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U2 lança novo disco surpresa sobre guerra e religião: “Coisas horríveis em nossas telinhas”
A banda irlandesa liberou "Easter Lily" na Sexta-Feira Santa, abordando reflexões profundas sobre os dias atuais
As reflexões da nova coletânea do U2
A banda irlandesa U2 lançou de surpresa o EP “Easter Lily” nesta Sexta-Feira Santa (3/4). O novo trabalho reflete sobre temas pesados como a presença de crianças envolvidas na guerra e a necessidade de esperança. O título da obra também faz uma homenagem direta à cantora Patti Smith, que lançou o aclamado álbum “Easter” no ano de 1978.
O vocalista Bono publicou uma carta no Instagram oficial do grupo detalhando o tom confessional do projeto. “Com ‘Easter Lily’, acabamos fazendo perguntas muito pessoais, como: nossos relacionamentos estão à altura desses tempos desafiadores? O quanto lutamos pela amizade? Nossa fé pode sobreviver à deturpação de significado que esses algoritmos adoram recompensar?”, questionou o artista.
O cantor também expôs os questionamentos religiosos que embalam o novo lançamento. “Toda religião é uma bobagem e continua nos destruindo, ou existem respostas em suas entrelinhas? Existem cerimônias, rituais, danças que talvez estejamos perdendo em nossas vidas? Do rito da primavera à Páscoa e sua promessa de renascimento e renovação…”, escreveu.
A parceria com Brian Eno
A banda definiu “Easter Lily” como um conjunto mais reflexivo de canções. O EP marca o reencontro musical do grupo com o produtor e compositor britânico Brian Eno (“The Joshua Tree”) na faixa “COEXIST (I Will Bless The Lord At All Times?)”.
O produtor descreveu o impacto da colaboração em depoimento à Propaganda, revista dedicada aos fãs da banda. “Observar o avanço global do fascismo é desanimador. Eu estava lendo sobre mais um incidente abominável – desta vez em Israel – quando Bono me enviou a versão finalizada desta música. Ela teve um efeito poderoso sobre mim”, comentou Eno.
O sucessor de “Days of Ash” e um disco a caminho
O novo material sucede “Days of Ash”, o primeiro lançamento com músicas inéditas do grupo desde 2017, que foi liberado na Quarta-Feira de Cinzas de fevereiro. O disco anterior reuniu seis canções e um poema com o tema da repressão. O repertório abordou a violência do Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos (ICE), os confrontos na Faixa de Gaza e os protestos contra o aiatolá Ali Khamenei no Irã.
Apesar da sequência de lançamentos curtos, Bono fez questão de frisar que os fãs podem aguardar um projeto mais robusto. “Estamos no estúdio, ainda trabalhando em um álbum barulhento, caótico e ‘extremamente colorido’ para tocar ao vivo, que é onde o U2 se sente em casa. Ainda buscamos no rock n’roll vibrante um ato de resistência contra toda essas coisas horríveis em nossas telinhas”, prometeu o cantor.
Ouça o disco