
Divulgação/Cannon
Chuck Norris morre aos 86 anos após internação no Havaí
O mestre das artes marciais construiu uma trajetória marcante no cinema de ação nas décadas de 1980 e 1990
Despedida de um ícone
O ator e campeão de artes marciais Chuck Norris faleceu aos 86 anos. O astro, que saltou para o estrelato com filmes de ação nos anos 1980 e com a longeva série “Chuck Norris: O Homem da Lei” (Walker, Texas Ranger), foi internado no Havaí na quinta-feira, e sua família divulgou um comunicado na manhã desta sexta (20/3) anunciando sua morte.
O que disse a família?
“Ele viveu sua vida com fé, propósito e um compromisso inabalável com as pessoas que amava. Através de seu trabalho, disciplina e bondade, ele inspirou milhões ao redor do mundo e deixou um impacto duradouro em tantas vidas”, disseram os familiares no comunicado oficial.
O texto continuou agradecendo aos admiradores do ator. “Embora nossos corações estejam partidos, somos profundamente gratos pela vida que ele viveu e pelos momentos inesquecíveis que fomos abençoados em compartilhar com ele. O amor e o apoio que recebeu dos fãs de todo o mundo significaram muito para ele, e nossa família é verdadeiramente grata por isso. Para ele, vocês não eram apenas fãs, eram seus amigos.”
A família destacou ainda que “gostaria de manter as circunstâncias privadas… saibam que ele estava cercado por sua família e em paz.”
Mestre das artes marciais
Diferente de outros astros de ação, que fingem suas proezas de luta, Norris era um verdadeiro mestre, detentor de faixas pretas em disciplinas como caratê, Tang Soo Do e taekwondo. Ele treinou com Bruce Lee e batalhou contra a lenda do kung fu em “O Voo do Dragão” (1972). Na tela, ele frequentemente retratava solitários e, como seu herói cinematográfico, John Wayne, só recorria à violência quando não havia outra escolha.
Incentivado por Steve McQueen a se tornar ator — após dar aulas particulares de caratê para o astro de cinema por vários anos —, Norris experimentou seus primeiros sucessos no começo dos anos 1980, com “Fúria Silenciosa” (1982) e “McQuade, o Lobo Solitário” (1983), vivendo, respectivamente, um xerife e um Texas Ranger.
Sucessos de bilheteria
Após se projetar com filmes de baixo orçamento, Norris assinou com o Cannon Group, liderado pelos produtores Menahem Golan e Yoram Globus, que o transformou num ícone do cinema de ação. Ele estrelou como o Coronel James Braddock, um ex-prisioneiro de guerra que retorna ao Vietnã para resgatar soldados capturados, em “Braddock: O Super Comando” (1984). Detonado pelos críticos, o filme foi amado pelo público, gerando um prelúdio em 1985 e uma sequência em 1988.
“Steve McQueen disse uma vez: ‘Olha, os críticos podem elogiá-lo até o fim do mundo, mas se o seu filme render apenas US$ 2, você não vai trabalhar. Então a questão é que, contanto que as pessoas venham ver seus filmes, você continuará trabalhando, não importa o que os críticos digam'”, relembrou Norris em uma entrevista para a revista Black Belt. “Então, quando eu era crucificado pelos críticos, tentava manter isso em mente.”
O astro manteve uma grande sequência de sucessos de bilheteria no estúdio, com produções como “Código de Silêncio” (1985), “Invasão U.S.A.” (1985), “Os Aventureiros do Fogo” (1986) e “Comando Delta” (1986), que também rendeu uma continuação em 1990.
Herói da TV
Após o auge cinematográfico, Norris viveu nova fase como protagonista televisivo ao estrelar a duradoura série policial “Chuck Norris: O Homem da Lei”, exibida originalmente por nove temporadas entre 1993 e 2001. Com quase 200 episódios, a produção fez um sucesso imenso e o apresentou a uma nova geração, além de ter ganhado um telefilme derivado em 2005.
O ator revelou que havia recusado cerca de uma dúzia de ofertas de televisão antes de ser abordado para o papel. “Gostei da ideia de uma história de faroeste moderna”, disse ele em uma entrevista em meados dos anos 1990. De fato, a atração evocava o clima do clássico faroeste “Gunsmoke”, mas se passava nos dias atuais. Os episódios acompanhavam Cordell Walker, um ranger texano especialista em artes marciais que combatia o crime em Dallas e pelo interior do Texas ao lado do parceiro Jimmy Trivette, sempre guiado por um código moral rígido e por métodos bem menos burocráticos do que a lei recomendaria.
Ao misturar a fórmula de faroeste clássico com casos policiais da semana, muita porradaria coreografada e lição de moral, a produção virou sinônimo de entretenimento americano dos anos 1990, mas também foi abraçada pelo público brasileiro graças às reprises infinitas na TV aberta. O universo da atração voltou à tona recentemente com o lançamento de um reboot em 2020, estrelado por Jared Padalecki, que durou quatro temporadas.
Últimos trabalhos
Mais recentemente, o veterano abraçou o status de lenda viva da cultura pop, interpretando a si mesmo na comédia “Com a Bola Toda” (2005) e na série “Os Goldbergs” (num episódio de 2015), e ao participar de “Os Mercenários 2” (2012), dividindo a tela com outros gigantes da pancadaria hollywoodiana, como Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, Dolph Lundgren, Jean-Claude Van Damme e o “novato” Jason Statham.