
Globoplay/BBB
BBB 26: A morte do Sincerão por geleca e covardia da produção
Obsessão por meleca na véspera de Paredão histórico escancara crise criativa: produção parece ter medo de agradar ao público
A morte do Sincerão por geleca
O Sincerão da noite de segunda-feira (9/2) no BBB 26 serviu para escancarar o que vinha sendo murmurado nas redes sociais: a produção está muito aquém da edição. A inclusão de veteranos qualificou a temporada, que está sendo a melhor desde o BBB 21. Entretanto, dinâmica após dinâmica, a equipe responsável pelo programa tem se esforçado para obter efeito oposto, trazendo as piores provas (com regras seletivas), as piores edições de imagens e as piores discórdias. É uma crise criativa que nem o ótimo elenco consegue mais disfarçar.
Infantilidade na véspera de Paredão histórico
A noite de segunda foi emblemática. Numa temporada em que até figurantes se peitam, a direção resolveu fazer uma brincadeira de crianças na véspera do maior Paredão até agora, formado apenas por veteranos. Em vez de palco para embates com potencial antológico, o público assistiu a um jogo de adivinhação entre os participantes, baseado em características físicas e de personalidade, culminando, claro, num banho de geleca para quem errasse.
BBB virou Kids Choice?
O que é essa obsessão com geleca da produção? O aguardado embate das segundas, que antigamente era chamado de Jogo da Discórdia e costumava dar picos de adrenalina e audiência, virou uma bobagem que dá letargia e enterra expectativas. Um “não evento” que parece ser concebido atualmente com um único objetivo: gerar banhos de geleca.
O BBB virou Kids’ Choice? Crianças podem vibrar com essa piada recorrente da Nickelodeon, mas quem cresceu vendo BBBs históricos tende a achar isso apenas infantil. Participante acerta número premiado em prova, toma geleca. Participante escapa do Paredão no Bate e Volta, toma geleca. E segunda-feira virou o dia oficial da “gelequeira” geral.
A jornada da ridicularização
Será que quando Boninho saiu do BBB levou com ele todos os profissionais competentes? Esta é a impressão mais forte. Mas a verdade é que o programa entrou em curva descendente ainda no antigo mandato, perdendo público e relevância. Marcelo Dourado, o herdeiro do núcleo, atendeu vários pedidos da audiência, em especial o retorno de veteranos, e revitalizou o formato. Infelizmente, sua equipe achou que não precisava se esforçar mais que isso.
O detalhe que a produção parece ignorar é que, antes da geleca, o BBB tinha mais público, porque gerava mais embates. O ponto da virada foi o BBB 23, considerado um dos mais fracos de todos os tempos. Foi justamente nesta edição que se fixou a obsessão pelo que, na ocasião, foi chamado de “tiro, porrada e bomba”, com explosões de tintura, banhos de geleca e outras ideias de “quinta série”.
Desde então, o programa enveredou por uma caminho de ridicularização dos participantes sem volta, mas quem tem ficado cada vez mais ridículo por conta disso é o próprio programa.
Bilhões gastos em meleca?
O BBB 26 gera bilhões em publicidade, mas parece que toda a verba arrecada foi direcionada para estocar geleca. Quando tinha menos orçamento e nenhuma geleca, os resultados vinham da criatividade. Não é à toa que fãs pedem, nas redes sociais, a volta de desafios antigos, de um BBB raiz que o atual elenco está disposto a entregar.
Cadê a coragem?
Afinal, do que a produção tem medo? Trocou o nome Jogo da Discórdia para Sincerão no BBB 24, com a desculpa de obter patrocínio para a dinâmica. Só que ela segue sem apoio de marcas. E sempre que há expectativa para um momento histórico e audiência recorde, a realidade frustra o público com a mais absoluta falta de comprometimento dos produtores.
Não era o apresentador Tadeu Schmidt que cobrava comprometimento dos participantes no ano passado? Vale lembrar o BBB 25 por ter sido tão ruim que participante atual nem lembra do nome da vencedora. Os brothers preferiam ser plantas a ir para o embate, com medo do cancelamento. Neste ano, as plantas estão atrás das câmeras.
Afinal, do que a produção tem medo? Depois de criar o Quarto Branco, verdadeira infâmia internacional, batizada no exterior de Big Tortura Brasil, medo do que mais? Ali erraram muito a calibragem. Será que foi por isso que se acovardaram a ponto de trocar qualquer ação contundente por geleca e desafios infantis? Ou seria o medo do que os participantes poderiam dizer ao vivo? Como se o BBB não fosse transmitido 24 horas por dia na Globoplay.
É importante descobrir do que estão com medo. Seria realmente de agradar ao público?