
Instagram/Deolane Bezerra
Defesa de Deolane rebate prisão por suspeita de lavagem de dinheiro do PCC
Advogados classificaram medidas como desproporcionais e citaram filha menor para pedir prisão domiciliar
Defesa alega inocência e pede prisão domiciliar
Os advogados da influenciadora Deolane Bezerra, presa sob suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro investigado por ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital), alegaram que a cliente é inocente e criticaram as ações policiais e judiciais. Em comunicado oficial enviado à imprensa, a equipe jurídica classificou as determinações como “medidas desproporcionais”.
O que dizem os advogados?
“Fatos serão devidamente esclarecidos em momento oportuno”, afirmou a nota emitida pelos representantes, que ressalta a “absoluta inocência” da advogada. Durante a audiência de custódia, os defensores solicitaram a libertação de Deolane com base em um entendimento do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que possibilita a concessão de prisão domiciliar para mães de crianças menores de 12 anos, sob o princípio da “presunção legal de cuidado materno”.
A banca de advogados, composta por dois escritórios de São Paulo e assinada também por Daniele Bezerra, irmã da influenciadora, não confirmou se pretende ingressar com um pedido de habeas corpus. Após ter a prisão mantida na audiência de custódia, Deolane foi encaminhada para a Penitenciária Feminina de Santana, na zona norte de São Paulo, e transferida na manhã desta sexta (22/5) para o Presídio Feminino de Tupi Paulista, no interior do estado. A unidade de destino tem capacidade para 714 detentas, mas abriga atualmente 873 presas.
Por que Deolane foi presa?
A prisão de Deolane Bezerra ocorreu no âmbito da Operação Vérnix, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo em conjunto com o Ministério Público. A ação teve como alvo um esquema financeiro que envolve o alto escalão da organização criminosa, incluindo mandados de prisão contra familiares de Marcos Herbas Camacho, o Marcola, considerado líder do PCC e atualmente isolado em Presídio Federal.
Em entrevista coletiva, as autoridades detalharam que a investigação começou há sete anos, após a apreensão de manuscritos e ordens internas em uma unidade prisional de Presidente Venceslau. Os bilhetes interceptados em 2019 com detentos revelaram a estrutura de movimentação de capital da facção e planos de atentados contra servidores públicos, mencionando que uma empresa de transportes teria fornecido a localização de um ex-diretor de presídio.
A investigação policial apontou que o estabelecimento comercial, localizado ao lado do presídio de Presidente Venceslau, não funcionava como uma prestadora de serviços comum, mas sim como uma estrutura planejada pela própria facção para a ocultação e lavagem de recursos financeiros de origem ilícita.
Autoridades apontam influenciadora como “caixa do crime”
Embora as mensagens não fizessem menção direta ao nome de Deolane Bezerra, os responsáveis pela investigação afirmaram que investigações subsequentes apontaram a influenciadora como uma das beneficiárias de repasses financeiros expressivos efetuados pela transportadora sob suspeita. “O crime deposita recursos na figura pública, os valores se misturam a outros com origem lícita e depois retornam ao crime organizado”, disse o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sergio Oliveira Costa, em registro da Folha de S. Paulo.
Os investigadores apontam que a advogada funcionava como um “caixa do crime organizado”, recebendo os depósitos da facção para misturá-los a seus rendimentos legítimos e devolvê-los posteriormente, dificultando o rastreio dos valores. O promotor Lincoln Gakiya afirmou, de acordo com a Folha, que “as provas são robustas”.
Para os agentes, a ausência de contratos formais que justifiquem as vultosas movimentações financeiras da advogada é tratada na investigação como um indício de que ela tinha ciência da procedência dos valores.
Detalhes da investigação
Gakiya apontou dois fatores que evidenciam o elo entre a influenciadora e a facção. O primeiro está na atividade de Deolane como advogada. Segundo o promotor, ela atuou para dezenas de faccionados ao longo da carreira e, mais do que isso, é amiga de Alejandro Camacho, irmão do líder do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. Entretanto, exercer advocacia criminal não é evidência automática de participação criminosa.
O segundo fator, por sua vez, envolve uma relação afetiva. Segundo o promotor, a influenciadora foi durante anos casada com um integrante do PCC que cumpria pena em Junqueirópolis, no interior de São Paulo.
Irmã protesta contra suposições
Em contrapartida, os familiares de Deolane contestam a tese levantada pela Polícia Civil. Em postagens nas redes sociais, sua irmã, Daniele Bezerra, criticou a condução do caso e defendeu que as autoridades “tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações”, argumentando que o decreto de prisão preventiva se baseia em narrativas e perseguições sem sustentação factual.