
Divulgação/Paramount
Bud Cort, astro do clássico “Ensina-me a Viver”, morre aos 77 anos
Ator faleceu na quarta-feira (11) após longa doença. Ele estrelou filmes cultuados da contracultura e marcou o cinema como o jovem Harold no clássico cult de 1971
Luto no cinema cult
O ator Bud Cort, eternizado como o protagonista da comédia de humor sombrio “Ensina-me a Viver” (Harold and Maude, 1971), faleceu nesta quarta-feira (11/2) aos 77 anos. Segundo informou sua amiga e produtora Dorian Hannaway ao The Hollywood Reporter, Cort morreu em Connecticut devido a complicações de uma pneumonia, após enfrentar uma longa doença. “Bud Cort era um sábio na atuação, no teatro, e foi abençoado com uma paixão por isso desde jovem”, declarou Hannaway.
Rebelde e desajustado
Nascido Walter Edward Cox em Nova York, Cort estudou com a lendária Stella Adler antes de ser descoberto pelo diretor Robert Altman, que o escalou no clássico da contracultura “MASH” (1970) e lhe deu o papel principal em “Voar é com os Pássaros” (Brewster McCloud, 1970).
O ator participou de três filmes emblemáticos da juventude rebelde dos anos 1970. Ele brilhou em “Morangos Amargos” (The Strawberry Statement, 1970), de Stuart Hagmann, vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes, sobre um estudante que se junta aos protestos universitários inicialmente para conquistar garotas, mas acaba radicalizado pela violência policial e pelo fervor revolucionário.
Ainda em 1970, Altman lhe deu o papel principal em “Voar é com os Pássaros”, uma sátira anárquica onde Cort interpreta um jovem recluso que vive dentro do Observatório de Houston, construindo asas para voar enquanto é protegido por uma “fada madrinha” assassina. Esses papéis de desajustados pavimentaram o caminho para sua performance definitiva em 1971.
O eterno Harold
Foi em “Ensina-me a Viver”, que Cort cimentou seu lugar na história do cinema. Ao lado de Ruth Gordon, ele deu vida a Harold, um jovem rico e mórbido obcecado pela morte que encontra sentido na vida ao se apaixonar por Maude, uma octogenária libertária e cheia de energia. Sobre o filme de Hal Ashby, Cort disse em 2012: “Ao ler o roteiro, soube imediatamente que seria um clássico para todas as épocas. Não havia como negar”.
O papel lhe rendeu indicações ao BAFTA (o Oscar britânico) e ao Globo de Ouro, e o filme segue emocionando gerações, como um dos mais cultuados de todos os tempos.
Carreira versátil
Sua carreira sofreu uma pausa após um grave acidente de carro em 1979. Ao se recuperar, apareceu na comédia “Amores Eletrônicos” (1984), no romance trágico “Os Amantes de Maria” (1984) e no remake da sci-fi “Invasores de Marte” (1986), antes de enveredar para filmes de terror e produções de baixo orçamento.
Sua filmografia voltou a ficar lotada a partir do final do século com diversas produções cultuadas ou premiadas, incluindo “Dogma” (1999), “Nunca Fui Santa” (1999), “Pollock” (2000), “O Hotel de Um Milhão de Dólares” (2000), do alemão Wim Wenders, o fenômeno comercial “Show Bar” (Coyote Ugly, 2000) e “A Vida Marinha com Steve Zissou” (2004), de Wes Anderson.
Na TV, participou de séries como “Ugly Betty” e “Arrested Development”, além de dublar o vilão Homem-Brinquedo nas animações do Superman. Entretanto, seu último trabalho já tinha mais de 10 anos, como dublador na adaptação animada de “O Pequeno Príncipe” (2015).