
Divulgação/Biônica Filmes
“Feito Pipa”: Filme brasileiro fatura dois prêmios no Festival de Berlim
Filme de Allan Deberton levou o Urso de Cristal e o Grande Prêmio do Júri Internacional na mostra Generation Kplus
A consagração na Alemanha
O cinema brasileiro garantiu vitórias importantes em uma das mostras principais do Festival de Berlim neste sábado (21/2). A produção “Feito Pipa”, dirigida pelo cineasta Allan Deberton (“Pacarrete”), recebeu o Urso de Cristal de Melhor Filme e o Grande Prêmio do Júri Internacional na mostra Generation Kplus, focada no universo, nas vivências e no protagonismo de crianças e adolescentes.
Teve outro brasileiro premiado
O longa “Fiz Um Foguete Imaginando Que Você Vinha”, sob o comando da diretora Janaína Marques, também chamou a atenção dos críticos no evento alemão. A obra cinematográfica conquistou o prêmio do júri dos leitores do jornal Tagesspiegel durante sua exibição na seção Forum.
Celebração de Lázaro Ramos
O ator Lázaro Ramos (“Ó Paí, Ó 2”), um dos nomes do elenco de “Feito Pipa”, celebrou o triunfo em comunicado à imprensa. “Eu não serei modesto nesse meu pronunciamento: ‘Feito Pipa’ merece mesmo ganhar esses dois prêmios. Falo como ator que participou do filme, mas também como espectador que se emocionou com essa história e viu o público emocionado em Berlim”, declarou o artista.
A trama ambientada no sertão cearense
“Feito Pipa” se passa em uma pequena comunidade vizinha ao reservatório Araújo Lima, no interior do Ceará, onde a seca revela os vestígios de uma antiga cidade submersa. O cenário serve de base para Gugu (Yuri Gomes), um menino de 11 anos com o sonho de ser jogador de futebol que vive sob os cuidados carinhosos da avó (Teca Pereira).
A narrativa ganha conflitos quando a idosa começa a apresentar problemas de memória. O protagonista mobiliza outras crianças para tentar reverter o quadro clínico e passa a esconder o fato dos demais para evitar morar com o próprio pai conservador (Lázaro Ramos), um homem que demonstra dificuldades em aceitar o jeito do filho.
O drama foi filmado inteiramente no município de Quixadá. Antes de colher os louros na Europa, o projeto já havia figurado como finalista do Teddy Awards, premiação focada no cinema LGBTQIA+.
O que o júri disse sobre a obra?
O filme brasileiro foi uma rara unanimidade entre o Júri Infantil, formado exclusivamente por crianças de 11 a 14 anos de Berlim, responsável por entregar o Urso de Cristal, e o Júri Internacional, formado por especialistas do mercado de cinema (cineastas, produtores, críticos), que decidem o Grande Prêmio do Júri Internacional.
O comitê responsável por conceder o Urso de Cristal publicou um texto enaltecendo a conexão criada com o público. “As emoções de cada personagem individualmente nos tocaram profundamente. Nós fomos envolvidos por uma história emocionante, como se fôssemos parte da ação. Foram mencionadas questões importantes que merecem mais atenção”, justificou a bancada.
A comissão do Grande Prêmio do Júri Internacional seguiu o mesmo tom, mas focou os elogios na força das atuações. “O filme nos cativou com sua narrativa vibrante e o jovem protagonista multifacetado, seguro e feroz, além de uma forma por vezes bem-humorada e comovente de abordar dilemas existenciais. Ficamos encantados com as performances memoráveis de Yuri Gomes e Teca Pereira, e jamais esqueceremos o personagem Gugu, que é tão atlético quanto ele é fabuloso, e se vê obrigado a lutar por si mesmo à medida que o raro laço que o une à avó se desfaz”, definiu a comissão.