
Divulgação/Neon
“Fjord”, de Cristian Mungiu, vence a Palma de Ouro no Festival de Cannes
Cineasta romeno conquista o prêmio principal do evento internacional de cinema pela segunda vez na carreira
Consagração no Festival de Cannes
O longa-metragem “Fjord”, comandado pelo cineasta romeno Cristian Mungiu, foi o grande vencedor da Palma de Ouro, o prêmio de maior prestígio da seleção oficial do Festival de Cannes. O anúncio oficial foi realizado na cerimônia de encerramento do evento na Riviera Francesa na tarde deste sábado (23/5).
Qual é a história do filme?
Com o roteiro assinado pelo próprio Mungiu, “Fjord” acompanha a trajetória dos Gheorghiu, uma família de imigrantes romenos que tenta se estabelecer em um vilarejo localizado no interior da Noruega.
A rotina dos estrangeiros se transforma em um pesadelo burocrático e social quando os métodos tradicionais de educação de seus filhos passam a ser investigados pelas autoridades locais, motivados por hematomas identificados no corpo de uma das crianças em ambiente escolar.
Candidato ao Oscar 2027
“Fjord” foi a segunda vitória de Mungiu na premiação máxima do circuito de cinema internacional. A sua primeira ocorreu há quase duas décadas, com o aclamado e impactante “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias” (2007), sobre aborto clandestino durante a União Soviética.
Com 91% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, o drama deve vir forte para a temporada de premiações de Hollywood, especialmente por contar em seu elenco com dois nomes conhecidos do cinema internacional: a atriz norueguesa Renate Reinsve (“Valor Sentimental”) e o romeno-americano Sebastian Stan (“Thuderbolts”). Conhecido como o Soldado Invernal nos filmes da Marvel, Stan estrela pela primeira vez uma produção de seu país natal.
Para completar, a distribuição comercial do filme nos EUA está sob a responsabilidade da empresa Neon, que nos últimos anos tem sempre chegado com força ao Oscar.
Grand Prix e Prêmio do Júri
O segundo troféu mais relevante da noite, o Grand Prix, foi concedido a “Minotaur”, do cineasta russo Andrey Zvyagintsev, que atualmente trabalha sob condições de exílio político. Ambientada cronologicamente a partir do ano de 2022, a produção examina os impactos cotidianos e psicológicos causados pelo início da Guerra da Ucrânia na rotina de um núcleo familiar de classe média na Rússia.
O Prêmio do Júri foi entregue para a obra “The Dreamed Adventure”, da realizadora alemã Valeska Grisebach. A narrativa do filme acompanha os passos de uma profissional de arqueologia que executa trabalhos de campo em uma região de fronteira, entre os territórios da Bulgária, Grécia e Turquia, onde o reencontro com uma figura de seu passado traz à tona conflitos pessoais não resolvidos.
Empates em direção e interpretação
O comitê de jurados da competição foi presidido pelo diretor sul-coreano Park Chan-wook e contou com a participação dos atores Demi Moore, Stellan Skarsgård e Ruth Negga, além da cineasta Chloé Zhao. O grupo decretou um empate duplo na categoria de Melhor Direção. O prêmio foi dividido entre o polonês Pawel Pawlikowski, pelo comando de “A Terra de Meu Pai”, e a dupla espanhola Javier Calvo e Javier Ambrossi, responsáveis pela realização de “La Bola Negra”, filme que recebeu 20 minutos de aplauso em sua première mundial.
O empate repetiu-se ainda nas categorias de interpretação. O troféu de Melhor Ator foi entregue de forma conjunta ao francês Valentin Campagne e ao belga Emmanuel Macchia por suas performances em “Coward”, enquanto o prêmio de Melhor Atriz foi compartilhado pela belga Virginie Efira e a japonesa Tao Okamoto, coprotagonistas de “All of a Sudden”.
O francês Emmanuel Marre garantiu o prêmio de Melhor Roteiro por “A Man of His Time” e a prestigiada honraria Camera d’Or, destinada a produções de cineastas estreantes, foi concedida à diretora Marie-Clementine Dusabejambo, de Ruanda, pelo filme “Benimana”. No segmento de formatos curtos, a Palma de Ouro de Curta-Metragem foi para o argentino Federico Luis pelo projeto “For the Opponents”.