
Divulgação/Globo
Cássia Kis será investigada após acusação de transfobia em shopping no Rio
Órgão confirmou denúncia feita por ativista e intimará a atriz para se defender após episódio no banheiro do Barra Shopping
Investigação oficial anunciada
O Ministério Público do Rio de Janeiro vai apurar uma acusação de transfobia contra a atriz Cássia Kis, de 68 anos. O caso ocorreu na sexta-feira (24/4) no banheiro do Barra Shopping, na zona sudoeste do Rio, e envolveu uma funcionária do estabelecimento, uma mulher trans chamada Roberta Santana.
Como foi o episódio no shopping?
Roberta aguardava na fila do banheiro feminino quando, segundo ela, Cássia Kis a abordou com comentários que questionavam sua presença no local. A mulher trans se sentiu constrangida e gravou o momento em vídeo.
Ao lado do vídeo, publicado nas redes sociais, Roberta escreveu: “Fui vítima de transfobia, a autora desse crime de ódio, a atriz Cássia Kis. Assim que eu entrei no banheiro, ela estava atrás de mim aguardando a fila e começou os ataques. Ouvi coisas absurdas, entrei em uma das cabines e ao sair ela continuava falando coisas horríveis e questionando minha presença no banheiro com uma das funcionárias”.
Ela seguiu descrevendo a situação: “Ouvi ela dizer que o Brasil estava perdido porque tinha ‘homem’ no banheiro, que não tinha uma placa ali autorizando minha entrada, coisas absurdas e deploráveis. Nunca me senti tão constrangida em todo minha vida”.
O que diz o MP-RJ?
Após o vídeo de Roberta viralizar, o ativista LGBTQIA+ Agripino Magalhães Júnior apresentou um requerimento para investigação ao MP-RJ. O órgão confirmou à coluna Outro Canal, da Folha de S. Paulo, o recebimento da denúncia e afirmou que as diligências começam na segunda-feira (27). A atriz será intimada para apresentar sua defesa.
Cássia Kis não se manifestou sobre o caso até o momento.
Cássia já responde por outro processo
Vale lembrar que a atriz é ré por homofobia na Justiça Federal desde outubro de 2024. A denúncia, movida pelo coletivo Antra e pelo ator José de Abreu, cita declarações dela em entrevista à jornalista Leda Nagle, em 2022.
Na ocasião, Cássia Kis disse que casais homoafetivos “não dão filho” e que certas atitudes visam “destruir a família” e “destruir a vida humana”. A ação civil pública pode resultar em multa de até R$ 1 milhão e corre na 2ª Vara Federal do Rio de Janeiro.
O espaço segue aberto para posicionamentos, declarações e atualizações das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.