
Divulgação/Warner Bros
Bafta premia “Uma Batalha Após a Outra” e impõe derrota ao Brasil
A premiação de cinema não rendeu vitórias para as produções nacionais neste fim de semana, mas as expectativas para a disputa do Oscar continuam em alta
Zebra britânica quebra sequência de vitórias
A Academia Britânica de Artes do Cinema e Televisão (BAFTA) revelou os vencedores de sua premiação de cinema, considerada o Oscar Britânico, consagrando “Uma Batalha Após a Outra” como o Melhor Filme do ano e impondo derrotas aos representantes do Brasil neste domingo (22/2).
Como foram as disputas do Brasil?
O cineasta Kleber Mendonça Filho disputou dois troféus por seu trabalho em “O Agente Secreto”, mas acabou superado em ambos. A categoria de Melhor Filme de Língua Não Inglesa foi vencida pelo drama norueguês “Valor Sentimental”, dirigido por Joachim Trier, enquanto o prêmio de Melhor Roteiro Original ficou com Ryan Coogler, responsável por “Pecadores”. Já a diretora Petra Costa concorreu a Melhor Documentário em Longa Metragem com “Apocalipse nos Trópicos”, que perdeu a estatueta para “Mr Nobody Against Putin”, do realizador David Borenstein.
A lista de revezes brasileiros foi completada por Adolpho Veloso, indicado à estatueta de Melhor Fotografia pela obra “Sonhos de Trem”. O reconhecimento dos votantes britânicos na categoria técnica foi entregue a Michael Bauman por seu desempenho no longa “Uma Batalha Após a Outra”.
Por que o resultado não afeta o Oscar?
O desfecho da premiação em Londres representou um ponto fora da curva para Veloso e para a equipe de “O Agente Secreto”, que acumulavam conquistas consecutivas no circuito internacional, como os triunfos no Globo de Ouro, no Critics Choice e no Spirit Awards. O evento europeu possui um histórico de resultados atípicos, pois sua base de votantes costuma privilegiar obras que não encontram o mesmo respaldo na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos. Devido a essa particularidade histórica, as expectativas para o desempenho do país na cerimônia do Oscar, marcada para o dia 15 de março, seguem altas.
A dinâmica de derrota na Europa seguida de vitória nos Estados Unidos tem precedentes recentes para o cinema nacional, já que este foi o segundo ano consecutivo em que o país disputou os troféus ingleses. Na temporada passada, “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, foi indicado a Melhor Filme em Língua Não Inglesa e perdeu a disputa para “Emilia Perez”, mas acabou se sagrando vencedor do Oscar na mesma categoria semanas depois.
Quais foram os maiores campeões da noite?
O diretor Paul Thomas Anderson dominou a cerimônia com “Uma Batalha Após a Outra”, faturando seis estatuetas, o que incluiu o cobiçado troféu de Melhor Filme. O terror “Pecadores”, de Ryan Coogler, também garantiu seu espaço de destaque ao levar três prêmios, marca que estabeleceu um recorde inédito para uma produção comandada por um cineasta negro na história do evento de Londres.
A mesma quantidade de três vitórias (duas do membros, uma do público) foi alcançada de forma surpreendente por “I Swear”, uma comédia britânica de humor ácido focada na síndrome de Tourette que ainda não havia ganhado evidência na atual temporada, numa demonstração clara das peculiaridades da premiação da BAFTA.