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Reality|4 de fevereiro de 2026

Edição do BBB 26 erra em dose dupla: encobre e propaga preconceito na TV

Programa cortou fala problemática de Jonas, mas exibiu insinuações sobre orientação sexual de Brigido


Pipoque pelo Texto ocultar
1 Críticas à edição
2 Omissão cirúrgica
3 Contraste com os últimos anos
4 Exposição inadequada

Críticas à edição

A edição do BBB 26 tem dado vexame diário desde a estreia do programa, devido ao amadorismo da exibição na Globo, mas na noite de terça-feira (3/2) foi além do eticamente aceitável. Além de ausência de momentos chaves, da falta de ordem cronológica e do excesso de ações de marketing, que têm irritado um público cada vez mais ligado no streaming para acompanhar o reality em tempo real, a produção cometeu dois erros graves e complementares, relacionados a preconceito e exposição indevida dos participantes.

Omissão cirúrgica

O primeiro equívoco foi a remoção deliberada da palavra “progesterona” em uma briga entre Jonas Sulzbach e Juliano Floss. Durante a discussão exibida, parte do embate foi incluída. “Você nunca vai ter testosterona”, disse Jonas ao reagir na troca de farpas. Mas a frase seguinte, “Vai lá, progesterona”, foi cortado da edição.

A omissão é especialmente problemática porque Jonas enfrenta uma denúncia-crime por homofobia, movida pela Associação do Orgulho LGBTQIAPN+ de São Paulo, justamente por usar expressões femininas de forma pejorativa contra Juliano. A progesterona é um hormônio esteroide associado ao corpo feminino, e o uso do termo como ofensa pode ser enquadrado como preconceituoso. Ao cortar essa parte, a Globo protegeu o participante, ao mesmo tempo em que escondeu do público uma polêmica que já tem repercussão na polícia, evitando abordar o problema no programa.

Contraste com os últimos anos

A postura editorial omissa contrasta com o tratamento dado a polêmicas em edições anteriores do programa. Antigamente, os apresentadores do BBB promoviam intervenções ao vivo na casa para abordar problemas graves e gerar debates públicos sobre comportamentos inadequados.

Desde os primórdios, o BBB construiu um histórico de enfrentamento de preconceitos. Pedro Bial atacou a homofobia já no BBB 5. “Ocorreu a formação de um grupo que se uniu em torno de um líder carismático, o Doutor Gê, contra um só inimigo, Jean. Mais do que preconceito, foi uma clara demonstração de homofobia”, disse o apresentador sobre ataque sofrido pelo campeão Jean Wyllys, ao fazer um balanço da edição no antigo site Globo.com. Mesmo sem ir ao ar, a crítica foi um degrau importante para a construção de um consenso ético, que veio se aprimorando conforme o programa seguiu se atualizando.

No BBB 21, Tiago Leifert protagonizou um momento histórico ao confrontar o sertanejo Rodolffo ao vivo sobre uma piada racista envolvendo o cabelo de João Luiz. O sertanejo havia comparado o estilo afro do professor a uma peruca de homem das cavernas, e Leifert fez um discurso contundente explicando que o cabelo negro é um símbolo de resistência e ancestralidade. “O black é a coroa. A dor que o João sentiu, ela não discerne entre um comentário ingênuo ou maldoso, a dor é igual. Por isso, nós brancos, precisamos nos informar”, afirmou o apresentador.

Já no BBB 23, Tadeu Schmidt fez uma intervenção ao vivo para alertar sobre o relacionamento tóxico entre Bruna Griphao e Gabriel Fop. “Certas coisas não podem ser ditas nem de brincadeira”, pontuou Tadeu após Gabriel fazer comentários agressivos contra a ficante. O apresentador ainda teve que discursar naquela edição durante a expulsão de MC Guimê e Cara de Sapato por importunação sexual, embora tenha se calado na hora de escancarar o preconceito religioso sofrido por Fred Nicácio e o machismo brutal usado contra Larissa Santos.

Neste ano, o caso de importunação sexual de Pedro Henrique Espindola contra Jordana Martins mereceu posição editorial. Mas a impressão geral é que o discurso ficou aquém da gravidade dos fatos, investigados pela Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.

Exposição inadequada

Em vez de avançar e assumir papel importante nos debates de temas comportamentais, o BBB parece ter regredido. O segundo erro grave da noite passada foi de propagação de preconceito.

Os produtores incluíram na edição um vídeo com insinuações sobre a orientação sexual de Brigido Neto, eliminado na própria noite de terça. Além de antiquado e potencialmente homofóbico, o tema já havia gerado uma nota de repúdio oficial da equipe do agora ex-BBB em resposta a tuítes tendenciosos.

Na nota publicada nas redes sociais, a assessoria de Brigido classificou as especulações como “profundamente reprováveis” e apontou que “tratar a sexualidade como arma de narrativas é, por si só, uma forma velada de homofobia”. A decisão da produção de exibir essas insinuações na TV como humor, além de desrespeitosa e alimentadora de estereótipos, é um enorme desserviço para a edição, que tem dois gays assumidos, responsáveis por beijos coloridos.
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As duas decisões complementares da produção do BBB 26 jogam luz sobre os novos tempos do reality, ressaltando falta de critério e sensibilidade da equipe do programa após a saída do diretor-geral Boninho no fim de 2024.
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