
Divulgação/Sony
Cinemas recebem “As Ovelhas Detetives”, “Mortal Kombat 2” e filmes musicais
Comédia infantil e pancadaria têm lançamento mais amplo, mas semana também destaca documentários de Billie Eilish, Iron Maiden e cinebiografia de Hungria Hip Hop
A programação de cinema desta quinta (7/5) destaca o bom humor da comédia familiar “As Ovelhas Detetives” e a pancadaria de “Mortal Kombat 2”, continuação do sucesso de 2021. A semana também apresenta forte inclinação musical, com o lançamento de documentários sobre Billie Eilish e Iron Maiden, além de uma cinebiografia do rapper brasiliense Hungria Hip Hop. Confira todas as estreias.
🎞️ AS OVELHAS DETETIVES
A comédia de mistério tem uma premissa inusitada. A trama acompanha George (Hugh Jackman, “Deadpool e Wolverine”), um pastor que lê romances policiais para suas ovelhas todas as noites, certo de que os animais não compreendem as histórias. O que ele não imagina é que o rebanho não só entende tudo, como discute teorias sobre os culpados.
A reviravolta acontece quando o próprio George é encontrado morto no campo. Diante da ineficácia da polícia local, as ovelhas decidem usar seu conhecimento literário para desvendar o assassinato por conta própria. O resultado é um filme muito divertido, que alcançou 96% de aprovação da crítica americana no Rotten Tomatoes – a mais alta da carreira do intérprete de Wolverine – ao combinar animação e live-action, com a inserção de ovelhas digitais em cenários reais.
O elenco inclui ainda Nicholas Braun (“Succession”), Molly Gordon (“O Urso”), Hong Chau (“O Agente Noturno”), Nicholas Galitzine (“Uma Ideia de Você”) e Emma Thompson (“Mistério em Cemitery Road”), além de um time de dubladores de peso para os animais. As vozes das ovelhas são interpretadas em inglês por astros como Julia Louis-Dreyfus (“Veep”), Bryan Cranston (“Breaking Bad”), Chris O’Dowd (“A Máquina do Destino”), Regina Hall (“Uma Batalha Após a Outra”), Patrick Stewart (“Star Trek: Picard”), Bella Ramsey (“The Last of Us”), Brett Goldstein (“Ted Lasso”) e Rhys Darby (“Nossa Bandeira é a Morte”).
Dirigido por Kyle Balda (“Minions”) e com roteiro de Craig Mazin (“The Last of Us”), o longa adapta o livro “Three Bags Full”, de Leonie Swann.
🎞️ MORTAL KOMBAT 2
A continuação do sucesso inesperado da pandemia introduz novos personagens e aprofunda a mitologia dos videogames. Enquanto a adaptação de 2021 foi focada em Cole Young (Lewis Tan), o novo protagonista é Johnny Cage, interpretado por Karl Urban (“The Boys”). Na trama, a batalha sangrenta pelo controle do Plano Terreno atinge novas proporções sob a ameaça do imperador Shao Kahn. Os antigos defensores da Terra formam alianças instáveis para deter as forças invasoras da Exoterra, encontrando apoio na improvável adesão de Johnny Cage, convocado para o sangrento torneio sem regras.
O ator decadente de filmes de ação é arrastado contra a vontade para lutar pelo destino do mundo, juntando-se ao grupo de desafiantes durante a realização efetiva do torneio que dá nome à franquia – algo que ficou apenas na promessa no filme anterior.
Dirigido novamente pelo novato Simon McQuoid, o segundo filme expande o universo do Mortal Kombat com lutadores saídos diretamente dos games. Lewis Tan está de volta como Cole Young, ao lado de Jessica McNamee (Sonya Blade), Josh Lawson (Kano), Tadanobu Asano (Raiden), Mehcad Brooks (Jax), Ludi Lin (Liu Kang), Chin Han (Shang Tsung), Joe Taslim (Bi-Han/Sub-Zero), Hiroyuki Sanada (Hanzo Hasashi/Scorpion) e Max Huang (Kung Lao). Entre as novidades estão Adeline Rudolph e Tati Gabrielle (ambas de “O Mundo Sombrio de Sabrina”) como a Princesa Katana e sua guarda-costas Jade, Ana Thu Ngyen (“Get Free”) como Sindel e Desmond Chiam (“Falcão e o Soldado Invernal”) como o Rei Jerrod.
🎞️ BILLIE EILISH – HIT ME HARD AND SOFT: THE TOUR IN 3D
O registro da nova turnê de Billie Eilish chega aos cinemas com direção assinada pela própria artista ao lado de ninguém menos que James Cameron, o cineasta por trás dos dois filmes de maior bilheteria do mundo, “Avatar” (2009) e “Titanic” (1997). O filme acompanha apresentações do álbum “Hit Me Hard and Soft”, lançado após o ciclo de “Happier Than Ever”, consolidando a fase mais recente da cantora.
A produção reúne performances captadas durante a passagem da turnê mundial por Manchester, na Inglaterra, destacando a encenação de palco e também a relação da artista com o público. Além das câmeras “invisíveis” criadas especialmente para o projeto, Billie conduziu um aparelho portátil durante o show, permitindo a captação de imagens próximas e raras nesse tipo de registro. A proposta enfatiza a experiência imersiva, explorando ainda o uso de tecnologia 3D, marca pessoal do diretor, para colocar o público no meio do show, mesmo numa sala de cinema.
Além das músicas do novo disco, o repertório inclui os principais hits anteriores da cantora. É o terceiro filme-concerto de Eilish, sucedendo “Happier Than Ever: A Love Letter to Los Angeles” (2021) e “Billie Eilish: Live at the O2” (2023), mas o primeiro após a mudança de patamar dos eventos cinematográficos baseados em grandes turnês, que receberam grande impulso com o sucesso estrondoso do filme “Taylor Swift: The Eras Tour” (2023).
🎞️ IRON MAIDEN – BURNING AMBITION
O documentário revisita os 50 anos de estrada de uma das bandas mais influentes do heavy metal, das apresentações em pubs no leste de Londres aos shows em estádios ao redor do mundo. Dirigido por Malcolm Venville (“A Ocasião Faz o Ladrão”), o longa combina imagens de arquivo, bastidores e entrevistas para reconstruir a ascensão do grupo dentro da chamada nova onda do metal britânico.
No material de arquivo e depoimentos, figuram membros fundamentais como Steve Harris, Bruce Dickinson e Nicko McBrain. O longa também traz relatos íntimos de colaboradores e admiradores notórios, incluindo o ator espanhol Javier Bardem (“Onde os Fracos Não Têm Vez”), o baterista Lars Ulrich (Metallica) e o rapper Chuck D (Public Enemy), revelando aspectos menos conhecidos da trajetória da banda.
🎞️ HUNGRIA – A ESCOLHA DE UM SONHO
A cinebiografia brasileira conta a trajetória do rapper Hungria Hip Hop, sob a direção do estreante Izaque Cavalcante e de Cristiano Vieira (“Cisterna”). O roteiro foca os obstáculos estruturais do início da carreira do artista e suas raízes na periferia de Brasília. A produção utiliza locações no Distrito Federal para imprimir realismo à ambientação urbana, trazendo Gabriel Santana (“Pantanal”) como o MC em ascensão.
Em sua tentativa de inovar dentro do rap, introduzindo temáticas de ostentação, ele enfrenta resistência e preconceito dos colegas do gênero. Com o auxílio do amigo Gabiru, vivido por Ramon Brant (“No Ritmo da Fé”), acaba superando pressões familiares e dificuldades financeiras para gravar sua primeira fita demo. O elenco ainda conta com André Ramiro (“Tropa de Elite”) e participações de figuras do hip-hop como DJ Jamaica, numa trama inspiracional sobre perseverança.
🎞️ AQUI NÃO ENTRA LUZ
O documentário da diretora Karol Maia (“Nossa História Invisível”) acompanha a realidade das empregadas domésticas, pautado pela denúncia das heranças da escravidão na sociedade contemporânea do Brasil. Vencedor dos prêmios de Melhor Direção e Zózimo Bulbul no Festival de Brasília, o longa aponta como a concepção de moradia e do “quarto de empregada” foi forjada para sustentar barreiras segregacionais.
Filha de trabalhadora doméstica, a cineasta resgata relatos íntimos para retratar a conexão secular entre as condições das antigas senzalas e as relações trabalhistas vigentes nas grandes metrópoles. Projeto de investigação e denúncia, o longa é organizado a partir de uma vivência íntima que amplia o alcance de seu tema.
🎞️ ECLIPSE
O suspense psicológico é roteirizado, dirigido e protagonizado por Djin Sganzerla (“Mulher Oceano”). A personagem da cineasta é Cleo, astrônoma de 43 anos e grávida, que é surpreendida pela visita inesperada de Nalu, sua meia-irmã mais nova, de ascendência indígena. A chegada traz à tona um segredo perturbador sobre a infância das duas, despertando memórias fragmentadas e antigos traumas que Cleo havia enterrado, além de pôr em movimento uma investigação perigosa sobre o marido da protagonista. Ambas mergulham nos perigos obscuros da Deep Web e enfrentam ameaças e passatempos sombrios.
À medida que a investigação avança, o filme trabalha a dualidade entre um olhar científico e racional, representado pela perspectiva de Cleo, e a intuição e conexão espiritual ligada à ancestralidade indígena de Nalu. Lian Gaia (“Aruanas”) dá vida à irmã investigadora, enquanto Sérgio Guizé (“Verdades Secretas 2”) interpreta o marido. Nomes consagrados da dramaturgia brasileira fortalecem a obra em papéis secundários, como Selma Egrei (“Nosso Lar”), Luís Melo (“O Auto da Compadecida”) e Helena Ignez (“O Bandido da Luz Vermelha”).
🎞️ EDIFÍCIO BONFIM
Rodado em Florianópolis, o terror brasileiro aborda o universo mítico catarinense. A produção sob o comando da estreante Ligia Walper flerta com suspense e elementos do horror sobrenatural para dar vida às lendas urbanas da região.
A estrutura do filme cruza três narrativas distintas — “Criatura”, “Trilha da Costa” e “Formando” —, que se entrelaçam pelos corredores do mesmo prédio. Após uma tensa reunião de condomínio, episódios bizarros como sequestros e ataques mortais começam a aterrorizar o local, com direito a bruxas e serial killers convivendo com os moradores. O elenco é encabeçado por atores catarinenses como Gabi Petry (“As Aventuras de Poliana”), Vinícius Wester (“Malhação”) e Sandro Maquel (“A Família”).
🎞️ DOLLY – A BONECA MALDITA
O terror independente dirigido por Rod Blackhurst (“Amanda Knox”) aposta em violência gráfica e estética retrô. A protagonista (Fabianne Therese, “Southbound”) é uma jovem que tem a vida interrompida após um encontro com uma figura mascarada em uma área isolada. A narrativa se desenvolve a partir de seu sequestro por um agressor vestido como uma boneca monstruosa, que passa a mantê-la em cativeiro com o objetivo de criá-la como filha. O enredo gira em torno dessa relação distorcida enquanto acompanha a luta da personagem pela sobrevivência.
O filme se insere na tradição do terror rural e dialoga diretamente com o gênero slasher dos anos 1970, com referências assumidas a esse período, tanto na construção visual quanto na abordagem de violência explícita. A própria descrição oficial destaca a mistura entre o extremismo europeu contemporâneo e o horror americano clássico. Cumpre seu objetivo com cenas brutais, mas sem inovar nas convenções do gênero. O resultado é consistente com seus 63% de aprovação no Rotten Tomatoes.
🎞️ NINO DE SEXTA A SEGUNDA
O drama francês acompanha Nino, um jovem de 29 anos que, durante um exame de rotina em uma sexta-feira, recebe o diagnóstico de câncer na garganta e a instrução médica de iniciar o tratamento na segunda-feira seguinte. A narrativa se concentra integralmente nos quatro dias que separam a notícia do procedimento clínico, acompanhando o protagonista pelas ruas de Paris, demonstrando seu deslocamento emocional sem recorrer ao sentimentalismo.
Théodore Pellerin (“Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre”) interpreta o papel principal, um homem introspectivo que tenta processar a possível finitude às vésperas de completar 30 anos. O filme marca a estreia na direção de longas-metragens de Pauline Loquès, que também assina o roteiro e foi premiada com o César (o Oscar francês) de Melhor Primeiro Filme.
🎞️ ERA UMA VEZ MINHA MÃE
Inspirado no romance autobiográfico do advogado francês Roland Perez, o drama franco-belga começa em 1963 e celebra a resiliência familiar diante de adversidades médicas. O enredo foca no nascimento de Roland, que vem ao mundo com o pé torto e o diagnóstico de que nunca conseguiria andar. Desafiando as expectativas, sua mãe judia, Esther, trava uma batalha ao longo da vida para proporcionar ao menino uma rotina normal, amparada pela influência simbólica da cantora Sylvie Vartan. A proposta narrativa deixa a doença em segundo plano para celebrar a força de uma mãe que transforma cuidado em projeto de vida.
O elenco principal é protagonizado por Leïla Bekhti (“O Profeta”) no papel de Esther, trabalho que lhe rendeu indicação ao César (O Oscar francês). Jonathan Cohen (“Army of Thieves: Invasão da Europa”) interpreta o pai, e a própria Sylvie Vartan figura na obra, conferindo tom metalinguístico à produção.