
Divulgação/A Visionary Film
Val Kilmer é primeiro ator ressuscitado por IA em trailer de filme inédito
Astro de "Top Gun" interpreta padre no longa "As Deep As The Grave", produção aprovada pela família do artista morto em 2025
O retorno digital às telas
O ator Val Kilmer, imortalizado por seu papel em filmes como “Top Gun: Ases Indomáveis” (1986) e “The Doors” (1991), “retornará” aos cinemas quase um ano após o seu falecimento. O primeiro trailer de “As Deep As The Grave” foi divulgado nesta quarta-feira (15), revelando a recriação digital completa do astro através do uso de inteligência artificial.
O ator norte-americano, que morreu em 2025 aos 65 anos devido a complicações de um câncer na garganta, havia sido escalado para interpretar o padre Fintan. No entanto, o agravamento de sua doença o impediu de comparecer ao set e participar de um único dia sequer das gravações do projeto.
A solução encontrada pela equipe de produção foi utilizar a tecnologia generativa para incluí-lo na versão final do longa-metragem. A recriação digital de sua imagem e voz foi realizada com a devida autorização e o apoio ativo do espólio do ator e de sua filha, Mercedes Kilmer.
O desejo final do artista
O diretor e roteirista da obra, Coerte Voorhees, justificou a decisão artística em entrevista à revista Variety. “A família dele não parava de dizer o quanto achava que o filme era importante e que o Val queria muito fazer parte disso”, explicou o cineasta.
“Ele realmente achava que era uma história importante na qual ele queria colocar o seu nome. Foi esse apoio que me deu a confiança para dizer: ‘ok, vamos fazer isso’. Apesar do fato de que algumas pessoas possam considerar controverso, era isso que o Val queria”, argumentou Voorhees.
Em um comunicado anterior, o diretor já havia destacado a forte conexão espiritual que Kilmer sentia com o roteiro. “Quando Val se juntou ao projeto há cinco anos, ele imediatamente se identificou com a figura espiritual histórica do sudoeste americano, representada pelo padre Fintan, e compreendeu a importância de divulgar a incrível história de Ann Morris como a primeira arqueóloga da América do Norte”, relatou. “Foi uma grande pena que sua saúde na época o tenha impedido de desempenhar esse papel que lhe era tão importante espiritual e culturalmente.”
A trama e a relevância do personagem
“As Deep As The Grave” é baseado em uma história real e acompanha a trajetória dos arqueólogos Ann Morris, vivida por Abigail Lawrie (“Tin Star”), e Earl Morris, interpretado por Tom Felton (“Harry Potter”). A narrativa explora os trabalhos de escavação realizados pelo casal no Canyon de Chelly, no Arizona, em busca de respostas sobre a história do povo indígena Navajo. O elenco também inclui a indicada ao Oscar Abigail Breslin (“Pequena Miss Sunshine”).
Durante o painel de apresentação na convenção CinemaCon, realizada nesta quarta-feira (15/4), Voorhees assegurou que a participação de Val Kilmer não se limita a uma pequena ponta ou homenagem passageira. O diretor confirmou que o personagem recriado por inteligência artificial possui um peso substancial na história, aparecendo em cena por mais de uma hora de duração do filme.
A polêmica do uso de IA em Hollywood
A aplicação de ferramentas de inteligência artificial na recriação de rostos e vozes tornou-se o centro de um intenso debate ético e legal na indústria audiovisual contemporânea. O tema foi o grande estopim da histórica greve conjunta promovida pelos sindicatos de atores e roteiristas de Hollywood.
Embora o novo acordo firmado pelo sindicato dos atores (SAG-AFTRA) tenha estabelecido proteções contra o uso não remunerado de performances para o treinamento de inteligências artificiais, o texto final ainda deixou brechas que permitem certas aplicações consentidas. Paralelamente, o sistema jurídico norte-americano tem discutido novas legislações para proteger os direitos de imagem digital de artistas após as suas mortes.