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Divulgação/Go Up Entertainment

Filme|15 de maio de 2026

Contrato revela Eduardo Bolsonaro como produtor-executivo de “Dark Horse”

Documento obtido pelo Intercept detalha participação do ex-deputado na gestão financeira de "Dark Horse" e motiva investigação da Polícia Federal


Pipoque pelo Texto ocultar
1 Contrato de “Dark Horse” vem à tona
2 Como funcionava a gestão do filme?
3 Dinheiro de banqueiro no centro da crise
4 O que diz Eduardo Bolsonaro?
5 Versão de Mário Frias é diferente
6 Como os repasses teriam ocorrido?
7 O que a Polícia Federal investiga?
8 Produtora do filme é investigada no Brasil
9 Investigação envolve Mário Frias
10 Aberto para posicionamentos

Contrato de “Dark Horse” vem à tona

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) seria um dos produtores-executivos da cinebiografia “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, revelou o Intercept Brasil nesta sexta-feira (15/5). O site obteve acesso ao contrato firmado em novembro de 2023 e assinado por Eduardo em 30 de janeiro de 2024. O documento coloca a empresa Go Up Entertainment, sediada nos Estados Unidos, como produtora, e Eduardo ao lado do deputado federal Mário Frias (PL) na função de gerir o orçamento e a captação de recursos da obra.

Como funcionava a gestão do filme?

O texto do acordo revela que Eduardo e Flávio agiam em conjunto com a produtora para captação de dinheiro. As atribuições englobavam o “envolvimento nas considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme e preparação de informações e documentação para investidores e assistência na identificação de recursos de financiamento de filmes, incluindo créditos e incentivos fiscais, colocação de produtos e patrocínio”.

As atribuições descritas no contrato colocavam Eduardo Bolsonaro e Mário Frias no núcleo estratégico da captação e da gestão orçamentária do projeto.

Dinheiro de banqueiro no centro da crise

A gestão orçamentária do projeto virou alvo de escândalo durante a semana, quando o próprio Intercept apurou que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, injetou cerca de R$ 61 milhões no longa-metragem. Flávio Bolsonaro inicialmente negou conhecer Vorcaro publicamente, mas depois admitiu a interlocução para buscar investimentos para o filme, após o vazamento de áudios em que cobrava os repasses milionários.

O portal de notícias detalhou que o banqueiro efetuou seis transações entre fevereiro e maio de 2025. O montante faria parte de um acordo total de R$ 134 milhões, que acabou suspenso após Vorcaro entrar na mira da Operação Compliance Zero. Uma das conversas entre Flávio e o executivo aconteceu em 16 de novembro de 2025, na véspera da prisão do empresário.

O que diz Eduardo Bolsonaro?

Antes da revelação do documento, Eduardo rechaçava qualquer recebimento ligado ao dono do Banco Master. “A história que recebi dinheiro do fundo de investimento não se sustenta e é tosca. Meu status migratório não permitiria. Se isso tivesse acontecido, o próprio governo americano me puniria”, defendeu-se o político na quinta-feira (14/5).

Com a publicação de sua assinatura, o discurso precisou ser adaptado. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, ele confirmou a função provisória para segurar um cineasta estrangeiro. “Peguei R$ 350 mil, transformei em cerca de US$ 50 mil e mandei para os Estados Unidos para garantir o contrato com um diretor de Hollywood”, afirmou o ex-parlamentar, justificando que cedeu a posição de produtor executivo assim que um grupo de investidores assumiu o projeto.

Ele acusou o Intercept de promover ataques direcionados para prejudicar a imagem de Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato do PL à Presidência. “O Intercept está fazendo um vazamento seletivo, algo criminoso para tentar assassinar a reputação do Flávio Bolsonaro, porque ele lidera as pesquisas para presidente. Acabou de sair agora mais uma matéria falando, né, ou sugerindo que eu estou sendo bancado, financiado nos Estados Unidos por Daniel Vorcaro. Eu acho que nada melhor do que vir aqui a público falando diretamente com vocês, que é muito melhor do que passar pelo crivo do Intercept do que será publicado”, disparou.

O político fez questão de afastar o nome do banqueiro de suas finanças diretas. “Quem fala que Eduardo Bolsonaro recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro é mentiroso. Eu recebi o dinheiro de volta por conta do contrato com a produtora, mas isso não passou pelo fundo. E recebi o dinheiro que era meu”, declarou.

Versão de Mário Frias é diferente

A defesa de Mário Frias contou uma versão diferente, ignorando a parte em que ele teria sido creditado como produtor inicialmente por bancar o diretor. Em nova enviada à imprensa, afirmou que “Eduardo Bolsonaro não é e nunca foi produtor-executivo da produção do filme ‘Dark Horse’ e nunca recebeu qualquer quantia do fundo de investimento cujo produto privado final é o filme”.

Como os repasses teriam ocorrido?

As mensagens de texto analisadas pela reportagem mostram o planejamento das remessas para o exterior. Em um diálogo com Vorcaro, o intermediário Thiago Miranda compartilha instruções escritas por Eduardo detalhando os desafios logísticos da transferência internacional. “O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para os EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos”, pontuou o ex-deputado na conversa anexada.

Diante do prazo longo, Eduardo sugere uma ação imediata. “Solução: enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, com o remetente atual e etc. Será que conseguimos?”, questionou nas mensagens.

O que a Polícia Federal investiga?

O destino final dos recursos ligados ao investimento de Daniel Vorcaro virou alvo da Polícia Federal, que apura se os valores serviram para sustentar Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O político vive um autoexílio com a família no país norte-americano desde março de 2025.

Segundo a Folha de S. Paulo, os investigadores trabalham com a hipótese de que a verba do Banco Master financiou indiretamente ações de lobby do ex-deputado junto ao governo de Donald Trump. As autoridades brasileiras tentam descobrir se essa articulação patrocinada resultou em medidas como o tarifaço contra produtos do Brasil, a revogação de vistos e a aplicação da Lei Magnitsky contra membros do governo nacional.

Produtora do filme é investigada no Brasil

A Go Up Entertainment, sediada na Flórida, tem Michael Brian Davis e Karina Ferreira da Gama como sócios. O Intercept Brasil aponta que Karina, produtora creditada no filme, tem ligações com o Instituto Conhecer Brasil, uma ONG investigada pelo Ministério Público desde março.

A entidade recebeu aproximadamente R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo para instalar pontos de wi-fi público, mas não cumpriu o prazo previsto. O acordo entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) da gestão Ricardo Nunes (MDB) e a ONG previa instalação, operação e manutenção de 5 mil pontos de acesso à internet durante um ano na periferia paulistana. O prazo final de entrega era junho de 2025, mas, até a presente data, apenas 3.200 pontos teriam sido instalados, revelou o g1.

O inquérito do MP foi instaurado após denúncia do vereador Nabil Bonduki (PT) e corre sob sigilo. O vereador argumenta que o chamamento público teria tido apenas uma participante e questiona a ausência de concorrência, levantando suspeitas sobre possível direcionamento do processo licitatório. Ele também aponta indícios de um superfaturamento no valor do contrato e aponta que a ONG se descreve com “expertise no planejamento, coordenação e execução de eventos de grande repercussão nacionais e internacionais”, sem demonstrar experiência na instalação de equipamentos de telecomunicações ou redes de internet e wi-fi público.

Investigação envolve Mário Frias

O Supremo Tribunal Federal (STF) também tenta intimar Mário Frias há mais de um mês para que ele preste esclarecimentos sobre o destino de verbas de emendas parlamentares. Nesta sexta, o ministro Flávio Dino determinou a abertura de uma investigação, sob sigilo, para apurar o suposto desvio de ao menos R$ 2 milhões em emendas parlamentares do deputado a empresas de Karina Ferreira da Gama.

A decisão foi tomada após a deputada federal Tabata Amaral enviar documentos ao Supremo envolvendo denúncias sobre a produção do filme. Tabata afirma que os novos fatos reforçam a suspeita de direcionamento de verbas públicas, por meio das chamadas “emendas Pix”, para financiar a produção privada.

Questionada pela CBN, a assessoria do deputado Mário Frias enviou um parecer da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados. O documento emitido em março conclui que não há irregularidades no processo de destinação das emendas investigadas, mas faz uma importante ressalva: as entidades beneficiadas ainda não prestaram contas de como os recursos foram aplicados, uma exigência do STF.

Aberto para posicionamentos

A divulgação do contrato ampliou a pressão sobre os envolvidos porque contradiz versões públicas apresentadas nos últimos dias sobre a estrutura financeira de “Dark Horse”.

O envolvimento de Daniel Vorcaro e políticos do PL com o filme “Dark Horse” é uma investigação em andamento sem conclusões criminais. O espaço segue aberto para posicionamentos, declarações e atualizações das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.

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