
Instagram/Preta Gil
Padre que atacou Preta Gil faz acordo e terá que estudar intolerância religiosa
Sacerdote questionou orixás sobre a saúde da cantora e agora cumprirá medidas educativas para evitar processo criminal
Acordo judicial
O padre Danilo César fechou um acordo com o Ministério Público Federal (MPF) para escapar de um processo criminal por intolerância religiosa contra Preta Gil. O religioso foi denunciado em 2025 após proferir um discurso discriminatório durante uma missa em Areial, no Agreste da Paraíba, onde questionou “por que os orixás não teriam ressuscitado Preta Gil”, em referência ao tratamento de câncer da cantora.
Confissão e medidas educativas
A juíza federal Cristiane Mendonça Lage homologou o termo em que o pároco confessa a conduta inadequada e se compromete a cumprir uma série de exigências educativas. Para extinguir a possibilidade de ação penal, o padre terá que realizar 60 horas de cursos sobre intolerância religiosa e entregar resenhas manuscritas de obras como os livros “A Justiça e a Mulher Negra”, de Lívia Santana, e “Cultos Afro-Paraibanos”, de Valdir Lima, além do documentário “Obatalá, o Pai da Criação”.
Multa e ato inter-religioso
Além da reeducação, o acordo prevê o pagamento de uma prestação pecuniária de R$ 4.863, que será destinada à AACADE (Associação de Apoio às Comunidades Afrodescendentes). O religioso também é obrigado a participar de um ato inter-religioso em João Pessoa, que reunirá representantes da Igreja Católica, de matrizes africanas e familiares de Gilberto Gil. Caso descumpra qualquer cláusula, sua confissão poderá ser usada como prova para reabrir o processo. Gilberto Gil já havia enviado notificação extrajudicial cobrando retratação pública do sacerdote e da Diocese de Campina Grande.