
Instagram/Carlos Roberto Massa
Ratinho dobra a aposta e diz que não pretende “ficar em silêncio”
Apresentador do SBT gravou vídeo para justificar declarações e afirmou que críticas políticas não configuram preconceito
Defesa nas redes sociais
O apresentador Carlos Massa, o Ratinho, publicou um vídeo revoltado nas redes sociais após se tornar alvo de um processo milionário movido pelo Ministério Público Federal (MPF). O contratado do SBT enfrenta acusações de transfobia e reivindicou seu direito de expressar opiniões.
O que disse o apresentador?
Em publicação no Instagram nesta sexta (13/3), o comunicador argumentou que suas falas não tiveram cunho discriminatório. “Defendo a população trans. Mas defendo também o direito de questionar quem governa. Crítica política não é preconceito. É jornalismo”, disparou, concluindo em tom exaltado: “Eu não vou ficar em silêncio!”
Incentivo a novas “críticas”
Na legenda do vídeo, ele incentivou outros profissionais a debaterem o assunto sem medo de represálias. “E não vou ficar em silêncio. Convido jornalistas, comentaristas, apresentadores: falem. Publiquem. Não fiquem em silêncio. Porque silêncio é conivência”, escreveu Ratinho.
Em seguida, publicou vários vídeos de políticos e influenciadores de direita nos Stories, repetindo preconceitos contra a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP).
Como começou a polêmica?
A confusão teve início na quarta (11/3), durante a exibição do “Programa do Ratinho”. O apresentador opinou sobre a eleição de Erika Hilton para o cargo de presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara. Em seu discurso em rede nacional, ele invalidou o gênero da deputada.
“Ela não é mulher, ela é trans. Eu não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres, mulher mesmo… Mulher para ser mulher tem que ser mulher, gente. Eu até respeito, respeito todo mundo que tem comportamento diferente, está tudo certo”, comentou. “Agora, para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias”, acrescentou o apresentador, que na sequência estendeu críticas à Pabllo Vittar e à comunidade LGBTQIA+ em geral.
Qual foi a reação de Erika?
A declaração provocou forte reação nas redes sociais e levou a deputada a acionar a Justiça e o Ministério das Comunicações contra o apresentador. “Ratinho, você pode até tentar me desumanizar, mas não vai apagar quem eu sou. Eu sou uma mulher trans eleita democraticamente por milhares de pessoas”, declarou.
A parlamentar destacou que discursos desse tipo em TV aberta reforçam a violência contra minorias. “O Brasil é o país que mais mata pessoas trans no mundo. Quando figuras públicas negam nossa identidade, isso legitima o preconceito”, afirmou.
O apresentador, por sua vez, reclamou do que chamou de “patrulhamento” nas discussões sobre identidade de gênero. “Eu respeito todo mundo, mas tenho direito de pensar do meu jeito”, declarou. “Hoje você fala alguma coisa e já dizem que é preconceito. Não tenho nada contra ninguém”, criticou.
Posicionamento do SBT e da Justiça
Após denúncia formalizada por Erika Hilton, o MPF assumiu o caso, cobrando uma indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos e pedindo a retirada do programa do ar. Desde 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu enquadrar a transfobia como crime de racismo, o que significa que manifestações discriminatórias contra pessoas trans podem ser punidas pela legislação brasileira.
A emissora paulista. por sua vez, emitiu uma nota oficial para se distanciar da conduta do funcionário. “O SBT repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa. As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores”, informou o canal.
Após a repercussão geral, Erika Hilton reforçou que a discussão vai além de um conflito individual. “Não se trata apenas de mim. Trata-se de milhões de pessoas trans que lutam diariamente para existir com dignidade neste país”, pontuou a deputada.