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Ilustração/Gemini

Etc,  TV|29 de abril de 2026

Governo Trump investiga a Disney após piada de Jimmy Kimmel

A FCC ordenou a revisão antecipada das licenças de todas as emissoras da ABC, em uma decisão considerada sem precedentes em quase um século de história do órgão regulador


Pipoque pelo Texto ocultar
1 Investigação sem precedentes
2 A piada que virou crise
3 A reação oficial
4 Liberdade de imprensa no centro do debate
5 Teste para a nova gestão da Disney

Investigação sem precedentes

O que começou como uma piada de late night nos Estados Unidos rapidamente escalou para um confronto institucional entre o governo de Donald Trump e a The Walt Disney Company. A agência reguladora Federal Communications Commission (FCC) determinou a revisão antecipada das licenças de todas as emissoras pertencentes à ABC, rede controlada pela Disney, dando à empresa um prazo de 30 dias — até 28 de maio — para apresentar as solicitações de renovação. A medida antecipou em anos o calendário originalmente previsto, que só discutiria as concessões entre 2028 e 2031.

A piada que virou crise

O estopim imediato foi uma piada feita pelo apresentador Jimmy Kimmel em seu late show na quinta-feira (23). Ao comentar a relação do casal presidencial, Kimmel disse que Melania Trump tinha o “brilho de uma futura viúva”. Dois dias depois, no sábado (25), Trump sofreu um atentado e resolveu destacar a declaração nas redes sociais, dando-lhe um novo sentido. Na segunda-feira (27), o presidente pediu publicamente a demissão de Kimmel. Melania foi além e afirmou que “é hora de a ABC tomar uma posição”.

Kimmel respondeu no ar: “Obviamente era uma piada sobre a diferença de idade deles e a cara de alegria que vemos no rosto dela quando eles estão juntos”, disse o apresentador ao tentar contextualizar a declaração.

A reação oficial

Na terça (28), a FCC, presidida por Brendan Carr — indicado por Trump —, foi atrás das emissoras pertencentes à ABC. O documento oficial não cita diretamente a piada de Kimmel como motivação, justificando a ação por supostas violações regulatórias, incluindo investigação sobre as políticas de diversidade e inclusão da empresa. Para o governo Trump, empresas que buscam maior diversidade cometem crime de preconceito contra homens brancos.

Até ex-integrantes do órgão classificam a iniciativa como sem precedentes em quase um século de existência da FCC. Tom Wheeler, que comandou a agência durante o governo Barack Obama, classificou a medida como “coerção”. A atual comissária Anna Gomez foi ainda mais direta: chamou a iniciativa de “ilegal” e sem chances de prosperar juridicamente. Na prática, a revogação de licenças de transmissão é extremamente rara nos EUA e exigiria um processo longo, com alta probabilidade de contestação judicial.

Liberdade de imprensa no centro do debate

O caso reacendeu o debate estrutural nos Estados Unidos sobre os limites entre regulação, discurso político e liberdade de expressão. A Primeira Emenda da Constituição americana protege amplamente manifestações de sátira e humor político — exatamente o tipo de conteúdo produzido por Kimmel.

Apostando no apoio de uma Suprema Conservadora, Trump não tem se constrangido a atacar empresas e jornalistas críticos. Sua pressão já levou a CBS a anunciar o fim do programa Stephen Colbert. O canal é controlado pela Paramount Skymedia, que se submeteu a eliminar programas críticos ao governo em meio a negociações regulatórias. Após a Skymedia adquirar a Paramount, a empresa agora visa aprovar sua compra da Warner Bros. Discovery.

Teste para a nova gestão da Disney

A crise representa o primeiro grande teste para Josh D’Amaro, novo CEO da Disney, que assumiu o cargo em um momento de crescente pressão política sobre o setor de mídia nos EUA. A empresa afirmou que suas emissoras operam em conformidade com as regras e destacou seu histórico de prestação de serviço público. Mas o caso aumenta a pressão sobre grandes conglomerados de comunicação que agora passam a enfrentar desafios políticos junto aos desafios comerciais.

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