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Divulgação/MGM

Filme|16 de fevereiro de 2026

Robert Duvall, gigante do cinema, morre aos 95 anos

Ator de “O Poderoso Chefão”, “Apocalypse Now” e “A Força do Carinho” faleceu domingo em sua fazenda cercado pela família

Pipoque pelo Texto ocultar
1 Lenda de Hollywood e do cinema mundial
2 Declaração emocionante da família
3 Início no teatro e amizades lendárias
4 A consagração com Coppola
5 Filmes que marcaram o cinema
6 O reconhecimento do Oscar
7 Últimos trabalhos

Lenda de Hollywood e do cinema mundial

Robert Duvall, o ator de olhar penetrante que eternizou papéis em clássicos como “O Poderoso Chefão” e “Apocalypse Now”, morreu neste domingo (15/2). O artista faleceu aos 95 anos em sua fazenda na Virgínia, onde estava “cercado de amor e conforto”, segundo confirmou sua esposa, Luciana.

Declaração emocionante da família

A viúva do ator divulgou um comunicado comovente sobre a perda, destacando o impacto pessoal e profissional do marido. “Para o mundo, ele era um ator vencedor do Oscar, um diretor, um contador de histórias. Para mim, ele era simplesmente tudo”, declarou Luciana. “Sua paixão por seu ofício só se comparava ao seu profundo amor pelos personagens, por uma boa refeição e por contar histórias. Para cada um de seus muitos papéis, Bob deu tudo aos seus personagens e à verdade do espírito humano que representavam.”

Luciana finalizou agradecendo o carinho dos fãs. “Ao fazer isso, ele deixa algo duradouro e inesquecível para todos nós. Obrigada pelos anos de apoio que demonstraram a Bob e por nos darem este tempo e privacidade para celebrar as memórias que ele deixa para trás.”

Início no teatro e amizades lendárias

Nascido em San Diego em 1931, Duvall serviu no exército antes de se mudar para Nova York em 1955 para estudar no Neighborhood Playhouse. Nessa época, dividiu um apartamento com Dustin Hoffman e manteve uma amizade próxima com Gene Hackman, formando um trio de aspirantes a astros que frequentavam as mesmas aulas. “A sensação era de que Bobby era o novo Brando. Eu sentia que ele era o cara, e provavelmente eu não era”, disse Hoffman à revista Vanity Fair.

Sua estreia no cinema aconteceu em 1962, quando interpretou o recluso Boo Radley em “O Sol é para Todos”. Recomendado pelo roteirista Horton Foote, com quem já havia trabalhado no teatro, Duvall impressionou a crítica mesmo sem ter nenhuma fala no filme. Ao longo da década de 1960, ele consolidou sua reputação com papéis em “Bullitt” (1968), “Bravura Indômita” (1969) e “MASH” (1970).

A consagração com Coppola

A carreira de Duvall mudou de patamar nos anos 1970, impulsionada por sua parceria com o diretor Francis Ford Coppola. Ele interpretou Tom Hagen, o advogado da família Corleone, em “O Poderoso Chefão” (1972) e “O Poderoso Chefão Parte II” (1974), recebendo sua primeira indicação ao Oscar.

Hagen era o Consigliere, o conselheiro mais próximo de Don Vito Corleone (Marlon Brando) e, posteriormente, Michael (Al Pacino), e foi o responsável por entregar a famosa “proposta que não se pode recusar” ao produtor de cinema Jack Woltz — resultando na icônica cena da cabeça do cavalo. O papel foi tão marcante que foi repetido pelo ator em quatro videogames dos anos 2000.

A colaboração com Coppola continuou em “Apocalypse Now” (1979), onde viveu o tenente-coronel Bill Kilgore e proferiu uma das frases mais famosas e parafraseadas do cinema: “Eu adoro o cheiro de napalm pela manhã”. Sua breve participação, acompanhada por um ataque de helicópteros ao som da “Cavalgada das Valquírias”, de Richard Wagner, tornou-se um ponto de referência cultural.

Filmes que marcaram o cinema

Duvall também protagonizou a estreia de George Lucas na direção de longas-metragens com “THX 1138” (1971). No filme, uma distopia futurista onde as emoções são suprimidas por drogas e a população vive sob vigilância constante em uma sociedade subterrânea, Duvall interpretou o personagem-título, um operário que ousa sentir e questionar o sistema. A cena final, em que THX escala um poço de ventilação rumo à superfície e ao pôr do sol, tornou-se uma das imagens mais marcantes da ficção científica cerebral dos anos 1970.

Cinco anos depois, Duvall mudou completamente de registro para viver Frank Hackett em “Rede de Intrigas” (1976), a sátira ácida de Sidney Lumet sobre o mundo da televisão. Como o executivo de rede obcecado por audiência e lucro a qualquer custo, ele personificou a frieza corporativa que transformou o surto nervoso do âncora Howard Beale (Peter Finch) em um espetáculo lucrativo. O ator brilhou nas cenas, gritando ordens e celebrando os índices de audiência enquanto a integridade jornalística desmoronava ao seu redor. A atuação ajudou o filme a se tornar um clássico profético sobre o futuro da TV e da mídia sensacionalista.

O reconhecimento do Oscar

O reconhecimento máximo da Academia chegou na década seguinte. Em 1983, Duvall venceu o Oscar de Melhor Ator por sua atuação como um cantor country alcoólatra em “A Força do Carinho”. Ele mesmo compôs e interpretou as músicas do personagem Mac Sledge, mergulhando no Texas para capturar o sotaque local com perfeição.

O ator ainda recebeu novas indicações ao Oscar por “O Apóstolo” (1997) — que escreveu e dirigiu — e “O Juiz” (2014). No primeiro, interpretou Euliss “Sonny” Dewey, um pregador pentecostal carismático que foge da justiça após cometer um crime passional e tenta recomeçar em uma pequena comunidade no Sul dos Estados Unidos. No segundo, encarnou o juiz Joseph Palmer, um magistrado severo e distante acusado de assassinato em uma pequena cidade de Indiana, que vê seu legado e sua saúde se deteriorarem. A cena do banheiro, onde o personagem perde o controle de suas funções corporais e precisa ser ajudado pelo filho que despreza (Robert Downey Jr.), mostrou a coragem do ator em expor a fragilidade da velhice sem vaidade.

Últimos trabalhos

Seus últimos trabalhos incluíram o thriller de ação “Jack Reacher: O Último Tiro” (2012), com Tom Cruise, o suspense “As Viúvas” (2018), de Steve McQueen, o drama esportivo “Arremessando Alto” (2022), com Adam Sandler, e o suspense de época “O Pálido Olho Azul” (2022), sua despedida das telas, ao lado de Christian Bale.

Robert Duvall deixa sua esposa, Luciana, com quem atuou em “O Assassinato de um Presidente” (2002) e “Cavalos Selvagens” (2015). O ator não teve filhos.

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