
Divulgação/Globo
Por que a Globo não quer Ana Paula campeã do BBB 26?
Jornalista é a única favorita não agenciada pela emissora, o que cria questão comercial e alimenta teorias de perseguição
O que foi esse Monstro?
Após um sábado (28/3) marcado por controvérsias da produção do BBB 26 e cara fechada do apresentador Tadeu Schmidt, a desconfiança sobre o tratamento dado a Ana Paula Renault começou a sair do terreno das teorias de conspiração. O risco de desclassificação por emergência médica no Castigo do Monstro foi real, segundo relatos da própria participante e sua aliada Milena Moreira, que expuseram na Globoplay saturação de oxigênio em 70% (patamar de perigo para órgãos vitais como cérebro e coração) e intervenção externa da Samu.
Sincerão já tinha sido duro
A situação extrema acendeu um alerta. A participante já tinha reclamado de jatos mais fortes de fumaça com tinta durante o Sincerão da segunda passada (23). Reclamou que estava sendo machucada e recebeu resposta ríspida de Tadeu, afirmando que era igual para todos. Imagens compiladas nas redes sociais contestaram a afirmação, exibindo comparações que a edição linear omitiu.
Do mesmo modo em que que a edição de sábado omitiu a situação do Monstro, a edição do Sincerão exibida na terça (24), com as partes mostradas ao vivo apenas para os assinantes da Globoplay, eliminou toda a interação polêmica de Tadeu com Ana Paula, como se nunca tivesse acontecido. O tom cortado beirava a grosseria e foi repudiado nas redes sociais.
Dizem que é pra aguentar sem reclamar
O mesmo tom pautou o Big Boss diante das reclamações sobre o Monstro desumano no sábado. Recentemente, Jordana Morais questionou a produção sobre detalhes contratuais, que são sigilosos, e isso foi ao ar porque, no contexto, poderia deixar Ana Paula ser vista como privilegiada. Entretanto, ela e Milena não puderam reclamar do castigo radical, comparado com “tortura” nas redes sociais, sem ouvir proibições do Big Boss.
Falas dos rivais Jordana e Alberto Cowboy, editadas no programa da TV Globo, serviram para reforçar o discurso oficial. É igual para todos, Ana Paula faz mimimi, é mimada, etc.
Muitas teorias, um fato real
O que há por trás desse reforço narrativo, contrária à versão da favorita? Fãs de Ana Paula, que compõem a maior torcida do BBB 26, têm várias teorias. As redes sociais oferecem dezenas de conspirações, de posições políticas a preferências pessoais. Mas há um fato incontornável. O grande favoritismo de Ana Paula é um problema comercial.
A jornalista, assim como Juliano Floss e Solange Couto entre os atuais confinados, não são contratados da ViU, agência de influenciadores da Globo. A colunista Carla Bittencourt, do portal Leo Dias, publicou que, por conta disso, a emissora estaria tratando o favoritismo de Ana Paula realmente como um problema em reuniões comerciais.
Ana Paula recusou a oferta da ViU por lealdade aos profissionais que já trabalhavam com ela, mas também pela avaliação de que a Globo não apresentava condições diferenciadas. O canal manteve o convite, levando em consideração que seu nome atrairia espectadores, mas apostando que ela seria eliminada com rejeição pelo perfil polarizador e potencialmente antipático. Só que o público surpreendeu. A “bruxona” mal-humorada foi abraçada de uma forma que os responsáveis pela negociação não conseguiram prever.
Quem daria lucro como campeão?
Na lista dos veteranos, os eliminados Babu Santana e Sarah Andrade também não tinham acordo comercial com a Globo. Os dois são agenciados pela Mynd8, que muitos acusam de “máfia digital”. Já Ana Paula é contratada pela First Digital. Os demais, Sol Vega, Jonas Sulzbach e Alberto Cowboy, fecharam com a ViU, porque participaram do reality há mais tempo e estavam fora do circuito de influência digital.
A tolerância da produção com Jonas Sulzbach, que cometeu várias infrações gravíssimas sem punição, trouxe à tona o questionamento sobre uma suposta proteção aos agenciados. Várias falas problemáticas de Alberto Cowboy também foram omitidas nas edições televisivas.
A teoria conspiratória foi reforçada com a preferência da produção por provas de habilidades físicas, em claro favorecimento à dupla Jonas e Cowboy, campeões de lideranças na temporada. Houve dinâmicas direcionadas especificamente para quem tinha maior altura e braços mais longos. Além disso, a única prova de habilidade intelectual foi realizada no momento em que perder era bom: na Prova Bate e Volta do Paredão Falso, em que Cowboy caiu com a pior pontuação possível. A apresentadora Ana Maria Braga no “Mais Você” e o quadro Mesacast da RedeBBB chegaram a pedir votos para Cowboy ir para o Quarto Secreto, indicando que esse resultado seria “melhor para a gente”.
Outro ponto questionado foi a forma como Tadeu definiu Jonas em seu discurso de eliminação. O apresentador fez questão de classificá-lo como “protagonista” da edição, o que aprofundou questionamentos sobre a condução e direcionamento do programa. Se Jonas é protagonista, Ana Paula seria, então, antagonista? A leitura do público que votou para eliminar o modelo reflete o oposto dessa narrativa.
Qual o problema com Ana Paula?
Consolidada como a maior favorita do público, Ana Paula virou um ativo de alto valor comercial, apta a firmar contratos milionários sem participação da emissora nesses ganhos. A Globo já recebeu o memorando: todos os patrocinadores do BBB 26 privilegiam a jornalista em suas postagens nas redes sociais, dedicando especial atenção para seus fãs.
Vale lembrar que a ViU foi criada após o fenômeno Juliette Freire faturar alto com a fama adquirida no reality, sem render nada à emissora que a revelou. Nos últimos anos, os contratos dos integrantes do grupo pipoca incluem uma cláusula de agenciamento exclusivo, o que fez de Beatriz Reis, do BBB 24, uma campeã de campanhas da empresa.
A vitória de Ana Paula representaria uma perda financeira enorme para esse projeto. Sem contrato com a ViU, ela está num reality onde enfrenta não apenas confinados, mas participantes que representam os interesses comerciais da emissora.
Aberto para contraditório
O texto apresenta uma avaliação baseada em apuração jornalística. Entretanto, o espaço segue aberto para o contraditório, posicionamentos, declarações e atualizações das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.