
Divulgação/Lionsgate
Cinebiografia de Michael Jackson é reprovada pela crítica internacional
Apesar das altas expectativas e atuações elogiadas, o longa foi descrito como superficial por focar apenas na música e ignorar polêmicas
Recepção decepcionante da crítica
A aguardada cinebiografia de Michael Jackson chega aos cinemas nesta quinta-feira (23/4) acompanhada de grande expectativa, mas sem convencer a crítica internacional. O filme “Michael”, dirigido por Antoine Fuqua (“O Protetor”), acumula uma recepção majoritariamente negativa entre os especialistas, registrando apenas 37% de aprovação na plataforma Rotten Tomatoes e a marca similar de 38 pontos no agregador Metacritic.
O longa se propõe a retratar a trajetória do Rei do Pop, desde os primeiros passos no grupo Jackson 5 até a consagração no auge de sua carreira solo, durante os anos 1980. No entanto, as principais publicações de entretenimento dos Estados Unidos, como Variety, The New York Times e Rolling Stone, criticaram o longa por apresentar problemas estruturais, uma narrativa superficial e a completa omissão de temas complexos da vida do cantor.
Cinebiografia convencional
A revista Variety classificou a obra como uma “cinebiografia luxuosamente convencional”. O texto aponta que o roteiro se apoia exclusivamente em elementos que o público já domina, sem apresentar novas camadas sobre a figura do astro. A publicação argumenta que, ao evitar abordar temas sensíveis como as acusações de abuso sexual infantil, a direção acabou criando “um certo vazio em seu âmago”.
O New York Times acompanhou essa linha de raciocínio, afirmando que a estrutura é tão previsível que “você consegue prever o desfecho”. Para a publicação, a produção se assemelha mais a uma sequência de grandes sucessos musicais do que a uma verdadeira investigação da intimidade do biografado. O jornal também criticou a reformulação do roteiro, que teria transformado a história em um conto plano de superação, retratando o artista como uma figura totalmente idealizada.
A postura de blindar a imagem do protagonista motivou a revista Rolling Stone a rotular o filme como uma “hagiografia” — termo utilizado para descrever obras que tratam seus biografados como santos. Na visão do crítico David Fear, a produção prefere “celebrar cegamente” o legado musical em vez de realizar uma análise profunda das controvérsias.
Não é filme, é publicidade
O site The Wrap foi implacável: “Não pode ser levado a sério, não importa o quanto tente parecer autêntico, porque não é realmente um história. É só uma publicidade em forma de filme, projetada como controle de danos”.
O jornal britânico The Independent resumiu: “Tudo o que “Michael” faz é recriar, de forma mecânica, os visuais mais famosos da carreira de Jackson, o que é certamente mais fácil. Por que se importar em descrever um ser humano quando se pode simplesmente apresentar um produto?”
Salvam-se as músicas e atuações de destaque
Apesar do consenso negativo sobre a superficialidade do roteiro, a crítica internacional reconheceu o forte apelo comercial da obra. O uso intenso da trilha sonora clássica do cantor foi apontado como âncora para sustentar o envolvimento da plateia.
Mesmo diante das falhas narrativas, as atuações foram amplamente elogiadas e consideradas os pontos altos da experiência. O novato Jaafar Jackson, sobrinho do homenageado na vida real, foi aclamado por sua capacidade de reproduzir não apenas a voz e os movimentos corporais do tio, mas também sua vulnerabilidade em cena. O ator Colman Domingo (“Euphoria”), que interpreta o abusivo patriarca Joe Jackson, também recebeu destaque por sua performance marcante.
Apesar da reprovação especializada, as análises reconhecem que a força do nome e o apelo nostálgico das músicas têm grande potencial para garantir uma bilheteria expressiva. A cinebiografia “Michael” estreia oficialmente nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (23/4), um dia antes do lançamento nos Estados Unidos.