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Fala de Timothée Chalamet sobre ópera e balé gera crise antes do Oscar
Ator declarou que "ninguém mais se importa" com essas artes, gerando repúdio de bailarinos e grandes teatros
Declaração infeliz em evento
Uma fala recente de Timothée Chalamet (“Duna: Parte 2”) sobre um suposto desinteresse do público por espetáculos de ópera e balé criou uma crise de imagem para o ator às vésperas do Oscar 2026. A declaração polêmica ocorreu no dia 21 de fevereiro, durante um painel sobre a crise das salas de cinema promovido pela revista Variety e pelo canal CNN na Universidade do Texas, onde ele dividiu o palco com o ator Matthew McConaughey (“Interestelar”).
Ao debater sobre formas de expressão artística, o intérprete expressou desdém pelos formatos clássicos. “Eu não quero trabalhar com balé ou ópera, ou coisas que são tipo: ‘Ei, mantenha essa coisa viva, mesmo que ninguém mais se importe com isso'”, declarou. Logo em seguida, ele tentou amenizar o impacto: “Todo respeito ao pessoal do balé e da ópera por aí.”
Isso pode afetar a votação da Academia?
Apesar de o painel ter ocorrido no fim de fevereiro, a repercussão negativa nas redes sociais ganhou força apenas no início de março. Como a fase final de votação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas encerrou no dia 5 de março, a viralização do caso pode ter acontecido tarde demais para causar um impacto direto nas urnas da premiação.
No entanto, as chances do astro conquistar a estatueta de Melhor Ator por “Marty Supreme” (2025) já vinham despencando. Considerado o franco favorito no começo da temporada após faturar o Globo de Ouro e o Critics Choice Awards, ele perdeu força na corrida e sofreu derrotas em termômetros importantes como o Bafta e o Actor Awards.
Análises recentes de veículos especializados como Variety e The Hollywood Reporter apontam Michael B. Jordan como o novo favorito pelo trabalho em “Pecadores” (2025). Segundo avaliadores do mercado, o forte desgaste na imagem de Chalamet foi provocado por um estilo de campanha considerado agressivo e pelo fato de seu personagem no filme ser profundamente antipático, contrariando o padrão da categoria que costuma recompensar a empatia. A disputa ainda conta com o brasileiro Wagner Moura por “O Agente Secreto”, Ethan Hawke por “Blue Moon” e Leonardo DiCapripor “Uma Batalha Após a Outra”.
Como o setor artístico reagiu à polêmica?
A declaração gerou reações indignadas de diversas instituições de dança e música clássica. Um porta-voz da prestigiada Royal Opera House do Reino Unido destacou a influência histórica das apresentações em outras áreas culturais. “Por séculos, essas disciplinas formaram o modo de artistas criarem e do público viver a cultura, e hoje milhões de pessoas ao redor do mundo continuam se conectando com elas”, afirmou, ironizando no Instagram em seguida: “Se você quiser reconsiderar, nossas portas estão abertas.”
A classe profissional de bailarinos também rebateu o discurso. Megan Fairchild, principal nome do New York City Ballet, expôs seu descontentamento em um vídeo direto. “Timmy, eu não sabia que você era um dançarino ou cantor de ópera de nível internacional, que simplesmente escolheu não seguir na carreira porque atuar é mais popular. Balé e ópera não são hobbies nichados dos quais as pessoas saem por fama”, disparou.
O repúdio se estendeu a outras companhias famosas. O Metropolitan Opera, de Nova York, publicou um vídeo dos ensaios de sua equipe técnica acompanhado da frase “Todo respeito às pessoas da ópera (e do balé) por aí”, dedicando a postagem ao astro. Já a LA Opera, em Los Angeles, aproveitou a controvérsia para fazer marketing de uma de suas peças. “Sentimos muito, Timothée Chalamet. Gostaríamos de te oferecer ingressos para Akhnaten, mas estão esgotando. Ainda há alguns disponíveis se você correr”, alfinetou a equipe.