
Instagram/Juliano Cazarré
Juliano Cazarré é detonado por atrizes após anunciar evento da “machosfera”
O ator criou um projeto exclusivo para o público masculino chamado "O Farol e a Forja", alegando que a sociedade atual enfraqueceu os homens
O projeto voltado para homens
O ator Juliano Cazarré virou alvo de duras críticas nas redes sociais ao anunciar a criação do que classificou como “o maior encontro de homens do Brasil”. A iniciativa, batizada de “O Farol e a Forja”, propõe fortalecer o público masculino diante de uma suposta “fragilização” imposta pela sociedade contemporânea.
O evento presencial, que vai acontecer em julho na cidade de São Paulo, promete debates e palestras exclusivas para homens sobre liderança, empreendedorismo, masculinidade, paternidade e vida espiritual cristã.
Qual é a justificativa do ator?
Cazarré, que assumiu uma postura publicamente conservadora após se converter ao catolicismo em 2018, baseia seu estilo de vida no patriarcado e na definição rígida de papéis no casamento. Ele é casado com Letícia Cazarré, com quem tem seis filhos.
Em sua defesa, o ator argumentou que o projeto nasceu da “recusa em ficar calado” ao observar que as famílias estão “se desfazendo” porque os homens estariam “perdidos”. Ele criticou o que chamou de movimentos progressistas e afirmou que a sociedade está pagando um preço alto por ter “enfraquecido os homens”.
Ciente de que a temática geraria controvérsia por evocar movimentos extremistas da internet, como a “machosfera” ou a ideologia “red pill”, o material de divulgação do próprio evento já antecipava a reação: “Ele sabia que ia apanhar. E criou esse evento mesmo assim”. Cazarré alega já ter sido cancelado diversas vezes “por defender a família e por não pedir desculpas por ser homem”.
A reação e as críticas das famosas
A repercussão do anúncio foi imediata, especialmente entre colegas de trabalho da TV Globo, que apontaram os perigos de reforçar o machismo estrutural em um país que sofre com altas taxas de violência de gênero.
A atriz Marjorie Estiano foi uma das primeiras a confrontar a narrativa do colega. “Juliano, você não criou… Você só está reproduzindo em maior ou menor grau, na verdade, um discurso que já é ampla e profundamente difundido, enraizado e que mata mulheres todos os dias. Por favor, dá uma olhada para isso”, aconselhou.
Elisa Lucinda também repudiou a iniciativa, classificando-a como um retrocesso. “Desculpa, meu colega, mas você está indo na contramão dos avanços do mundo. Acho essa sua iniciativa aí um grande e preocupante delírio”, disparou.
O coro de indignação seguiu com outras atrizes veteranas. Cláudia Abreu lembrou que o Brasil é “um país com recorde de feminicídios”, enquanto Betty Gofman se mostrou perplexa: “Gente, que criatura incompreensível esse ator, esse homem”. Silvia Buarque resumiu a situação afirmando que o projeto “é um equívoco atrás do outro”.
Artistas como Guta Stresser, Julia Lemmertz, Paulo Betti e o humorista Paulinho Serra também manifestaram repúdio à proposta encabeçada pelo ator.