R$ 108 milhões é o foco do caso

A investigação da Polícia Civil apura suspeitas de superfaturamento e desvio de recursos públicos no contrato firmado pelo Instituto Conhecer Brasil para fornecer pontos de internet à Prefeitura de São Paulo. O acordo, no valor de R$ 108 milhões, foi fechado durante a gestão de Ricardo Nunes.

Em nota, a administração municipal afirmou que “não identificou nenhuma irregularidade nos serviços prestados” pelo instituto até agora. A Prefeitura também disse que, caso alguma irregularidade seja apontada pela investigação, “as providências serão tomadas”.

Karina já negou ligação entre contrato e filme

A reportagem procurou a assessoria de Karina Ferreira da Gama para comentar o novo pedido da Polícia Civil, mas não obteve resposta até a publicação. Em manifestações anteriores, ela negou que “Dark Horse” tenha recebido dinheiro de pessoas ou empresas brasileiras, seja verba pública ou privada.

Karina também afirmou anteriormente que a contratação do Instituto Conhecer Brasil pela Prefeitura de São Paulo ocorreu de forma regular e sem relação com o filme sobre Jair Bolsonaro.

Polícia suspeita de confusão patrimonial

No pedido à Justiça, o delegado afirma que há “consistentes suspeitas de confusão patrimonial [entre o instituto e a produtora] e de que os recursos públicos do programa ‘WiFi Livre SP’ tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme, utilizando as contas das empresas subcontratadas e das demais organizações sociais geridas pela investigada para a lavagem dos valores desviados do erário de São Paulo”.

A Polícia Civil também menciona “indícios materiais contundentes” de desvio. Segundo o delegado, o Instituto Conhecer Brasil não teria capacidade técnica para executar os serviços de wi-fi contratados e cobrava R$ 1.800 por ponto de conexão, valor considerado acima do mercado pela investigação.

Por que o Coaf entrou no pedido?

Outro ponto citado pela polícia é o recebimento antecipado de R$ 26 milhões por serviços que, segundo a investigação, ainda não haviam sido executados. Para o delegado, essa antecipação “pode evidenciar o desvio de finalidade na aplicação do dinheiro público municipal”.

“Diante disso, o rastreamento do fluxo financeiro é o único meio capaz de descortinar a destinação final das verbas recebidas pelo Instituto Conhecer Brasil e repassadas de forma suspeita a empresas subcontratadas e às contas pessoais da investigada Karina Ferreira da Gama e de suas firmas individuais, como a Go Up Entertainment”, afirma o delegado no pedido.

Como “Dark Horse” entra no caso?

“Dark Horse” retrata a trajetória de Jair Bolsonaro, com destaque para a facada sofrida durante a campanha eleitoral de 2018. O filme passou a ser alvo de questionamentos depois que o Intercept Brasil revelou que Daniel Vorcaro teria repassado R$ 61 milhões para a produção.

Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, admitiu ter pedido recursos a Vorcaro para financiar o longa, mas nega irregularidades. O senador afirma que a busca por investidores não envolveu dinheiro público.

Dados solicitados começam em junho de 2024

A Polícia Civil pediu acesso a informações financeiras a partir de junho de 2024, mês em que o contrato de wi-fi foi firmado. O inquérito foi aberto depois de denúncias de irregularidades na contratação, no fim de 2025.

A Prefeitura de São Paulo informou que, às 15h17 desta quinta-feira (28/5), havia 3.161 pontos ativos e 39 off-line entre os 3.200 pontos contratados. A gestão municipal classificou os números como satisfatórios e declarou apoio à investigação: “Obviamente, se for identificada qualquer irregularidade na investigação, que contará com total apoio da administração, as providências serão tomadas”.

O número informado pela gestão municipal, porém, indica entrega parcial em relação ao total previsto no contrato. Reportagens anteriores apontaram que o acordo previa 5 mil pontos de internet, com prazo final de instalação em junho de 2025. A suspeita investigada é que o pagamento tenha considerado o total contratado, embora parte dos pontos previstos não tenha sido entregue.

Aberto para posicionamentos

Os bastidores do filme “Dark Horse” e suas ramificações têm gerado repercussão nas últimas semanas. O tema está em constante atualização e o espaço segue em aberto para posicionamentos, declarações e reparos das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.

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