
Divulgação/Globo
Morre Guto Graça Mello, responsável por discos de sucesso e trilhas históricas da Globo
Músico compôs o tema do programa Fantástico, embalou temas de novelas e transformou Xuxa em cantora
Produtor lendário
O produtor musical Guto Graça Mello morreu nesta terça-feira (5/5), aos 78 anos, em decorrência de uma parada cardiorrespiratória. Ele estava internado há mais de um mês no Hospital Barra D’Or, no Rio de Janeiro, após sofrer uma queda.
Parte da história da TV brasileira
Guto Graça Mello foi um dos principais nomes da música na televisão brasileira, sendo o responsável pela popularização de algumas das mais famosas trilhas sonoras de novelas da Globo. O carioca também assinou a composição do histórico tema de abertura do “Fantástico”, que segue no ar até hoje.
Nascido Augusto César Graça Mello em 1948, o produtor era filho dos atores Stella e Octávio Graça Mello. Ele chegou a se matricular no curso de Arquitetura da Universidade Federal do Rio de Janeiro, mas trancou a faculdade para estudar violão na escola de música ProArte.
A chegada na Globo
O primeiro contato com a TV Brasileira aconteceu no seriado “Rua da Matriz” (1965), da Globo, no qual tocou violão. Em 1967, o músico compôs canções com Mariozinho Rocha que ganharam as vozes de Elis Regina (“Manifesto”) e Nara Leão (“Cabra Macho”).
Após morar no México com o conjunto Vox Populi e estudar na Universidade de Berkeley, na Califórnia, o produtor foi chamado para compor a trilha do filme “Missão: Matar” (1972). O trabalho chamou a atenção de Walter Clark, então diretor-geral da Globo, que o convidou para trabalhar na emissora. Graça Mello estreou como produtor no programa “Viva Marília” (1972), estrelado por Marília Pêra.
As novelas clássicas
Em 1973, assinou com Nelson Motta a trilha de “Cavalo de Aço”, enquanto preparava a trilha de um grande clássico do cinema, “A Hora da Estrela” (1974).
A partir daí, começou a produzir discos para a gravadora Som Livre, do grupo Globo, com canções de novelas. Para a trilha de “Pecado Capital” (1975), o produtor encomendou a música-tema a Paulinho da Viola. O músico entregou o clássico refrão “Dinheiro na mão é vendaval” em poucas horas e a trilha inteira foi montada em três dias.
O sucesso levou o produtor a escolher também as músicas de “Gabriela” (1975), “Saramandaia” (1976), “Dancin’ Days” (1978), “Pai Herói” (1979), “Coração Alado” (1980), “Paraíso” (1982), “Eu Prometo” (1983) e muitas outras produções.
O lançamento de Cazuza e Xuxa
Durante sua passagem pela Som Livre, Graça Mello também alertou João Araújo, presidente da gravadora, que ele tinha a obrigação de lançar o disco da banda de sei filho: o Barão Vermelho, liderado por Cazuza. Guto produziu o álbum de estreia da banda em 1982, que se tornou um marco do renascimento do rock brasileiro nos anos 1980.
Em compensação por convencer o chefe a lançar o talento de Cazuza, ele recebeu uma missão considerada impossível: transformar Xuxa em cantora. Na primeira reunião, a própria apresentadora assumiu que não sabia cantar. Ele foi atrás de compositores que conseguissem criar hits para o público infantil e buscou cantoras afinadas para fazer vozes de coro. Além disso, escalou uma de suas cantoras de confiança para gravar todos os vocais para Xuxa imitar. O primeiro disco saiu em 1986 com músicas como “Doce Mel” e “Turma da Xuxa”. Venceu 3 milhões de cópias e consolidou Xuxa como um fenômeno de mídia.
Na década de 1980, virou diretor e produtor musical da Globo, onde explorou com sucesso trilhas de outras produções infantis, como “Pirlimpimpim”, “Sítio do Picapau Amarelo” e “Plunct, Plact, Zuuum?”.
A carreira na MPB e no cinema
O produtor decidiu afasar-se da televisão em 1989 para se dedicar a campanhas publicitárias, que pagavam mais, e à indústria fonográfica, seu grande desejo. Longe da TV Brasileira, produziu mais de 500 discos de artistas, alguns deles tão grandes quanto Rita Lee, Maria Bethânia e Roberto Carlos.
Ele também teve mais tempo para se dedicar ao cinema, assinando trilhas de mais de 30 longas-metragens, incluindo “Cazuza – O Tempo Não Para” (2004), “Se Eu Fosse Você” (2006), “Polaroides Urbanas” (2008), “A Casa da Mãe Joana” (2008), “Divã” (2009) e “Nosso Lar” (2010).
A volta à Globo
Nos anos 2000, o produtor retornou à Globo em nova função, atuando como jurado das temporadas 1, 2 e 4 do reality “Fama” (2002-2005). O programa que ele integrou revelou talentos como Thiaguinho e Evelyn Castro. Mais tarde, ainda voltou a produzir para a emissora algumas edições do programa “Especial Roberto Carlos”.
Guto Graça Mello deixa a esposa, a comediante Sylvia Massari, conhecida pelo papel da boneca Maria Santa em “A Praça É Nossa”, além de duas filhas e dois enteados.