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Kesha detona Casa Branca por uso de hit em vídeo militar
Cantora acusou o governo de Donald Trump de utilizar "Blow" sem permissão para incitar violência e fazer apologia à guerra em publicação no TikTok
Artista protesta contra vídeo militar
A cantora pop Kesha utilizou suas redes sociais para expressar repúdio contra a Casa Branca. O motivo da indignação foi a inclusão da sua música “Blow” em um vídeo divulgado pelos perfis oficiais do governo americano. Segundo a artista, não houve nenhuma autorização prévia para o uso da canção, e ela caracterizou o conteúdo como um incentivo claro à violência.
Qual foi o conteúdo que causou revolta?
A publicação em questão foi lançada na internet no último dia 10 de fevereiro. O registro exibe a ação militar de um caça disparando um míssil contra um alvo naval, trazendo na descrição apenas a palavra “Lethality” (Letalidade). O alcance do vídeo foi expressivo no TikTok, onde contabilizou 14,5 milhões de reproduções e angariou 1,8 milhão de curtidas.
Embora a postagem estivesse circulando há semanas, a cantora só tomou conhecimento agora e decidiu se pronunciar abertamente agora. “Chegou ao meu conhecimento que a Casa Branca usou uma das minhas músicas no TikTok para incitar violência e ameaçar guerra”, declarou ela.
O que Kesha declarou sobre o vídeo?
A artista não poupou críticas à mensagem transmitida pelo governo. “Tentar fazer pouco caso da guerra é repugnante e desumano. Eu absolutamente não aprovo que minha música seja usada para promover violência de qualquer tipo. O amor sempre supera o ódio”, continuou o texto.
A popstar encerrou o pronunciamento com um pedido ao público e um ataque direto. “Por favor, amem a si mesmos e uns aos outros em tempos como este. Essa demonstração de desrespeito à vida humana e, francamente, esse ataque ao nosso sistema nervoso é o oposto do que eu defendo”, enfatizou ela, finalizando o protesto com uma menção provocativa ao presidente Donald Trump ao citar o escândalo dos “arquivos Epstein”.
Qual foi a resposta do governo americano?
Após a repercussão do caso, a imprensa internacional buscou contato imediato com a administração presidencial, mas não obteve retorno oficial da Casa Branca. No entanto, a manifestação da cantora não passou despercebida por membros do alto escalão do atual governo.
O diretor de comunicação Steven Cheung utilizou seu perfil na plataforma X (antigo Twitter) para compartilhar a queixa da estrela acompanhada de um comentário irônico. “Todos esses ‘cantores’ continuam caindo nessa. Isso só nos dá mais atenção e mais visualizações para nossos vídeos porque as pessoas querem ver do que eles estão reclamando. Obrigado pela atenção a esse assunto”, minimizou o assessor fazendo pouco caso de direitos autorais.
Quais outros artistas reclamaram de uso indevido?
A revolta de Kesha soma-se a uma crescente lista de reclamações do meio musical. Há poucos dias, membros da banda Radiohead manifestaram repúdio contra o Departamento de Segurança Interna (DHS) pela utilização da música “Let Down” em um material de apoio à agência de imigração (ICE). A banda de rock inglesa declarou não ter autorizado a execução e demandou a remoção do arquivo.
Essa mesma agência tem colecionado atritos com estrelas pop recentemente. No mês de novembro do ano passado, Olivia Rodrigo expôs seu descontentamento após a canção “All American Bitch” ser tocada em uma postagem do órgão. A jovem exigiu que sua obra não fosse atrelada a campanhas do DHS, que classificou como de teor racista.
Outras duas cantoras de destaque relataram problemas similares. Sabrina Carpenter reprovou a edição de um vídeo que uniu sua faixa “Juno” a cenas de estrangeiros sendo detidos na fronteira. No mês seguinte, em dezembro, SZA também se opôs publicamente ao uso de uma faixa que cantou no programa humorístico “Saturday Night Live” em uma ação de propaganda pró-ICE.