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Roteirista de concorrente do Brasil no Oscar é preso no Irã
Mehdi Mahmoudian, coautor de "Foi Apenas um Acidente", foi detido após assinar carta com críticas ao aiatolá Ali Khamenei
Prisão política no Irã
Mehdi Mahmoudian, um dos roteiristas do filme “Foi Apenas um Acidente”, foi preso no sábado (31/1) em Teerã. A detenção ocorreu após ele assinar, junto com outros ativistas, uma carta aberta com críticas severas ao aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. Mahmoudian divide os créditos do roteiro com o diretor Jafar Panahi e os escritores Nader Saïvar e Shadmehr Rastin.
Concorrente do Brasil no Oscar
A prisão acontece em um momento de visibilidade internacional para a obra. “Foi Apenas um Acidente” disputa duas estatuetas no Oscar 2026: justamente Melhor Roteiro Original, além de Melhor Filme Internacional, categoria na qual enfrenta o brasileiro “O Agente Secreto”. O longa, que está em cartaz nos cinemas do Brasil, narra a história de quatro ex-prisioneiros políticos que acreditam ter encontrado seu antigo torturador.
Denúncia de crimes contra a humanidade
Segundo a revista Variety, a carta assinada por Mahmoudian e outros 16 ativistas — incluindo o próprio Panahi — denuncia a repressão violenta contra manifestantes no país. “O assassinato em massa e sistemático de cidadãos que corajosamente saíram às ruas para pôr fim a um regime ilegítimo constitui um crime organizado de Estado contra a humanidade”, afirma um trecho do documento.
Os signatários acusam o governo de usar munição real contra civis, prender e perseguir milhares de pessoas e obstruir cuidados médicos a feridos, classificando tais atos como “traição ao país”.
Apoio do diretor
Jafar Panahi, que venceu a Palma de Ouro em Cannes no ano passado pelo mesmo filme, divulgou um comunicado em defesa do colega. O cineasta revelou que conheceu Mahmoudian na cadeia, quando ambos eram prisioneiros políticos, e o convidou para colaborar nos diálogos do longa.
“Mehdi Mahmoudian não é apenas um ativista dos direitos humanos e um prisioneiro político. Ele é uma testemunha, um ouvinte e uma presença moral rara — uma presença cuja ausência é imediatamente sentida”, declarou Panahi. O próprio diretor foi condenado no ano passado a um ano de prisão por “atividades de propaganda” contra o regime, que ele evitou por estar no exterior promovendo seu filme. Após o Oscar, Panahi pretende voltar ao Irã para cumprir sua sentença.