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Instagram/Anitta

Música|17 de abril de 2026

Anitta lança “Equilibrium” com foco na espiritualidade e no Brasil

Em seu projeto mais caro, a cantora privilegia o português, traz parcerias com artistas nacionais e planeja turnê intimista focada no público brasileiro

Pipoque pelo Texto ocultar
1 Espiritualidade e conexão com o Brasil
2 A conexão com o Candomblé
3 Enfrentando a intolerância religiosa
4 A volta ao Brasil
5 Colaborações e produção de alto custo
6 Visão política e defesa do equilíbrio
7 Expectativas e turnê focada no Brasil

Espiritualidade e conexão com o Brasil

A nova era de Anitta começou com o lançamento do álbum “Equilibrium”. Em coletiva de imprensa, a cantora revelou que o projeto é carregado de uma energia distinta de seus trabalhos anteriores, focando em temas como espiritualidade e um retorno às suas raízes brasileiras.

A conexão com o Candomblé

“Não é sobre religião, é sobre um estado de espírito”, explicou a artista ao esclarecer o conceito da obra, que foi construída com um caráter quase ritualístico, respeitando a lógica do Candomblé ao iniciar com saudações às Pombagiras. “O primeiro é saudar o Exu para depois fazer qualquer outra coisa”, disse Anitta.

Ela afirmou que utiliza referências do Candomblé para tratar de uma conexão mais ampla: “Espero que impacte o público dessa maneira de se sentir inteiro por dentro, de sentir que a gente pode encontrar respostas em vários lugares”.

Enfrentando a intolerância religiosa

Anitta abordou de forma direta o preconceito religioso, reconhecendo que a arte possui limites diante do ódio, mas destacando a força da representatividade.

Para ela, a intenção principal é o bem-estar pessoal que a religião proporciona. “As pessoas que já têm esse ódio dentro delas não sei se estão abertas para respeitar o lugar do outro. Nem acho que seja essa a minha intenção. A minha intenção é trazer o que me faz sentir bem e acho que, por consequência, pode ser que pessoas que já seguem a religião se sintam mais fortes”, afirmou.

A volta ao Brasil

A jornada sonora começa na faixa “Desgraça” e percorre um caminho que passa por “Meia-Noite” até chegar ao encerramento com “Ouro”, faixa dedicada à reflexão e ao silêncio. Pela primeira vez em anos, Anitta se dedica quase exclusivamente ao português, deixando o inglês apenas em rastros.

Diferente de “Funk Generation” (2024), que explorou a identidade do funk para o mercado global, o novo disco surge após um ano sabático e marca a decisão de Anitta de voltar a morar no Rio de Janeiro. O álbum foi gravado majoritariamente em seu estúdio caseiro, onde recebeu diversos colaboradores nacionais.

Musicalmente, o disco é visto como a versão da cantora para um álbum de nova MPB. O trio de duetos formado por “Mandinga”, com Marina Sena, “Caminhador”, com Liniker, e “Bemba”, com Luedji Luna, são apontados como os pontos altos do projeto.

Colaborações e produção de alto custo

Entre as 15 faixas, destaca-se “Choka Choka”, gravada com Shakira. A parceria aconteceu de forma orgânica em Miami. “A Shakira já era uma amiga, e a gente mora bem pertinho aqui em Miami. Eu mostrei o álbum pra ela e ela escolheu essa música pra gente gravar junto”, contou.

Além das parcerias femininas, o disco conta com Ebony, Os Garotin, Rincon Sapiência e o grupo Ponto de Equilíbrio na faixa de reggae “Deus Existe”. A produção envolveu nomes como Papatinho, Iuri Rio Branco e Carlos do Complexo.

Anitta afirmou que, apesar de feito no Brasil, este foi o investimento mais caro de sua trajetória. “Acho que as pessoas não têm noção do quanto se gasta pra fazer um álbum”, disse, mencionando custos elevados com viagens e audiovisual, mas ressaltando que estava muito feliz curtindo o processo criativo.

Visão política e defesa do equilíbrio

Ao falar sobre o cenário político atual, a artista defendeu a necessidade de um debate público menos extremista e criticou a polarização. “As pessoas têm brigado muito. A gente tem sido muito extremista na nossa forma de se posicionar politicamente”, afirmou.

Ela defendeu ideias que apoiem minorias e pessoas com menos oportunidades, conectando o pensamento à sua própria história. “Eu, como nasci numa realidade bem pobre, tive muito pouca oportunidade, tive que ralar muito pra chegar lá. É bem injusto”, desabafou.

Anitta também comentou sobre as críticas que recebe por buscar um caminho intermediário: “As pessoas ridicularizam quem tenta ficar no meio-termo: ‘Ah, você tá em cima do muro’. A única solução é a gente chegar num senso mais próximo possível”.

Expectativas e turnê focada no Brasil

A turnê de “Equilibrium” terá foco total no Brasil, com um formato mais intimista. “Cada trabalho pede um tipo de show. Esse álbum traz o oposto: silêncio, tranquilidade, uma sonoridade específica, muita religiosidade”, explicou.

A cantora avisou que o repertório será centrado no novo disco e que pretende priorizar cidades que não receberão seus ensaios carnavalescos no próximo ano. “Quem for, tem que ter escutado o álbum inteiro, porque é isso que eu vou cantar”, avisou.

Sobre o reconhecimento internacional e o Grammy, a artista demonstrou desapego e foco na autonomia. “Eu nunca ganhei, né? E não trocaria o que conquistei por um Grammy”, declarou, reforçando que sua prioridade hoje é a liberdade artística em sua língua nativa.

 

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