
YouTube/David Bowie
É Tudo Verdade destaca David Bowie na abertura da 31ª edição
O evento gratuito de cinema documental apresentará 75 produções, incluindo registro dos meses finais do cantor britânico
Filmes de verdade
O festival É Tudo Verdade revelou na terça (24/3) os títulos escolhidos para integrar a sua 31ª edição. O maior evento brasileiro voltado ao formato documental apresentará uma seleção de 75 obras originárias de 25 países, distribuídas entre longas, médias e curtas-metragens. A maratona cinematográfica ocorrerá de 9 a 19 de abril, ocupando diversas salas de São Paulo e do Rio de Janeiro com ingressos totalmente gratuitos.
Quais astros da música abrem o evento?
A cerimônia de abertura para convidados na capital paulista acontecerá no dia 8 de abril, na Cinemateca Brasileira, com a exibição do inédito “Bowie: O Ato Final”. Dirigida por Jonathan Stiasny, a obra detalha o processo criativo do astro britânico David Bowie durante a gravação de seu último disco, “Blackstar”, período em que o músico já enfrentava um diagnóstico de câncer no fígado. Ele faleceu em 10 de janeiro de 2016, apenas dois dias após o lançamento do projeto.
Já para o público carioca, a largada será dada no NET Rio com o longa “Vivo 76”, assinado pelo cineasta brasileiro Lírio Ferreira. A produção resgata materiais de arquivo raros e diversas entrevistas para traçar um retrato do cantor Alceu Valença. O filme celebra o cinquentenário do aclamado álbum “Vivo!”, de 1976, que registrou o show “Vou Danado pra Catende”, transformado em um marco da psicodelia nacional e da resistência ao regime militar.
O resgate de memórias históricas
A curadoria desta temporada priorizou narrativas focadas na preservação da memória e na reconstrução de acontecimentos por meio de recortes de arquivo. Na competição internacional, o documentário “Diciembre”, de Lucas Gallo, revive a crise que atingiu a Argentina em 2001, enquanto “Atlas de la Desaparición”, de Manuel Correa, conduz uma investigação forense sobre as vítimas do franquismo. Voltando o olhar ao cenário contemporâneo, “Shooting”, de Netalie Braun, utiliza registros inéditos para traçar um paralelo entre a indústria do cinema de Israel e a instável situação nas fronteiras do país.
O panorama nacional, por sua vez, privilegia biografias com os títulos “baby/" class="tag-link" title="Ver mais sobre Apocalipse Segundo Baby">Apocalipse Segundo Baby”, de Rafael Saar, e “Fernando Coni Campos: Cada Um Vive Como Sonha”, assinado por Luis Abramo e Pedro Rossi, que exploram as trajetórias da cantora Baby do Brasil (ex-Baby Consuelo) e do diretor dos filmes “Viagem ao Fim do Mundo” (1968) e “Ladrões de Cinema” (1977).
Outro destaque é “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai, exibido no Festival de Berlim 2026, que mostra meninas do sertão do Piauí relembrando as vivências de suas mães para projetar os próprios futuros.
Tributos e espaço para crianças
O cronograma do evento contará com uma retrospectiva dedicada aos 80 anos de Vivian Ostrovsky. A cineasta nascida nos Estados Unidos, que viveu parte da infância no Rio de Janeiro e estudou em Paris, foi pioneira na década de 1970 ao fundar a Ciné-Femmes International, além de assinar mais de 30 produções experimentais em Super-8. A organização também homenageará nomes fundamentais do audiovisual brasileiro mortos recentemente, exibindo filmes como “Sobre os Anos 60”, de Jean-Claude Bernardet, e “Os Anos JK: Uma Trajetória Política”, de Silvio Tendler.
Também serão lembrados os cineastas Luiz Ferraz e Rubens Crispim Jr., falecidos em um acidente aéreo na Amazônia, com a sessão de “Em Nome do Jogo”, além de Silvio Da-Rin, representado pelo documentário “Missão 115”.
“Estamos nos despedindo de uma geração de grandes criadores para o documentário nacional”, pontuou o criador do evento, Almir Labaki, sobre as perdas. Em contrapartida, a edição lançará o segmento inédito É Tudinho Verdade, focado no público infantil, que exibirá o trabalho de David Reeks e Renata Meirelles sobre as diversas formas de brincar em diferentes partes do país.
Lista de competidores
A seleção de longas e médias-metragens da disputa internacional inclui ainda as exibições de “BENITA”, de Alan Berliner, “Closure”, de Michał Marczak, “Tussen Broers”, de Tom Fassaert, “Una Película de Miedo”, de Sergio Oksman, “Fordlândia Panacea”, de Susana de Sousa Dias, “Mamá Está Acá”, de Adriana Loeff e Claudia Abend, “My Father and Qeddafi”, de Jihan, “The Eyes of Ghana”, de Ben Proudfoot, e “Tombeau de Glace”, de Robin Hunzinger.
Na categoria nacional, a competição oficial segue com os filmes “Patrulha Maria da Penha”, de André Bomfim, “Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas”, de Carlos Adriano, “Retiro – A Casa dos Artistas”, de Roberto Berliner e Pedro Bronz, e o documentário “Sagrado”, comandado por Alice Riff.