
Globoplay/BBB
Comissão de Desaparecidos acusa BBB 26 de reproduzir tortura da ditadura
Órgão do governo enviou carta aberta à Globo apontando "semelhanças aterradoras" entre dinâmica e práticas do regime militar
Semelhança assustadora
A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) disparou críticas contundentes à produção do BBB 26. Em carta aberta divulgada no sábado (31/1), o órgão vinculado ao governo federal acusou o reality show de ultrapassar os limites do entretenimento ao submeter participantes a dinâmicas que lembram métodos de tortura da ditadura militar (1964-1985). O documento foi endereçado à diretora Leonora Bardini e pede uma revisão dessas práticas pela emissora.
“Limites da humanidade”
A carta destaca que o Quarto Branco reproduz condições degradantes, citando “privação de sono, enclausuramento, desorientação espacial, perda da noção de tempo e posições físicas impossíveis de serem sustentadas por longos períodos”. Para a Comissão, tais métodos guardam uma “semelhança aterradora” com as violações sistemáticas cometidas pelo regime autoritário.
O texto enfatiza que transformar sofrimento físico e psicológico em espetáculo fere o Artigo 5º da Constituição Federal, que proíbe tortura e tratamento desumano. “A emissora não apenas testa os limites de seus participantes, mas também os limites da nossa própria humanidade”, afirmam os signatários, alertando para a banalização da dor como forma de entretenimento televisivo.
Quem assina o protesto?
O documento conta com o apoio de representantes do Ministério Público Federal, da Comissão de Direitos Humanos da Câmara e da sociedade civil. Uma das assinaturas de maior peso é a de Vera Paiva, filha do ex-deputado Rubens Paiva, torturado e morto pela ditadura em 1971. A história de sua família foi retratada recentemente no filme “Ainda Estou Aqui” (2024), vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional no ano passado.
Histórico de abusos no reality
A polêmica ganhou força após o desfecho dramático da última dinâmica do Quarto Branco, que durou mais de 120 horas — um recorde na história do programa. A prova só terminou na madrugada de 18 de janeiro, quando a participante Rafaella Jaqueira desmaiou ao tentar se equilibrar em uma plataforma, precisando de atendimento médico imediato.
Após a eliminação forçada de Rafaella, o apresentador Tadeu Schmidt confirmou a entrada dos quatro competidores restantes (Chaiany Andrade, Gabriela Saporito, Leandro Rocha e Matheus Moreira) no jogo principal. Antes do desmaio, o grupo já havia enfrentado dias de confinamento com alimentação restrita a biscoitos e água, além de estímulos sonoros incômodos.
O caso chamou atenção da imprensa internacional, com um telejornal espanhol chamando o programa de “Big Tortura Brasil”.
Até o momento, a Globo não respondeu às acusações da Comissão. O espaço segue aberto para posicionamentos, declarações e atualizações das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.