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Acadêmicos de Niterói denuncia perseguição após desfile sobre Lula
Escola de samba afirma ter sofrido pressão política e tentativas de censura durante a preparação do enredo em homenagem ao presidente
Escola rompe o silêncio após desfile polêmico
A Acadêmicos de Niterói divulgou uma nota pública contundente nesta segunda-feira (16/2), denunciando ter sido alvo de perseguições durante a preparação de seu desfile sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A agremiação, que abriu as apresentações do Grupo Especial no domingo (15/2), afirma que sofreu tentativas de interferência em sua liberdade artística.
“Durante todo o processo carnavalesco, a nossa agremiação foi perseguida. Sofremos ataques políticos, enfrentamos setores conservadores e, de forma ainda mais grave, lidamos com perseguições vindas de gestores do próprio carnaval carioca”, diz o comunicado. A escola relata que houve pressão para mudar o enredo e questionamentos sobre a letra do samba, com o objetivo de “enquadrar e silenciar” a homenagem.
O que diz a Acadêmicos de Niterói sobre o julgamento?
Diante das polêmicas, a agremiação exige que a avaliação dos jurados seja técnica e isenta de viés político. “Reafirmamos com firmeza que esperamos um julgamento justo, técnico e transparente, que respeite o que foi apresentado na Avenida e não reproduza perseguições, interesses ou pré-julgamentos”, declarou a nota.
A escola também rebateu a “narrativa injusta” de que agremiações recém-promovidas da Série Ouro estariam condenadas ao rebaixamento imediato, citando um “histórico conhecido no carnaval” que prejudicaria as novatas.
Enredo sobre Lula e críticas a Bolsonaro
Intitulado “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, o desfile narrou a trajetória do presidente desde a infância no agreste pernambucano até o Palácio do Planalto. A apresentação incluiu representações de figuras políticas como Dilma Rousseff, Michel Temer, Alexandre de Moraes e Jair Bolsonaro, apresentado como o palhaço Bozo. Um dos carros alegóricos trouxe críticas diretas à gestão da pandemia pelo governo anterior e fez referência à prisão do ex-presidente.
A homenagem gerou pelo menos dez ações judiciais da oposição, que alegaram propaganda eleitoral antecipada financiada com recursos públicos. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) liberou o desfile para evitar censura prévia, mas alertou sobre possíveis punições posteriores. O Partido Novo já anunciou que acionará a Justiça Eleitoral pedindo a inelegibilidade de Lula.
Janja desiste de desfilar para evitar problemas
Por conta das polêmicas, a primeira-dama, Janja da Silva, que era esperada em um dos carros alegóricos, optou por assistir ao desfile do camarote ao lado de Lula e do prefeito Eduardo Paes. Em nota, ela explicou que a decisão visou proteger a agremiação e o marido. “Tomei a decisão apesar de haver segurança jurídica para isso, e para evitar possíveis perseguições à escola de samba e ao presidente Lula”, justificou.