
Instagram/Neil Gaiman
Justiça dos EUA rejeita ações de abuso sexual contra Neil Gaiman, o criador de “Sandman”
Tribunais declararam falta de jurisdição, enquanto o escritor segue negando acusações e anuncia novo livro
Decisão judicial
A Justiça federal dos Estados Unidos rejeitou nesta semana as três ações que acusavam o escritor britânico Neil Gaiman e sua ex-esposa, a musicista Amanda Palmer, de abuso sexual, coerção e tráfico humano. As decisões referem-se aos processos movidos pela ex-babá Scarlett Pavlovich, que trabalhou para o casal na Nova Zelândia.
Segundo a Associated Press, os tribunais não analisaram o mérito das graves acusações, mas concluíram que o sistema judiciário americano não possui jurisdição sobre o caso. O entendimento é de que o processo deve ser tratado apenas na Nova Zelândia, local onde os supostos crimes teriam ocorrido. O juiz distrital Nathaniel Gorton, de Boston, já havia rejeitado a ação em Massachusetts na semana passada com base no mesmo argumento.
As acusações
Scarlett Pavlovich iniciou os processos em fevereiro de 2025 nos estados de Wisconsin, Massachusetts e Nova York. Ela alega ter sido vítima de múltiplas agressões sexuais e mantida como “escrava sexual” enquanto trabalhava para Gaiman e Palmer a partir de fevereiro de 2022. A ex-babá afirma que aceitou o emprego confiando na imagem pública progressista do autor e permaneceu na situação por falta de recursos e promessas de ajuda em sua carreira literária. Ela pedia uma indenização de pelo menos US$ 7 milhões (cerca de R$ 36 milhões).
O caso de Pavlovich soma-se a uma série de denúncias contra o criador de “Sandman”. Desde o final de 2024, outras sete mulheres acusaram publicamente o escritor de assédio e abuso sexual. O escândalo impactou diretamente a carreira de Gaiman, resultando no encerramento prematuro de produções baseadas em suas obras, como “Belas Maldições” (Prime Video), “Garotos Detetives Mortos” e “Sandman” (Netflix).
Gaiman nega e anuncia livro
No início deste mês, Neil Gaiman quebrou um silêncio de quase um ano para negar as alegações, classificando-as como uma “campanha difamatória” e afirmando que a imprensa ignorou “montanhas de evidências” a seu favor. “Estou longe de ser uma pessoa perfeita, mas nunca me envolvi em atividade sexual não consensual com ninguém. Nunca”, declarou em seu blog.
Além da defesa, o escritor aproveitou o momento para anunciar um novo projeto literário. “Achei que seria um projeto relativamente curto quando comecei, mas tudo indica que vai acabar sendo a maior coisa que já fiz desde ‘Deuses Americanos’. Já está muito mais longo do que ‘O Oceano no Fim do Caminho'”, escreveu ele, tentando retomar a narrativa sobre seu trabalho em meio às batalhas judiciais.