
Divulgação/Atlantic
Morre Clarence Carter, lenda do soul e voz original de sucesso dos Titãs
Músico americano, que inspirou o hit "Marvin", faleceu aos 90 anos devido a complicações de uma pneumonia
Morte de uma lenda do soul
O cantor de soul Clarence Carter, que imortalizou sucessos como “Slip Away” (1968) e “Patches” (1970), morreu na última quarta-feira (13/5) aos 90 anos. Sua produtora confirmou o falecimento, informando que o músico não resistiu a complicações decorrentes de uma pneumonia.
Qual a ligação do cantor com os Titãs?
No Brasil, o maior hit de Carter ficou conhecido graças aos Titãs. Em 1984, o grupo adaptou “Patches” para o português com o nome de “Marvin”, lançada em seu álbum de estreia. A canção se tornou um dos maiores hits da banda paulista, ganhando ainda mais força com a versão do álbum ao vivo “Go Back” (1988), gravado no festival de Montreux, na Suíça. A letra original de Carter narra a história de um pai que implora ao filho para seguir em frente apesar das dificuldades, narrativa que Nando Reis e Sérgio Britto preservaram na versão brasileira.
Quais foram seus maiores sucessos internacionais?
Cego de nascença, Carter nasceu em Montgomery, Alabama, em 1936, e construiu uma carreira sólida que começou na dupla Clarence & Calvin, antes de seguir em carreira solo a partir de 1967.
O primeiro grande impacto solo de Carter foi “Tell Daddy” (1967), que inspirou Etta James a escrever a resposta “Tell Mama”. No entanto, foi com “Slip Away” (1968) que ele atingiu o topo das paradas pop e R&B,. A canção hoje soma mais de 45 milhões de reproduções no Spotify e integra trilhas de filmes como “Quase Famosos” e “Licorice Pizza”. Já a versão de “Patches” rendeu aos compositores o Grammy de Melhor Canção R&B em 1971, além de uma indicação para o próprio Carter como melhor vocalista.
Como foi sua vida pessoal e parcerias?
Em 1970, Carter casou-se com a futura lenda do soul Candi Staton. Ele foi fundamental para o início da carreira solo de Staton, apresentando-a ao produtor Rick Hall, do icônico estúdio Muscle Shoals, e coescrevendo clássicos como “I’d Rather Be an Old Man’s Sweetheart (Than a Young Man’s Fool)”. O casamento, porém, foi turbulento e terminou em divórcio em 1973, marcado por relatos de infidelidade e disputas fiscais que inspiraram diversas canções amargas de Staton na época.
O declínio da música soul nos anos 1980, diante da era disco, prejudicou a carreira do cantor. Mas em 1988 ele teve um retorno inesperado ao sucesso com a explícita “Strokin’”, música que o cineasta William Friedkin utilizou no filme “Killer Joe” (2011), descrevendo Carter como o “Mozart da música do sul”.
Ao longo de décadas, o cantor sempre reafirmou sua conexão vital com a arte. “Desde que perdi a visão, a música não apenas me entreteve e me deu sustento, mas tem sido um conforto tremendo”, chegou a declarar em entrevista.
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