
Ilustração/Gemini
Justiça Federal revoga prisão de MC Ryan, Poze do Rodo e dono da Choquei
Investigados na Operação Narco Fluxo ganharam liberdade provisória por excesso de prazo sem denúncia formal do Ministério Público
Fim da prisão
A Justiça Federal determinou a soltura dos cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além de Raphael Sousa Oliveira, proprietário da página Choquei. Os portais UOL e g1 confirmaram a decisão que beneficia os alvos da Operação Narco Fluxo, investigação da Polícia Federal focada em lavagem de dinheiro com rifas ilegais, apostas e tráfico de drogas.
Quais são as condições da liberdade?
A desembargadora Louise Filgueiras, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares rigorosas para os envolvidos. O tribunal exigiu a entrega dos passaportes e proibiu viagens internacionais sem autorização prévia.
Os investigados precisam informar seus endereços atualizados, comparecer mensalmente em juízo para justificar atividades e estão impedidos de se ausentar de suas cidades por mais de cinco dias sem permissão legal. O pacote de medidas atinge também os influenciadores Chrys Dias, Débora Paixão e Diogo Santos de Almeida.
A magistrada embasou os alvarás de soltura no excesso de prazo, já que o Ministério Público Federal (MPF) não formalizou a denúncia contra o grupo. A Justiça avaliou que faltavam fundamentos concretos para manter a reclusão.
O que alegam os advogados dos acusados?
As defesas celebraram o resultado enquanto aguardavam a liberação dos clientes, prevista para quinta-feira (13/5). Fernando Henrique Cardoso, representante de Poze do Rodo, destacou a vitória no tribunal. “Nosso pedido de extensão foi aceito. Esperamos em breve poder retirar nosso cliente, Marlon Brendon, deste aprisionamento desnecessário e ilegal”, afirmou.
O advogado Pedro Paulo de Medeiros defendeu a inocência de Raphael Sousa em nota enviada ao UOL, argumentando que receber verbas publicitárias não configura crime. “A revogação (…) reafirma a importância do devido processo legal, da presunção de inocência e das garantias constitucionais que regem o Estado Democrático de Direito”, declarou, garantindo que o responsável pela Choquei continuará cooperando com as investigações.
Um dia antes, o empresário Henrique Viana, apelidado de Rato Love Funk, também conseguiu liberdade. O criminalista Aury Lopes Jr. pontuou que a “prisão se mostrava totalmente arbitrária e desnecessária” e que o cliente “reafirma sua inocência”.
Qual seria o papel de MC Ryan no esquema?
A Polícia Federal aponta MC Ryan como o principal beneficiário financeiro da organização criminosa. O funkeiro, detido na Penitenciária 2 de Mirandópolis, supostamente utilizava firmas de entretenimento para mesclar lucros lícitos com o dinheiro oriundo das fraudes. Os investigadores detalham que o músico transferia propriedades empresariais para familiares e adquiria joias, carros importados e imóveis luxuosos para despistar as autoridades.
O delegado Marcelo Maceiras revelou o tamanho do bloqueio judicial, que congelou R$ 1,6 bilhão das contas dos alvos. A operação ainda confiscou R$ 20 milhões “só em veículos”, cumprindo 90 mandados em oito estados do país. Ele evitou nomear facções específicas, mas cravou que “parte do dinheiro” movimentado derivava do narcotráfico.
A defesa do cantor, no entanto, contesta as acusações e afirma que a decisão do TRF-3 reconhece a ilegalidade das prisões efetuadas na operação. Em nota ao g1, o advogado Felipe Cassimiro afirmou que a revogação da prisão é “consequência natural e jurídica” do reconhecimento de irregularidades no decreto prisional.
Aberto para posicionamentos
O envolvimento dos artistas é uma investigação em andamento sem conclusões criminais. O espaço segue aberto para posicionamentos, declarações e atualizações das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado e repercutido.