
Divulgação/Netflix
Bruno Gagliasso detona curso de masculinidade de Juliano Cazarré: “Vergonhoso”
Ator chamou projeto de "triste e feio", criticou falas sobre mulheres e rejeitou diálogo com extremismo: "Papel do homem é ouvir"
Ator critica projeto
O ator Bruno Gagliasso fez duras críticas ao curso de masculinidade idealizado por seu colega de profissão, Juliano Cazarré. Em entrevista concedida ao videocast “Conversa Vai, Conversa Vem”, do jornal O Globo, Gagliasso classificou a iniciativa, que promete ensinar “o que é ser homem”, como uma ideia “triste, feia e vergonhosa”.
O que disse Gagliasso?
O artista demonstrou profunda indignação com os argumentos utilizados na promoção do projeto, destacando o perigo de se disseminar dados falsos sobre violência de gênero. No desabafo, Gagliasso acusou Cazarré de distorcer fatos reais para inflar as vendas do workshop. “[Esse projeto] é triste, feio e vergonhoso. E ficou mais grave porque [o Cazarré] começou a mentir agora. A gente não pode dar palco para um cara que está falando que as mulheres matam mais do que os homens. E ainda ganha dinheiro com isso”, disparou o ator.
Em uma reflexão mais ampla, Bruno admitiu que sente sérias dificuldades para interagir e dialogar com pessoas que compartilham de posicionamentos políticos divergentes, contrapondo sua visão assumidamente de esquerda à postura de direita de Juliano. “Eu não consigo, não tenho diálogo. Não vou conversar com uma pessoa que faz curso para dizer o que é ser homem.”
Qual é o papel do homem na atualidade?
Para Gagliasso, ser homem é o oposto daquilo que o curso de Cazarré pretende ensinar. Casado com Giovanna Ewbank, ele refletiu que o papel do homem hoje é “mais de ouvir” as mulheres, em vez de endossar discursos que pregam uma superioridade masculina em detrimento da liberdade feminina.
“Penso que o nosso papel [de homem] é muito mais de ouvir. Não é possível que a gente queira ser protagonista numa época com tanta mulher morrendo e red pill falando m*rda. É um absurdo tão grande, tudo muito sério. Estão querendo construir o que é ser homem. Para mim, ser homem é ser totalmente o oposto do que essas pessoas estão dizendo. É estar disposto a se desconstruir e aprender o tempo inteiro. Aprendendo o tempo inteiro com a minha mulher e com a minha filha.”
Bruno Gagliasso também disse que repreende amigos que reproduzem falas machistas. “Acho que estamos passando por uma evolução e, consequentemente, vem essa onda contrária, que é um alerta. Penso que quem está, de fato, se preocupando em ser homem e dar exemplo deve fazer o oposto do que estão fazendo.”
Por que projeto de Cazarré gera polêmica?
Juliano Cazarré anunciou o curso de masculinidade “O Farol e a Forja”, propondo o resgate de conceitos tradicionais e conservadores sobre o papel do homem na sociedade, colidindo com debates atuais sobre igualdade de gênero. Divulgado como o “maior encontro de homens do Brasil”, o curso tem como lema a ideia de que “o mundo precisa de homens que assumam seu papel”.
A iniciativa gerou críticas abertas da classe artística, mobilizando principalmente colegas de elenco do próprio Cazarré. Em resposta aos protestos de seus pares, o idealizador agradeceu publicamente pela “publicidade gratuita”, afirmando que a repercussão negativa ajudou a impulsionar as vendas dos ingressos para o evento marcado para julho, que custam entre R$ 1,7 mil e quase R$ 6 mil.