
Globoplay/BBB
MPF exige fim de desafios de resistência após casos de Ana Paula e Milena no BBB 26
O órgão estabeleceu prazo de 48 horas para a emissora acatar mudanças após participantes enfrentarem problemas de saúde na atração
Fim das provas de resistência
O Ministério Público Federal (MPF) enviou uma notificação à TV Globo recomendando o fim imediato dos desafios de resistência extremas e das punições severas no BBB 26. O órgão federal estabeleceu um prazo de 48 horas para que a direção da emissora responda se vai acatar as novas exigências para a reta final do programa.
Quais são as recomendações?
A notificação visa proibir qualquer dinâmica que restrinja o acesso a banheiros, água potável e comida. O MPF também pede o veto a provas que exijam mais de três horas ininterruptas em pé ou imponham isolamento com luzes intensas. Para disputas mais longas, a emissora precisará garantir intervalos regulares de descanso, hidratação e alimentação para os participantes.
O órgão determinou que competidores com problemas de saúde prévios sejam poupados de dinâmicas arriscadas, sem sofrer qualquer tipo de punição no jogo. A produção foi orientada a analisar o histórico médico de cada membro do elenco para evitar o agravamento de lesões ou doenças. O texto ainda recomenda que os participantes tenham o direito de desistir de provas ao sentirem mal-estar físico ou mental, livres de penalizações. Além disso, a Globo deve fornecer acompanhamento psicológico por tempo indeterminado aos eliminados.
Edição teve casos críticos
A medida do MPF foi motivada pelos recentes problemas de saúde registrados na atual edição do reality. O documento cita as convulsões sofridas pelo ator Henri Castelli em janeiro e o desmaio da participante Rafaella Jaqueira, que a eliminou durante o confinamento no Quarto Branco.
A notificação também menciona o episódio ocorrido na última semana, quando Ana Paula Renault e Milena Moreira precisaram de atendimento médico durante o Castigo do Monstro. A dinâmica exigia que a dupla ficasse em pé controlando refletores, sem poder dormir e se hidratar direito, ignorando ainda o fato de que Ana Paula passou por uma cirurgia na coluna há oito meses. A prova só foi suspensa porque Ana Paula, líder da semana, recusou-se a fazer uma dinâmica patrocinada por não ter condições físicas. Só então elas tiveram atendimento médico, revelando no Globoplay que a saturação de oxigênio chegou a 70% e ação de emergência do Samu.
A Globo escondeu a emergência médica na edição da TV aberta, deixando a impressão para os telespectadores que a jornalista estaria reclamando à toa por ser mimada, como verbalizaram Alberto Cowboy e Jordana Morais.
Críticas da Comissão Especial
O ofício do MPF foi acompanhado por uma carta da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP). O texto do grupo comparou o rigor das dinâmicas do programa aos métodos de tortura utilizados durante a ditadura civil-militar no Brasil. A comissão afirmou que “a emissora não apenas testa os limites de seus participantes, mas também os limites da nossa própria humanidade”.
A declaração reforça a impressão sobre algumas provas. A imprensa internacional chegou a chamar o desafio do Quarto Branco de “Big Tortura Brasil”.
A assessoria de imprensa da Globo ainda não se manifestou sobre o caso. O espaço segue aberto para posicionamentos, declarações e atualizações das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.